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sábado, 21 de setembro de 2013

Brasil se cala em reunião de espionagem

Apesar de ter anunciado uma forte ação internacional contra. a espionagem dos EUA, o governo brasileiro enviou para a reunião da cúpula de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) que discutiria justamente esse tema ontem, em Genebra, uma diplomata de baixo escalão que acabou substituída, durante o dia, por uma estagiária.

O Brasil chegou a patrocinar a convocação do encontro, ao lado de Alemanha e países escandinavos. Mas nas duas horas de reunião a delegação brasileira não pediu a palavra uma só vez e a estagiária se limitou a tomar nota do que dizia cada um dos participantes. 

Enquanto isso, a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, promovia um almoço para sua despedida do cargo.

A presidente Dilma Rousseff promete usar seu discurso na Assembleia-Geral da ONU na semana que vem para levantar o assunto. Ontem, porém, ONGs e diplomatas de vários países se surpreenderam diante do silêncio do governo do Brasil.

Na reunião, diplomatas discutiram o caso brasileiro, em que a Agência de Segurança Nacionai dos EUA (NSA, na sigla em inglês) é suspeita de monitorar e-mails da própria presidente, além de dados sigilosos da Petro brás. 

O encontro contou com a alta comissária "Navi Pillay e o relator da ONU para Liberdade de Expressão, Frank La Rue. Na plenária lotada, embaixadores de diversos países, inclusive dos EUA e do Reino Unido.

Ficou aceitado que a ONU deverá convocar ainda neste ano uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos para debater de novo o tema. A meta é que uma resolução seja apresentada para esclarecer qual a posição do direito internacional em relação à espionagem.

Navi Pillay deixou claro que governos precisam agir para proteger a privacidade e as atuais leis não estão garantindo essa proteção. "A tecnologia permitiu níveis sem precedentes de interferência no direito à privacidade."" 

Sua principal preocupação é com a arbitrariedade na busca por informações de cidadãos. Ela ainda se disse "preocupada" com o fato de que argumentos de segurança nacional possam justificar "abusos".

La Rue propôs que a ONU crie um relator que ficará responsável por redigir princípios que deveriam ser seguidos por países, na forma de um tratado internacional. 

"A regra é simples: toda a lei (de espionagem) que existe no mundo offline deve ser válida para o mundo online. Se para abrir uma carta no correio alguém precisa de uma ordem judicial, isso também deve ocorrer na internet", disse.

O relator da ONU para Liberdade de Expressão admitiu que governos precisam se ocupar de assuntos de segurança nacional. "Mas o que estamos falando aqui é de um sistema de monitoramento que coloca em risco o próprio sistema democrático. A falta de privacidade limita a liberdade de expressão."

Mais de dez países tomaram a palavra para expor suas posições, desde Equador a Paquistão, Suíça a Montenegro.

Entidades -  No encontro, 250 entidades da sociedade civil, várias delas brasileiras, apresentaram 13 princípios que governos deveriam seguir no que se refere à espionagem e ao controle da web. 

O documento pede que governos sejam transparentes sobre o uso de monitoramento da web, ajam dentro da lei, respeitem direitos individuais e atuem com proporcionalidade
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sábado, 14 de setembro de 2013

Vale espiona movimentos sociais, sindicatos jornalistas e funcionários, diz dossiê

"Tem que deixar o buraco do rato, não pode encurralar, isso eu aprendi no Exército." A frase crua expressa a revolta de André Luis Costa de Almeida, 40 anos, ao explicar por que decidiu revelar o que sabe sobre a área de vigilância e inteligência da Vale S/A, onde trabalhou durante oito anos - nos dois primeiros como terceirizado e, depois, como funcionário do Departamento de Segurança Empresarial. 

Ele era responsável pelo serviço de inteligência e gestor de contratos da Vale com empresas terceirizadas da área, quando foi demitido, em março de 2012.

"Eu tentei conversar, mandei e-mails, nada: eles prometeram que não iam me demitir por justa causa, voltaram atrás, depois disseram que manteriam sigilo sobre o assunto mas chamaram meu novo chefe para dizer que minha presença dificultaria a relação comercial dele com a Vale. Tive que sair, não podia prejudicar o cara. Agora eu não me importo com mais nada: só quero que a verdade apareça", disse logo no primeiro encontro com a Agência Pública, em meados de maio.

Um ano depois de sua demissão - em 18 de março deste ano - André Almeida entrou com uma representação no Ministério Público Federal afirmando que "participava de reuniões, recebia relatórios e era informado formal e informalmente de diversas situações que considero antiéticas, contra as normas internas e/ou ilegais", admitindo que "por pressão sobre o meu emprego, me sujeitei a executá-las".

