Ele é acusado de ter auxiliado o operador do mensalão, Marcos Valério, a enviar dinheiro para uma conta no exterior.
O dinheiro foi usado para custear parte do pagamento dos serviços prestados pelo publicitário Duda Mendonça na campanha eleitoral do PT em 2002.
Segundo a denúncia, Kalid teria enviado a quantia de US$ 131.838 para a conta da offshore Dusseldorf Company, no Bank Boston International, em Miami. Essa empresa pertencia a Duda Mendonça e sua sócia Zilmar Fernandes.
Para realizar a operação, o denunciado utilizou o sistema chamado dólar-cabo, intermediando a remessa por meio de uma conta, no Israel Discount Bank of New York, pertencente à pessoa jurídica Kanton Business Corp, da qual ele era titular.
Ao todo, Duda recebeu R$ 10,8 milhões do PT para fazer a primeira campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. A pedido do partido, o pagamento foi feito no exterior.
Em depoimento para a Polícia Federal, o doleiro admitiu que era o titular da conta por onde transitaram os dólares enviados a Duda Mendonça. Reconheceu ser doleiro e que operava para vários clientes. Ele já responde a duas ações penais por lavagem de dinheiro em decorrência da Operação Castelhana da Polícia Federal, em 2006.
Naquela ocasião, os policiais desmantelaram o esquema internacional de blindagem chefiado pelo ex-deputado federal petista e advogado tributarista Juvenil Alves Ferreira Filho. Juvenil foi preso e teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral por caixa dois.
Autor da denúncia do mensalão do PT, o então procurador-geral da República, Antônio Fernando de Sousa, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o desmembramento do procedimento envolvendo o doleiro para o MPF em Minas aprofundar as investigações.
Duda e Zilmar foram absolvidos pelo STF. Já Valério foi condenado a mais de 40 anos de cadeia. Após ser condenado, o operador do mensalão partiu para o ataque contra o ex-presidente Lula.
Em novo depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), em Brasília, afirmou que o ex-presidente teve despesas pessoais pagas com o dinheiro do esquema de corrupção.
Na oportunidade, revelou a existência de depósitos de sua empresa de publicidade na conta de Freud Godoy, ex-assessor especial do então presidente, apelidado por Lula de aloprado.
A PF em Minas instaurou inquérito e solicitou a quebra dos sigilos bancários de Godoy e suas empresas. No início do mês, o ex-assessor prestou depoimento na PF em São Paulo, por meio de carta precatória. Interrogar Lula não está descartado.
Ezequiel Fagundes/O Globo
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