sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Blogueira Yoani cobra posição do Brasil sobre direitos humanos em Cuba

Yoani Sanchéz
"No governo Luiz Inácio Lula da Silva e agora com Dilma Rousseff , aproximou-se o vínculo entre Brasil e Havana, principalmente no plano econômico", afirmou durante sabatina promovida pelo Grupo Estado. "(Mas) falta franqueza e dureza em relação aos direitos humanos. Há muito silêncio. Sou uma diplomata do povo, mas deixo como sugestão uma posição mais enérgica."

Para uma plateia formada por intelectuais e jornalistas e em que também esteve presente o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), Yoani criticou o governo de Raúl Castro, classificando-o ideologicamente como "capitalismo de Estado".

A autora do blog "Generación Y" comparou o governo castrista com um "reino", porque Raúl não foi eleito através do voto popular, mas sim por seus laços sanguíneos com Fidel. "No século 21, é algo surpreendentemente absurdo", destacou. Apesar das reformas migratórias e econômicas promovidas em Cuba, Yoani afirmou que elas são insuficientes. "Entrar e sair do país não foi reconhecido como um direito ainda", disse. "Eles legalizaram o que já era prática corriqueira. O que eles não conseguem controlar, legalizam", completou em referência à permissão de se comprar e vender casas e carro sem seu país.

Em relação ao embargo econômico americano, Yoani reiterou que, além de não funcionar, o bloqueio criou uma espécie de desculpa para as falhas do regime. "A discussão do embargo muitas vezes é uma distração. O grande problema nacional é a repressão contra o povo."

A dissidente cubana também apontou as diferenças entre os governos de Fidel Castro e de seu irmão Raúl. Para Yoani, a repressão na era Fidel era "um show" com tribunais numerosos para julgar os opositores, enquanto Raúl a pratica "para ninguém ver", sem deixar rastros.

Questionada sobre qual seria o modelo que poderia substituir eventualmente o sistema de governo de Cuba, Yoani indicou que não há enxerga um modelo pronto para o que classificou de "a Cuba futura". "Penso que a mudança em Cuba seria algo inédito."

Em relação ao futuro da ilha, a dissidente disse esperar que as mudanças profundas não viessem através da violência ou de um golpe de estado, mas através do desejo do povo cubano de que "essa situação não pode se prolongar".

Ainda assim, Yoani reconheceu que há uma "apatia" muito forte presente na juventude do seu país, uma vez que o ensino, segundo ela, é ideologicamente controlado. "É como se o país não te pertencesse. A reação que se tem é de apatia. O país não me pertence, nada vai mudar, então, para que se revoltar? Esse é o discurso de muitos jovens"


Fote: O Dia


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