quinta-feira, 9 de maio de 2013

O martírio dos jovens advogados (‘mulas’ e ‘autônomos’)

É lamentável a situação do mercado de trabalho para os jovens advogados que nele ingressam sem maiores recursos, contatos ou mesmo uma carteira de clientes suficiente para a sua própria sobrevivência por meio da militância advocatícia.

Surge então o advogado proletário, que busca a condição de empregado, para comprovar experiência em carteira, tentando fugir da discriminação que pesa sobre os iniciantes.

A lentidão do Poder Judiciário, sustentada pelos prazos dilatórios para juízes e promotores, enquanto peremptórios para os guerreiros advogados, alimenta o desinteresse de muitos pela Justiça e a dificuldade extrema de sobrevivência dos desprovidos de recursos nesta honrada profissão.

O jovem advogado, então, distribui currículos, decepciona-se com os sites gratuitos e com a demora e a menos valia do seu precioso currículo, paga para obter uma divulgação mais eficiente e é chamado para algumas entrevistas.

Então, o advogado se depara com a triste realidade de muitos escritórios, inclusive trabalhistas, que exigem o cumprimento de horários, a absoluta subordinação (sem qualquer resquício de autonomia profissional), mas que não assinam sua Carteira de Trabalho, não oferecem qualquer contrapartida e o denominam, sarcasticamente, de “advogado autônomo”.

Não há contrato escrito, ninguém em “sã malandragem” jamais deixaria vestígios de sua ilicitude. Você começa a trabalhar quando o “patrão” quiser, nas condições e com a carga horária e sobrecarga de trabalho que o “chefe” desejar, recebendo, com regras arbitrárias e flexíveis, como e quando o dono do escritório bem entender.

SEM GARANTIAS

Não há nenhuma garantia, mas a necessidade e a existência de um alegórico “cartel” de escritórios de advocacia exploradores, que impõem exatamente as mesmas condições, falam mais alto e não resta outra opção ao desapontado advogado, senão a de submeter-se a isso. 

Ele pensa que é somente por um tempo, até que consiga organizar suas finanças e então atuar sem ser tão vilipendiado, mas o tempo se apressa e atropela os sonhos daqueles que ficam pelo caminho.

Muitos fogem para os concursos, mas há a desanimadora cultura das fraudes e das peixadas, da ausência de regulamentação favorável e garantidora de mínimos direitos aos concursandos e, como ponto decisivo, demasiados recursos são exigidos para enfrentá-los e a riquíssima, cara e pesada indústria de cursos preparatórios e a multidão de ratos de cursinhos (que de maneira correta aproveitam todo o tempo disponível para se prepararem) que com eles concorrem fazem com que os advogados também percam precocemente as esperanças nessa importante opção (carreira pública) para suas vidas.

O jovem advogado ou concurseiro (sendo o princípio concursivo uma das maiores ferramentas para a higidez, qualificação e eficiência do serviço público) precisa traçar uma estratégia de guerra para utilizar bem seus preciosos recursos e se destacar em dois ambientes extremamente competitivos.

Os planos precisam ser traçados com prazos e metas, a um só tempo realistas e prudentes, mas ousadas e abertas, capazes de possibilitar o “olhar para fora” e enxergar e agarrar as oportunidades. Mas muitos deles sequer conseguem honrar com as elevadas anuidades da OAB. Esta é a realidade.

Pedro Ricardo Maximino

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