Na representação, André Almeida e anexou demonstrativos de notas fiscais que descrevem entre os serviços contratados pela Vale à empresa de inteligência Network, do Rio de Janeiro: a infiltração de agentes em movimentos sociais (no Rio, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará e Maranhão); o pagamento de propinas a funcionários públicos (para obter informações de apoio às "investigações internas", na Polícia Federal e em órgãos da Justiça em São Paulo); quebra de sigilo bancário e da Receita (de funcionários, até mesmo diretores), "grampos telefônicos" (entre eles o da jornalista Vera Durão, quando ela trabalhava no jornal Valor Econômico), "dossiês de políticos" (com informações públicas e "outras conseguidas por meios não públicos" sobre políticos e representantes de movimentos sociais).

Recusando o café e a água oferecidos em um bar no aeroporto do Santos Dumont, e atropelando as frases, André contou a história que o levou à Vale depois de 8 anos de Exército, convidado por um colega de CPOR, Ricardo Gruba, depois diretor do departamento de Segurança Empresarial: a central de espionagem da Vale, que emprega cerca de 200 funcionários e utiliza quase 4 mil terceirizados (os números foram fornecidos por André, a Vale não disponibiliza a informação).

Responsabilizou-se pessoalmente pela instalação de grampos nos telefones de dois funcionários, um deles o gerente-geral de imprensa, Fernando Thompson, e revelou a existência de uma série de dossiês contra lideranças sociais como o advogado Danilo Chammas e o padre Dario, da ONG Justiça dos Trilhos, de Açailândia, Maranhão; o premiado jornalista Lúcio Flávio Pinto, crítico aguerrido da atuação da empresa no Pará; Raimundo Gomes Cruz Neto, sociólogo e agrônomo do Centro de Educação, Pesquisa, Assessoria Sindical e Popular (Cepasp), em Marabá (PA); Charles Trocate, líder do MST, e até da presidente Dilma Rousseff, quando ela era ministra das Minas e Energia. 

"Algumas informações como essas sobre a Dilma eram obtidas através de dados públicos, notícias de jornais, redes sociais, mas outras eram levantadas através de espionagem mesmo, incluindo a dos infiltrados", diz André Almeida.

Sobre os demonstrativos de nota fiscal entregues ao MPF, explicou que eles lhe eram passados pela Network para conferência dos serviços a serem pagos, e não apareciam discriminados nas notas fiscais emitidas pelo Departamento de Suprimentos, que ignorava a natureza exata dos serviços prestados. 

"Era minha função receber esses dados e conferir junto aos solicitantes (da Vale), pois, além dos itens fixos, outros eram pedidos diretamente pelos integrantes do Departamento de Segurança Empresarial sem passar pelo meu crivo", explicou. 

Os dados da Network eram comparados aos das planilhas confeccionadas pelos funcionários da Vale que solicitavam os serviços, orientação reforçada por um e-mail de outubro de 2011 do diretor de Segurança Empresarial, Gilberto Ramalho (que substituiu Gruba em 2011), "visando melhor controle sobre a apropriação dos serviços prestados pela Network", que dava as instruções para o preenchimento das planilhas.

"Um exemplo de pedido direto (à Network) foi a infiltração de um agente no movimento Justiça nos Trilhos pelo Gerente Geral de Segurança Norte, Roberto Monteiro", diz, mostrando um demonstrativo de junho de 2011, com o pagamento total de R$ 247.807,74 à Network. 

Ali, na prestação de contas do Escritório Norte (Pará e Maranhão), no item "Rede Açailândia", consta a despesa de R$ 1.635,00 referente ao "recrutamento de colaborador de nível superior, em fase experimental, para atuar junto à Justiça nos Trilhos e outras atividades dos MS (Movimentos Sociais) em Açailândia/Maranhão".
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terça-feira, 10 de setembro de 2013

Agora mexeram com nosso “orgulho nacional”. Afinal, o petróleo é nosso! Já posso até ver os nacionalistas babando de ódio porque a agência de segurança americana (NSA) espionou, segundo documentos vazados (a conta gotas e de forma seletiva) por Greenwald, a nossa querida Petrobras. Confesso que até eu fiquei muito irritado!

Afinal, há muitas dúvidas no ar, e nós, brasileiros, queremos respostas. Os americanos poderiam nos explicar melhor como foi que a Petrobras torrou quase um bilhão de dólares para comprar uma refinaria em Pasadena, no Texas, que não vale quase nada? 

Podem nos dizer como a estatal investiu tantos bilhões, aumentou tanto seu endividamento, mas não consegue fazer a produção crescer?

Sobre o caso da espionagem e a revolta cívica seletiva, meu vizinho virtual Reinaldo Azevedo já disse que deveria ser dito aqui. Pretendo apenas quantificar um pouco a análise qualitativa do jornalista. 

