BRASÍLIA - No dia em que o Poder Executivo divulgou decreto que
regulamenta a Lei de Acesso à Informação e determina a publicação dos salários
de servidores, Legislativo e Judiciário ainda não decidiram o que fazer. Nesta
quinta-feira, os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), da Câmara, Marco
Maia (PT-RS), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto,
anunciaram que vão aguardar a execução da medida pelo governo, antes de
anunciar se seguirão pelo mesmo caminho. Mas o assunto é polêmico e pode levar
a uma batalha nos tribunais para manter os vencimentos sob sigilo.
O regulamento da lei para o governo federal, publicado em edição
extraordinária do Diário Oficial da União (DOU), determina que todos
os rendimentos de servidores da ativa, desde o salário-base até o conhecido
jeton pago a membros de conselhos de estatais, sejam publicados. A regra diz
que serão públicos os ganhos de “ocupantes de cargo, posto, graduação, função e
emprego público, incluindo auxílios, ajudas de custo, jetons e quaisquer outras
vantagens pecuniárias, como proventos de aposentadorias e pensões daqueles que
estiverem na ativa, de maneira individualizada”.
Mas a publicação dos salários no Executivo só deve ocorrer, no mínimo, a
partir da semana que vem, quando o Ministério do Planejamento finalizar o texto
de orientação aos demais órgãos públicos sobre como o valor deve ser divulgado.
Os dados ainda serão extraídos do sistema que roda os salários para publicação
no Portal da Transparência. O Executivo tem 934 mil servidores da ativa, dos
quais 567 mil são civis. Nos três Poderes, o teto do funcionalismo é de R$
26.700, mas um grupo de servidores no Legislativo e no Judiciário recebe
salários maiores, amparados em decisões judiciais. No Executivo, existe um
mecanismo automático para travar os salários que furam o teto.
No Judiciário e no Legislativo, entretanto, a polêmica está garantida e
dirigentes dos dois Poderes já declararam que a publicação de salário pode
ferir a intimidade dos servidores. A própria assessoria de imprensa do Superior
Tribunal de Justiça (STJ) informou ao GLOBO na quarta-feira que o tema
suscitará debates dos tribunais e que a publicação de salários pode até mesmo
comprometer a segurança pessoal de funcionários públicos. No Senado, a direção
compreende que há amparo legal para a não divulgação de salários, mas,
oficialmente, a versão é que a Casa deve esperar a aplicação da regra pelo
Executivo para tomar sua própria decisão.
“O Senado Federal vai esperar pela publicação do ato do Ministério do
Planejamento para então convocar a Mesa Diretora e se pronunciar
definitivamente sobre o tema, à luz da legislação vigente”.
O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), é outro que levanta
a dúvida jurídica:
— É uma discussão extremamente técnica. É necessário olhar todos os
aspectos jurídicos. Uma coisa é divulgar os salários dos comissionados, outra é
(divulgar os) dos funcionários de carreira — disse Maia à Agência Câmara.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto, defendeu a
publicidade dos salários dos servidores do Judiciário. Ele não especificou se a
divulgação das remunerações que ele defende atingiria também ministros,
desembargadores e juízes. Ayres Britto ressaltou que se trata de uma posição
pessoal e que o assunto será discutido com os demais ministros da Corte.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, também comentou a
polêmica, e preferiu a cautela. Para Gurgel, apesar da letra da lei ser
explícita sobre a transparência ampla e irrestrita, a questão dos salários não
está pacificada.
— A vigência da lei é recentíssima e isso tem que ser, enfim,
devidamente analisado. Em princípio, o que a lei pretende é a transparência
mais ampla, irrestrita, mas no caso específico é preciso examinar — afirmou
Gurgel.
No entendimento do controlador-geral da União, Jorge Hage, a publicação
dos rendimentos é legítima e não afeta a intimidade dos servidores. Ele explica
que detalhes do contracheque, como dívidas com desconto em folha e outros
encargos, não serão divulgados. Portanto, os dados confidenciais estariam
preservados.
A publicação do salário entra no rol das chamadas ações de
transparência, em que cada órgão indica espontaneamente uma série de
informações, como despesas, licitações, contratos, convênios e perguntas
frequentes.
O professor de Direito Público da UnB Mamede Said diz que o sigilo é a
exceção. Ele lembra que deve prevalecer o princípio da publicidade, salvo em
situações que envolvam a segurança da sociedade e do Estado — o que não é o
caso do salário dos funcionários públicos. Para ele, seria importante divulgar
uma lista de cargos e vantagens, e outra com todos os funcionários e seus
cargos, funções ou benefícios para efeito de cruzamento.
— Não tem que exigir ato sigiloso, ato secreto. Isso é coisa
absolutamente excepcional — defendeu Said.
Fonte: O Globo
Na opinião da Vereadora Dra. Edileuza, a Lei de Acesso a Informação, em vigor desde o dia 16, é clara, dispensando ilações ou elucubrações a respeito de sua aplicabilidade. Louvável e elogiável a decisão da Presidenta DILMA em determinar o cumprimento imediato da lei, no Executivo Federal. O patrão (cidadãos e cidadãs) têm o direito de saber como está sendo usado o seu dinheiro. Asseverou a Vereadora.

2 comentários:
Dou minha cara a tapa se a prefeitura e câmara de Tucuruí cumprir a lei! Coloco meu pescoço na guilhotina se o Ministério Público se movimentar e a Justiça em Tucuruí mandar o prefeito e o presidente da câmara cumprirem a lei e eles obedecerem!!
Dou minha cara a tapa se a prefeitura e câmara de Tucuruí cumprirem a lei! Coloco meu pescoço na guilhotina se o Ministério Público se movimentar e a Justiça em Tucuruí mandar o prefeito e o presidente da câmara cumprirem a lei e eles obedecerem!! Mergulho de cabeça no vertedouro da barragem se a Polícia Federal aparecer em Tucuruí e apreender computadores da prefeitura e câmara municipal!!! Oba!!!!, vou viver muitos anos!!!!
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