O locutor pergunta: “Quem fez a primeira grande mudança?” Um jovem casal responde: “Lula!” O locutor continua: “Quem está fazendo a segunda grande mudança?” Os atores se multiplicam e respondem: “Dilma, eles, nós, você! É 10 anos de PT”.
Assim começou o programa eleitoral gratuito de 10 minutos veiculado anteontem em cadeia nacional de rádio e televisão.
Em seguida, Lula e Dilma, nessa ordem, vão se alternando dizendo que fizeram o que muita gente achava que era impossível e prometendo fazer mais, muito mais.
O programa, feito pelo marqueteiro João Santana, usou técnicas sofisticadas, capazes de prender a atenção do telespectador. Deve ter funcionado para uns.
Participaram do programa os ministros petistas e o presidente do partido, Rui Falcão, que falou por 26 segundos. Entre os ministros, o campeão foi o da Fazenda, Guido Mantega, com 24 segundos, sinal de que há uma luz amarela no Palácio do Planalto com o recrudescimento da inflação e o fraco crescimento da economia.
A esta altura, era esperado no PT que os índices do PIB estivessem em patamar bem mais elevado. Com o Banco Central obrigado a retomar o aumento das taxas de juros... O petista da equipe de Dilma, Fernando Pimentel, ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, falou por oito segundos.
O caminho para o fim do programa, no entanto, pode ter deixado muita gente com a pulga atrás da orelha. Com a boa desculpa de 10 anos de poder, Lula e Dilma voltaram ao ar. Lula começava a frase, Dilma completava. Lula começava a frase, Dilma completava. Uma simbiose, como se fossem um só.
Se pensarmos nas eleições do ano que vem, o estilo pode ter deixado a oposição com uma dúvida cruel. Tem uma, tem outro. Tem um, tem outra. Quem será candidato?
Pelo final, já que Dilma fecha o programa, será uma candidata. Mas o regra três está ali para ser escalado se for preciso reforçar o time.
Blog do Eduardo Homem de Carvalho

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