Vamos ver alguns números da Petrobras, para compreender melhor que seu verdadeiro inimigo não são os americanos, mas sim nosso próprio governo, sob o comando do PT.

Em primeiro lugar, vejam quantos bilhões de dólares foram investidos apenas no setor de Exploração & Produção desde que o PT assumiu o poder:

Fonte: Petrobras
Trata-se de uma montanha de recursos! Após tantos bilhões destinados ao setor de exploração e produção, podemos imaginar que o resultado logo apareceu no crescimento de produção, certo? Errado. Estamos falando de uma estatal, ora bolas, e gerida por petistas! Eis, portanto, o resultado da produção total da empresa, em barris de óleo e equivalentes:

Fonte: Petrobras
É um crescimento medíocre, sendo benevolente com a empresa. Mais precisamente 2,3% ao ano desde 2003. A Petrobras alcançou a marca de 2 milhões de barris/dia em agosto de 2008, e em julho de 2013 sua produção era… 2 milhões de barris/dia!

A sensação que fica é a de que toneladas de recursos foram aportadas apenas para o crescimento se manter estável. Bem, sempre pode ser pior. A Venezuela que o diga. A PDVSA torra bilhões de dólares e a produção cai ano após ano! É o efeito do bolivarianismo na empresa.

Se os investimentos têm aumentado tanto e a produção não, então o endividamento deve ter explodido em relação ao valor de mercado da empresa, certo? Exato. É o que podemos verificar abaixo:


O impacto disso tudo pode ser observado quando comparamos o desempenho das ações da Petrobras (PBR) com uma cesta de empresas do mesmo setor (XLE). Toda a euforia com o Brasil, em boa parte fruto do crescimento chinês e do baixo custo de capital nos países desenvolvidos, dissipou-se nos últimos anos:
Fonte: Bloomberg
Explicando melhor: a Petrobras já perdeu 80% de seu valor relativo a essa cesta de empresas do setor desde 2010! Nossa estatal é o “patinho feio” do setor de petróleo no mundo. Os investidores não querem saber dela. Sua destruição de valor para os acionistas – leia-se todos os brasileiros – é assombrosa.

Pergunto: alguém precisa de espiões estrangeiros para destruir a Petrobras? Claro que não! Basta deixar o PT mais alguns anos tomando conta dela. Quem tem amigos como o governo do PT não precisa de inimigos…
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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Satélite antiespionagem deve entrar em órbita em 2016

O governo espera iniciar em outubro a construção do satélite geoestacionário brasileiro, um projeto orçado entre US$ 600 milhões e US$ 660 milhões. 
A iniciativa, que já estava em andamento, ganhou impulso após as denúncias de que as comunicações de dados do Brasil, inclusive as da presidente da República, estariam sendo monitoradas pelos Estados Unidos. Ele deverá entrar em órbita em 2016.
Hoje, o País está numa situação vulnerável. Comunicação de dados, telefonia, sinais de TV paga e até comunicações militares passam pelo satélite da Embratel, empresa que já foi estatal, mas foi privatizada em 1997. Hoje, está nas mãos do empresário mexicano Carlos Slim, dono da operadora Claro.
"Alugamos satélite de uma empresa estrangeira", disse à reportagem o presidente da Telebrás, Caio Bonilha. "Hoje, se tivermos algum problema, não temos controle nenhum sobre ele." Assim, numa situação de guerra, por exemplo, o satélite pode ter sua posição alterada e inviabilizar as comunicações no País.
O governo quer comprar o satélite e a tecnologia. No mês passado, foi escolhido um grupo franco-italiano, o Thales Alenia Space, para fornecer ambos. 
O satélite vai ser construído pela Visiona, que é uma joint venture entre a Telebrás e a Embraer, que futuramente será uma montadora de satélite. A tecnologia ficará com a Agência Espacial Brasileira (AEB), que vai irradiá-la a partir de um polo em São José dos Campos.
Com o novo satélite, pretende também aumentar a segurança das comunicações. Hoje, boa parte dos dados que transitam pelo satélite da Embratel é aberta. Com o novo satélite, os dados passarão pela Telebrás, que vai criptografar tudo antes de enviar para o espaço.
Espião
O equipamento brasileiro também terá dispositivo que desligará terminais não autorizados. Segundo denúncias feitas a partir de documentos divulgados pelo ex-técnico da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, Edward Snowden, informações podem ter sido coletadas nas comunicações por satélite.
Técnicos explicam que não há como "grampear" um satélite, mas um terminal "espião" pode ver tudo o que tenha sito transmitido por outro terminal na mesma área de cobertura e na mesma frequência.
Outro objetivo do satélite brasileiro - que na opinião de Bonilha é o mais importante do ponto de vista social - é levar internet banda larga a todo o País. O equipamento permitirá prover o serviço em áreas onde é difícil chegar com infraestrutura física, como a floresta amazônica.
Ao longo deste ano, a Telebrás implantou uma rede de fibra ótica na Esplanada do Ministério. "A rede está lá, basta instalar os equipamentos e ligar os pontos", disse Bonilha, destacando que o equipamento é 100% nacional. Segundo ele, equipamentos estrangeiros, muitas vezes por imposição da legislação no país de origem, precisam ter um "backdoor", literalmente uma porta dos fundos, pela qual podem ser extraídos dados.
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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Dilma quer fechar empresa que colaborar com espionagem

