Vítor
Nósseis preside o PSC desde 1985. Daniel Tourinho assumiu o cargo mais alto do
hoje PTC em 1989. A exemplo deles, outros 13 presidentes de partidos políticos
estão no posto há mais de dez anos.
Há
exemplos em siglas nanicas, médias e grandes. Após várias reeleições, alguns
são considerados "donos" de siglas. Somam mandatos mais duradouros
que o de presidentes africanos notórios pela longevidade no poder.
A
gestão do líder do PSC, por exemplo, é mais longa que a do presidente de
Uganda, Yoweri Museveni, há 27 anos no comando do país. Já o líder do PTC
assumiu no ano em que o ditador do Sudão, Omar Bashir, chegou ao poder.
No
grupo, que reúne metade dos 30 dirigentes de partidos, está o deputado Roberto
Freire, presidente do PPS há 21 anos, e o vice-presidente da República, Michel
Temer, que comanda o PMDB desde 2001. Hoje ele está licenciado, mas deve ser
reeleito em março. Já partidos como PRTB, de Levy Fidelix, e PSDC, de Eymael,
nunca estiveram nas mãos de outra pessoa.
Para
a cientista política Maria do Socorro Souza Braga, da Universidade Federal de
São Carlos, duas situações levam à permanência de um presidente por tantos
anos.
A
primeira são os partidos "de notáveis", que giram ao redor de um
líder. "É uma legenda fraca." Em outros casos, há tantas correntes
internos que, quando alguém se legitima, fica como nome de consenso, como no
PMDB.
REGRAS
Os
prazos de mandato são diferentes em cada sigla. É comum líderes serem
escolhidos em convenções a cada dois ou quatro anos. Mas o estatuto do PMN, por
exemplo, não prevê limite de mandato. Oscar Noronha Filho é presidente desde
1998.
No
PMDB, o mandato é de dois anos com reeleição indefinida. No PT, são três anos
com direito a uma reeleição.
Em
2015, o PSC deverá reeleger Nósseis "se for a vontade de seus pares".
Ele disse que, como a sigla não "exclui nem segrega", é
desproporcional a comparação com dirigentes de países africanos.
Tourinho,
do PTC, reeleito no ano passado, disse que "renovação não significa troca
de nomes" e que, no partido, decisões são tomadas por consenso. Ele
ressaltou que também não há limites para reeleições de deputados e vereadores
no Brasil.
Já
Temer disse, via assessoria, que o PMDB faz convenções e que, "se há recondução
da direção, é por meio da manifestação democrática dos filiados que
votam".
Para
Roseli Coelho, da Fundação Escola de Sociologia e Política, deveria haver
limite para reeleição, "senão o partido fica empoeirado".
Fonte: Quid Vid
Editoria de Arte: Folha Press


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