segunda-feira, 13 de maio de 2013

Checando forças

Afora as trepidações no Congresso entre o Governo e sua base, que poupam o trabalho da oposição, e alguns ruídos na economia, que os adversários estariam ampliando, Lula, Dilma e seus generais enxergam um horizonte limpo pela frente, no plano político-eleitoral.

Parte do otimismo vem de uma pesquisa, realizada pelo Instituto Vox Popuili para ara consumo interno do PT, que foi examinada no almoço de quarta-feira passada entre a presidente, seu antecessor, os ministros Fernando Pimentel e Mercadante e o presidente do PT, Ruy Falcão. 

Mais qualitativa do que quantitativa, a pesquisa avaliou a preferência pelos principais pré-candidatos a presidente mas estes resultados, hoje, não têm muita importância. Retratam um momento ainda muito distante da eleição. 

Não divergiram quase nada, segundo quem teve acesso aos números, dos resultados da pesquisa também exclusiva, encomendada pelo PSDB, já divulgada aqui: nela, Dilma tem 53%, Marina 18%, Aécio Neves 15% e Eduardo Campos, 5%. Na consulta espontânea, as citações de Dilma e de Lula também os colocam como favoritos. 

Da parte qualitativa da pesquisa é que o grupo extraiu conclusões mais otimistas sobre a disputa de 2014. Para começar, ela revela que, para o eleitor, Lula é Dilma e Dilma é Lula. 

Embora isso pareça óbvio para quem lida com a política, no imaginário do eleitorado a associação poderia já não ser tão forte: Lula deixou a presidência há quase três anos, os dois têm estilos e imagens diferentes que os poderia ter dissociado.

Segundo a “quali”, como dizem os pesquisadores, a grande maioria acha que o governo está no caminho certo, que o país está progredindo, que a vida pessoal melhorou e continuará melhorando. A visita da inflação não foi ignorada mas, para a maioria, o Governo está tomando as medidas certas de controle. 

Registraram que o emprego aumento e acham não haverá aumento do desemprego. As políticas públicas continuam avaliadas, embora tenham destacado os problemas com Saúde e Segurança. O PT aparece, apesar de todo o desgaste com o julgamento do mensalão, aparece como o partido que inspira maior simpatia e confiança. 

Este céu de brigadeiro, naturalmente, pode escurecer daqui o pleito, por conta de circunstâncias externas e internas. Mas, para aquele grupo do almoço, o sentimento atual da população é amplamente favorável a Dilma.
Isso posto, foi com frieza e sem ansiedade que examinaram a candidatura do governador Eduardo Campos. Todos acham que ele passou do ponto de retorno e que errou ao avaliar que os problemas da economia se agravariam, minando o apoio a Lula-Dilma. 

Não haverá mais esforços para evitar que ele se candidate e a saída do PSB do Governo, por ora, será problema dele. Os próprios socialistas, como o ministro Fernando Bezerra os irmãos Gomes, do Ceará, vão aumentar a pressão por uma definição antes de Setembro, quando acaba o prazo para a migração partidária com vistas a 2014. 

E como Lula é Dilma e vice-versa, daqui para a frente ele será cada vez mais ativo no cenário político, ajudando na gestão da coalizão, apoiando um aliado aqui e outro ali, como fez aqui em Brasília, dando uma força ao governador Agnelo Queiróz. 

Contra estas boas circunstâncias, a oposição ainda não descobriu o discurso. 

Tereza Cruvinel


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