Presidenta Dilma Rousseff
A presidente Dilma Rousseff quer incluir na legislação brasileira um dispositivo que permita suspender a operação de empresas que cooperarem com esquemas de espionagem internacionais. 

A presidente também encomendou o fortalecimento da rede interna de comunicação do governo, pois hoje muitos de seus auxiliares usam serviços vulneráveis, como o serviço de e-mail do Google, o Gmail

As duas medidas foram discutidas nesta segunda-feira, durante reunião de Dilma com os ministros diretamente envolvidos no caso das suspeitas de espionagem dos Estados Unidos. 

"Pode ser banco, empresa de telefonia", disse o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, ao jornal O Estado de S. Paulo, sobre a suspensão de operações de empresas. "Se cooperarem com esses esquemas, terão a licença de operação aqui no Brasil cancelada."

O dispositivo deverá ser incluído no marco civil da internet, em discussão no Congresso, ou no projeto de lei de segurança de dados pessoais, que está em elaboração pelo governo. Dilma pediu a Bernardo e ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para rever os textos e incluir modificações.

Além da possibilidade de punição às empresas, ela quer obrigar sites estrangeiros, como o Facebook e outros, a armazenarem dados de brasileiros no Brasil. Hoje, eles ficam guardados nos EUA. Isso deverá constar do novo marco da internet.

Intranet - A denúncia que as comunicações de Dilma e seus principais assessores estariam sendo monitoradas levou a presidente a pedir o fortalecimento da rede de comunicação do governo.

"Vamos ter de construir uma intranet em áreas sensíveis", disse Bernardo. Além da Presidência, ele citou os ministérios da Defesa, Relações Exteriores e Advocacia-Geral da União. 

Hoje, os e-mails de Dilma são criptografados, assim como seus telefones. Porém, não é raro que ela utilize aparelhos não criptografados para se comunicar com os seus ministros.

Na equipe de governo, nem toda troca de correspondência se dá de forma segura. "Tem gente que manda e-mail pelo Gmail, com cópia para o Obama", disse Bernardo. A ideia é estabelecer protocolos mais seguros.

(Com Estadão Conteúdo)
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Indignada, Dilma cogita cancelar ida aos EUA se Obama não se justificar

Indignada, Dilma Rousseff cogita a possibilidade de cancelar a viagem oficial aos Estados Unidos programada para outubro caso o presidente Barack Obama não dê "respostas satisfatórias" sobre as ações de espionagem da NSA (Agência de Segurança Nacional) que teriam atingido a presidente brasileira.

Dilma está não só "indignada", mas também "muito irritada", segundo assessores da área diplomática, porque sente-se "enganada" pelo governo norte-americano.

Afinal, quando surgiram as primeiras notícias sobre espionagem da agência americana no Brasil, os Estados Unidos garantiram que a atuação da NSA estava circunscrita a operações de "metadados", com cruzamentos de informações que seriam inclusive de interesse do governo brasileiro.

Ainda não há uma decisão final sobre a possibilidade de cancelamento da viagem de Estado, e o Palácio do Planalto espera que o presidente Obama explique de forma cabal e tome as medidas necessárias para contornar o "grande mal-estar" que foi gerado pela informação de que a presidente Dilma foi alvo direto da espionagem feita pela NSA, conforme reportagem do programa "Fantástico".

Oficialmente, o Palácio do Planalto informa que "esta possibilidade [cancelamento da viagem] não está na mesa" e não está em análise.

A Folha obteve a informação com três assessores do governo. Segundo eles, sem uma resposta de Obama, Dilma não teria como viajar aos Estados Unidos e ficar "tirando foto" ao lado do americano.

De acordo com eles, seria o mesmo que o Brasil dizer, mundialmente, que não se importa em ser espionado.

No governo brasileiro, a informação de que Dilma foi alvo da espionagem é considerado o "episódio mais grave" desde o início do vazamento de documentos secretos envolvendo a ação da NSA.

O Palácio do Planalto espera não ser obrigado a cancelar a viagem, prevista para o dia 23 de outubro, pois isso representaria uma crise diplomática. A expectativa é que a pressão brasileira sobre Obama dê resultado e o caso seja superado.

uol
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Dilma recebe ministros após denúncia de que teria sido espionada

A presidente Dilma Rousseff reuniu-se com parte de seu ministeriado na manhã desta segunda-feira (2). O encontro, que terminou por volta do meio-dia, ocorreu horas após a denúncia de que a Dilma teria sido espionada pelos EUA

Ontem, reportagem exibida pelo "Fantástico", da TV Globo, afirmou que a presidente e seus assessores foram alvos de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA).

Reuniram-se com a presidente os ministros Paulo Bernardo (Comunicações), Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência da República), José Eduardo Cardozo (Justiça), Celso Amorim (Defesa) e Luiz Alberto Figueiredo. Nem a presidente nem os ministros falaram com a imprensa ao deixar o Palácio do Planalto.

O jornalista Glenn Greenwald, que mora no Rio de Janeiro, apresentou ao "Fantástico" um documento indicando que era objetivo da NSA "entender melhor" a comunicação da presidente com sua equipe.

Ao tomar conhecimento da denúncia, o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, disse à TV que a espionagem é um fato "gravíssimo" e afirmou que, se confirmada, terá sido uma "clara violação à soberania" brasileira.

Os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo e Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, concederão entrevista coletiva às 16h no Palácio do Itamaraty para tratar do assunto. 

Mais cedo, Figueiredo reuniu-se com o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon. A reunião durou cerca de meia hora, mas nenhum dos dois falou com a imprensa após o encontro.

Espionagem no Brasil

No começo de julho, o jornal "O Globo" revelou que o Brasil já vinha sendo espionado pelos americanos. A reportagem do jornal foi baseada em documentos do ex-consultor da NSA Edward Snowden.

Segundo o jornal, que teve acesso aos documentos revelados por Snowden, os serviços de inteligência dos Estados Unidos interceptaram milhões de e-mails e chamadas telefônicas no Brasil.

À época, o governo brasileiro classificou de "extremamente grave" a denúncia. "O que vimos é suficiente para que consideremos grave esta denúncia de espionagem. Haverá uma reação do governo brasileiro bilateralmente com pedido de esclarecimento", disse Tovar Nunes, porta-voz do Itamaraty.

Após a denúncia do jornal, o então ministro Antonio Patriota, das Relações Exteriores, chegou a ir ao Congresso Nacional prestar esclarecimentos.

Em audiência no Senado, Patriota disse que, se ficasse confirmado que havia escutas do governo americano em postos diplomáticos do Brasil, isso seria "inaceitável" e configuraria "flagrante violação" de sigilo.

Já o ministro da Defesa, Celso Amorim, disse que o país se encontra vulnerável: "a situação que a gente se encontra hoje é de vulnerabilidade. Por mais que tenhamos proteção de informação sigilosa, a mera detecção de quem se comunica com quem, com que frequência, o tipo de contato que é mantido é uma informação de valor analítico para qualquer adversário que nós venhamos a ter fora do país".

Também presente à sessão do Senado em julho, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, José Elito Carvalho Siqueira, explicou que o sistema de segurança do país é bastante confiável, mas que a tecnologia do Brasil precisaria "alçar voos mais altos para atingir uma excelência".

uol
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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Exército monitorou líderes de atos pelas redes sociais.

General José Carlos dos Santos
O Exército brasileiro monitorou com lupa as manifestações que tomaram as ruas do país em junho, inclusive com uma técnica de espionagem semelhante à utilizada pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), organismo sob suspeita de violação de dados sigilosos no Brasil. 

Um software de fabricação nacional, em uso pelo Centro de Defesa Cibernética do Exército, filtrou informações postadas nas redes sociais e serviu para identificar os manifestantes que assumiram a linha de comando dos protestos.

Os dados produzidos foram enviados à Polícia Federal e às Secretarias de Segurança Pública nos estados onde ocorriam as manifestações. As informações foram repassadas ao GLOBO pelo chefe do Centro de Defesa Cibernética, general José Carlos dos Santos.

Segundo o general, o monitoramento feito pelo Exército é legal. Esse acompanhamento é necessário por envolver questões de segurança nacional, o que legitima e justifica essa ação, avalia ele. 

O militar informou que a parceria com a Polícia Federal também tem legitimidade até porque as Forças Armadas não atuam na ponta, o que é função da polícia.

O centro funciona no quartel-general do Exército, em Brasília. Da central de monitoração cibernética, Santos comandou um grupo de 50 militares responsáveis por identificar eventuais líderes das manifestações, pontos de potencial conflito e organização de atos de vandalismo. Agentes e delegados da PF atuaram em conjunto com o Exército. 

Outros 24 militares - quatro em cada uma das seis sedes da Copa das Confederações - participaram do monitoramento dos protestos. Novas manifestações poderão ser acompanhadas pelo Centro de Defesa Cibernética e pelo setor de inteligência do Exército.

Os protestos de junho, em especial os realizados nos dias de jogo na Copa das Confederações, foram marcados pela violência das polícias militares, que evitaram a aproximação dos manifestantes dos estádios. 

Agora, sabe-se que filtros produzidos pelo Exército, com identificação de eventuais líderes, municiaram a ação dos policiais. O software utilizado foi fabricado pela Dígitro, empresa de Florianópolis que vende a ferramenta a órgãos de segurança pública em geral, segundo o general.

- A adaptação do software para esse tipo de monitoração depende do usuário. Ele foi customizado para esse evento - disse o general.

Santos afirmou que o monitoramento e a filtragem de dados das redes sociais pararam com o fim da Copa das Confederações. Segundo ele, em nenhum momento o Exército filtrou dados que não fossem informações públicas, divulgadas nas redes sociais pelos ativistas:

- Essa foi a nossa presença nessa imensa praça cibernética. Com filtros, consegue-se focalizar o que interessa. É uma técnica de filtragem que a própria espionagem deve utilizar racionalmente. Os americanos monitoram 2,3 bilhões de e-mails e telefonemas. 

Se não houver essa técnica, não é possível gerar inteligência sobre isso. O próprio embaixador americano (no Brasil), Thomas Shannon, indica que essa é a técnica utilizada pela NSA. É um processo semelhante. A grande diferença é que nós nos baseamos só em informações de domínio público.

Conjuntos de frases e palavras publicadas nas redes sociais foram pinçados:

- Tudo que estava relacionado à segurança pública era mapeado. Era difícil precisar de onde estava partindo a coordenação. Quando era possível, informávamos aos órgãos de segurança.

O Centro de Defesa Cibernética já monitora as movimentações para a Jornada Mundial da Juventude, no Rio. Na Copa das Confederações, o Exército forneceu informações "em tempo real" sobre produtos explosivos a serem usados nas manifestações. 

Fábricas clandestinas de explosivos foram interditadas, segundo o general. O mesmo monitoramento está previsto para a Copa do Mundo em 2014.

O Globo
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86 deputados federais são favoráveis à espionagem dos EUA contra o Brasil

Seria cômico, caso não fosse trágico. Porém é mesmo verdade. Oitenta e seis (86) deputados federais votaram contra a moção de repúdio à espionagem estadunidense de cidadãos, empresas e instituições brasileiras, apresentada pelo deputado José Guimarães (PT). 

As principais lideranças tucanas na Câmara se abstiveram na votação.

Os votos contrários à moção foram registrados por deputados dos partidos considerados “de direita”, pertencentes as bancadas evangélica e ruralista como aponta o mapeamento da votação realizado pela revista Diálogos do Sul.

Em números percentuais os partidos que mais favoráveis à continuidade das ações de espionagem dos Estados Unidos contra o Brasil foram o DEM – 20 dos 23 deputados, o PSD – também 20 dos 32 deputados, o PP – 17 dos 24 deputados e o PSC – 8 de 10 deputados. 

Merece registro que 14 deputados do PMDB votaram contra a moção, o que representa cerca de 20% da bancada do partido na Câmara dos Deputados.

Finalmente merece registro que expressivas lideranças do PSDB, tais como Mendes Thame, Duarte Nogueira, Eduardo Azeredo, Antonio Imbassahi, Jutahi Junior e Nelson Marchezan Júnior votaram pela abstenção. 

Tal fato reforça as denúncias de que desde o Governo FHC empresas e o próprio governo brasileiro colaboram com as autoridades e práticas imperialistas dos Estados Unidos. Confira abaixo o texto da

MOÇÃO DE REPÚDIO

Nós, parlamentares da Câmara dos Deputados da República Federativa do Brasil, MANIFESTAMOS:

O nosso repúdio à espionagem e o monitoramento de bilhões de e-mails, telefonemas e dados de empresas e cidadãos brasileiros, bem como do governo do Brasil, supostamente realizados por agências de inteligência dos Estados Unidos da América, que violam direitos de empresas e cidadãos brasileiros e atentam contra a soberania nacional.

Ao mesmo tempo, externamos o nosso apoio às iniciativas do Estado brasileiro, que pretende levar este grave caso à consideração da Organização das Nações Unidas (ONU) e da União Internacional das Telecomunicações (UIT).

Declaramos, ademais, nossa concordância com as iniciativas destinadas a criar uma agência multilateral, no âmbito do sistema das Nações Unidas, para gerir e regulamentar a rede mundial de computadores, poderoso instrumento de uso compartilhado da humanidade.

Por último, externamos a nossa apreensão com a segurança do cidadão estadunidense Edward Snowden, que está refugiado, há dias, no aeroporto de Moscou.

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sábado, 13 de julho de 2013

Microsoft ajudou NSA a acessar mensagens criptografadas, diz jornal britânico The Guardian.

Edward Snowden, em foto divulgada
pelo jornal The Guardian
A Microsoft colaborou estreitamente com os serviços de inteligência dos EUA para permitir que mensagens dos seus usuários fossem interceptadas, ajudando a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) a burlar a criptografia da própria empresa. 

A informação foi revelada na quinta-feira pelo jornal inglês The Guardian, que obteve documentos secretos com o ex-técnico da CIA Edward Snowden.

A Microsoft negou as acusações. "Para que fique claro, a Microsoft não fornece a qualquer governo acesso geral ou direto ao SkyDrive, Outlook.com, Skype ou qualquer outro produto", afirmou a companhia em nota publicada em seu site.

Os arquivos, segundo o The Guardian, ilustram a escala de cooperação entre o Vale do Silício e as agências de inteligência nos últimos três anos. 

Eles também lançam uma nova luz sobre o funcionamento do programa secreto de monitoramento da NSA, o Prism, que foi divulgada pelo The Guardian e pelo The Washington Post no mês passado.

Segundo os documentos vazados por Snowden no mês passado, a NSA teria acesso a uma enorme quantidade de dados provenientes de conversas individuais de usuários de internet e telefonia. 

O vazamento também revelou que o programa Prisma permitia espionar os servidores de nove das maiores empresas de tecnologia, incluindo Microsoft, Yahoo, Google, Facebook, PalTalk, AOL, Skype, YouTube e Apple.

Os documentos revelados nesta quinta-feira mostram que a Microsoft ajudou a NSA a contornar sua criptografia, como uma resposta às preocupações de que a agência seria incapaz de interceptar conversas no novo serviço de e-mail da empresa, o Outlook.com. 

A empresa também teria trabalhado com o FBI este ano para permitir que a NSA tivesse acesso fácil ao seu serviço de armazenamento em nuvem SkyDrive.

Além disso, os documentos mostram que o Skype, que foi comprada pela Microsoft em outubro de 2011, trabalhou com as agências de inteligência do ano passado para permitir que o Prism coletasse vídeo e áudio de conversas.

"Temos princípios claros que orientam a resposta em toda a nossa empresa às exigências do governo por informação do cliente, tanto para a aplicação da lei quanto para as questões de segurança nacional", escreveu em nota a Microsoft ao The Guardian. 

"Levamos em conta os compromissos com nossos clientes e o cumprimento da legislação aplicável muito a sério, por isso, fornecemos dados de clientes somente em resposta a processos legais", continua o texto.
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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Microsoft, Facebook e Apple são processadas por ajudar EUA

As empresas de tecnologia Facebook, Apple, Microsoft, Skype e Yahoo! são alvo de ações judiciais na Europa por participarem do Prism, o programa de monitoramento do governo dos Estados Unidos.

Nesta quarta-feira (26), membros do grupo de defesa pela privacidade on-line “Europeu versus Facebook” acionaram as subsidiárias das empresas na Justiça de três países.

Apesar de inicialmente terem negado a existência do Prism, mas reconheceram que são obrigadas, por lei, a concederem informações ao governo dos EUA. 

Microsoft e Facebook revelaram detalhes dos pedidos. A primeira disse que as exigências atingiram entre 31 mil e 32 mil contas de usuários e a segunda, entre 18 mil e 19 mil.

Na Irlanda, a ação foi aberta contra o Facebook e a Apple. Em Luxembro, os alvos foram a Microsoft e o Skype. Na Alemanha, o Yahoo!. Os países foram escolhidos porque são neles que as subsidiárias das companhias americanas estão instaladas. A acusação é de que as empresas infringiram as leis da União Europeia de proteção de dados pessoais.

Alguns países do continente também possuem leis nacionais. É o caso da Irlanda, Alemanha e Luxemburgo são alguns deles. Por isso, os processos também acusam as empresas de infringir as leis nacionais dos países em que estão instalados.

A lei europeia só permite o envio de informações pessoais de europeus para qualquer país fora do bloco se a empresa garantir “adequado nível de proteção” no país destinatário.

Segundo o grupo, após a revelação da existência do Prism, dificilmente se pode sustentar que as subsidiárias europeias mantiveram esse “adequado nível de proteção” ao enviar os dados às suas sedes nos EUA.

“Nós queremos um posicionamento claro das autoridades se uma companhia europeia pode simplesmente dar a agências de inteligência estrangeiras acessos aos dados pessoais de seus consumidores”, escreveu o grupo em seu site.

O grupo pretende ainda acionar na Justiça Google e YouTube, as outras duas empresas que participaram do programa. Isso ainda não foi feito porque as empresas não trabalham com intermediárias europeias.

“Mas desde que o Google possui data centers na Irlanda, Bélgica e Finlândia nós podemos tomar medidas similares, mas em um caminho levemente diferente”, afirma o grupo.

Em visita à Alemanha, o presidente dos EUA Barack Obama disse que o objetivo dos espiões americanos não era investigar os correios eletrônicos dos cidadãos americanos e europeus.
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quarta-feira, 1 de maio de 2013

RIOT, o novo espião social da internet

O caráter político do aparato sobressai já no nome: ele chama-se RIOT -- revolta, motim, ou manifestação, em inglês. Trata-se de um software com enorme capacidade de obter informações sobre pessoas; identificar seus atos e comportamentos; prever suas ações futuras. 

Desenvolvido pela Raytheon, a quinta maior empresa privada de serviços militares do mundo, colhe e cruza informações a partir das redes sociais -- em especial Facebook, Twitter, Instagram e Fourquare. 

Segundo seus criadores, é capaz de analisar "trilhões de entidades" -- indivíduos, grupos, comunidades, organizações -- no ciberespaço. Foi apresentado em abril de 2012 ao governo norte-americano, numa conferência nacional sobre "inovações secretas e reservadas". 

É um dos sinais de que a internet permanece como um espaço em permanente disputa. Ela multiplica a potência das ações libertadoras, antiautoritárias e pós-capitalistas; mas pode ser utilizada para estabelecer controle social opressivo e high-tech.

A existência do RIOT -- acrôniomo de Rapid Information Overlay Technology, ou "tecnologia de informação rápida sobreposta" -- foi tornada pública em 10 de fevereiro (domingo de Carnaval), graças ao jornalista free-lancer Ryan Gallagher, que mantém um blog sobre cibervigilância. 

Ele teve acesso a um vídeo (veja abaixo - em ingles) de apresentação do sistema e publicou, no The Guardian londrino, matéria a respeito. As revelações são chocantes.


A tela de abertura do programa é semelhante à do Google. Ao digitar na janela de buscas o nome de uma pessoa -- no exemplo do vídeo, Nick, um funcionário da Raytheon -- chega-se rapidamente a um panorama de sua vida.

Com alguns cliques, obtém-se listas de seus amigos, relações de sites e redes sociais que utiliza, notícias sobre suas ações nestes espaços. Com auxílio do Facebook e do Foursquare, passa-se a dados físicos: por exemplo, os dez lugares que cada indivíduo visita mais frequentemente, inclusive com latitude e longitude exatas.

E torna-se possível prever as ações futuras da pessoa vigiada. É o próprio locutor do vídeo quem afirma: "Agora, vamos tentar prever o Nick ele fará no futuro". Como o funcionário da Raytheon, vai regularmente a uma academia às 6 da manhã, uma vez por semana (e registra tudo no Foursquare...), "se alguma vez você quiser tentar agarrá-lo, ou talvez agarrar seu laptop, basta encontrá-lo na academia às 6".

O RIOT não é uma novidade absoluta. As agências de espionagem, conta Ryan Gallagher, têm agido rapidamente para monitorar de modo cada vez mais invasivo a internet. Em fevereiro de 2012, o FBI lançou um "pedido de informações", dirigido à indústria de novas tecnologias, solicitando precisamente sistemas para monitorar cidadãos nas redes sociais. 

Em outubro último, o próprio Ryan Gallagher revelou o amplo esforço das agências de inteligência britânicas por estabelecer as mesmas formas de vigilância.

Mas, por ser muito mais que um simples projeto, o RIOT parece ter demonstrado materialmente que a ameaça é real e profundamente perturbadora. As reações já começaram. 

Nos EUA, Ginger McCall, advogado e ativista da organização Centro de Informação para Privacidade Eletrônica, advertiu que as redes sociais não são transparentes sobre que informações são compartilhadas e por quem. "Os usuários postam informações pensando que serão vistas apenas por seus amigos, mas elas podem estar sendo monitoradas por agentes do Estado".

Já James Ball, um jornalista que trabalha para o Wikileaks e colabora com o Guardian, escreveu, neste mesmo jornal, artigo em que sugere: as sociedades precisam -- e podem -- lutar até estabelecer restrições legais a este tipo de espionagem. 

Ele sustenta: "a vigilância está se tornando mais barata e mais fácil a cada dia, o que torna irresistível fazer uso dela -- para quem tem boas ou más intenções". E conclui: "sem salvaguardas, a mudança de cultura será irreversível. Deixar de lutar por elas será submissão"

Fonte: NovaE
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