domingo, 28 de abril de 2013

Leitor de sonhos: ele visita o seu cérebro enquanto você dorme

Nova tecnologia consegue "ler" o conteúdo dos sonhos das pessoas. Dentro em breve não estaremos a sós e a salvo nem quando dormimos. Cientistas japoneses inventaram técnica de visualização das imagens que aparecem nos nossos sonhos.

Parece um sonho (ou não será, mais propriamente, um pesadelo?) diretamente saído dos filmes da série Matrix, mas existe de fato: trata-se de um dispositivo capaz de compreender, com um bom grau de exatidão, com o que estamos sonhando. 

O aparato foi criado por pesquisadores da Universidade de Kyoto, no Japão. Baseado numa máquina de ressonância magnética funcional (fMRI), um algoritmo matemático e milhares de imagens coletadas na web, o modelo experimental desse aparelho conseguiu compreender um grande número de padrões de ativação cerebral de três voluntários adormecidos e adivinhou, em 60% dos casos, o conteúdo dos sonhos deles.

O estudo foi publicado na prestigiosa revista Science, e se baseia em algo que se conhece há bastante tempo: nosso cérebro segue padrões de ativação previsíveis quando reage a diversos estímulos visuais. 

Um algoritmo capaz de memorizar esses esquemas pode aprender a associar cada modelo de ativação a uma classe precisa de imagens.

Cada um dos três participantes envolvidos na pesquisa dormiu no interior de uma máquina para ressonância magnética funcional durante períodos de 3 horas, no giro de 10 dias. 

Um eletroencefalograma (EEG) monitorava, enquanto isso, os níveis de atividade cerebral dos voluntários, revelando aos pesquisadores em qual fase do sono eles se encontravam. Os sonhos mais longos e complexos acontecem geralmente durante a fase chamada REM, um momento do sono que tem início várias horas depois do adormecimento. Mas já durante a fase 1 do sono não-REM, que começa poucos minutos depois que a pessoa fecha os olhos, estamos sujeitos a ter rápidas e esporádicas alucinações.

São exatamente essas alucinações o alvo primordial dos pesquisadores: cada voluntário adormeceu enquanto o o fMRI media os fluxos de sangue no seu cérebro; assim que o eletroencefalograma confirmava que o voluntários estava na fase 1 não-REM, os pesquisadores o despertavam e perguntavam com o que estava sonhando. Essa operação foi repetida cerca de 200 vezes para cada pessoa.

A esse ponto, os cientistas tomaram nota das 20 classes mais comuns de objetos sonhadas por cada um deles (por exemplo: "cartas", "edifícios", "pessoas") e buscaram online imagens o mais parecidas possíveis às descritas pelos "sonhadores". 

A seguir, mostraram as fotos aos voluntários submetidos ao fMRI, mas desta vez despertos, confrontando os padrões de ativação cerebral registrados com aqueles surgidos enquanto o voluntário estava sonhando. 

Essa operação possibilitou isolar os modelos de ativação relativos a uma classe específica de objetos (por exemplo, "edifícios") independentemente do fato de que o voluntário estivesse olhando para ele ou sonhando.

Todos esses dados foram inseridos em um software para a análise dos dados que, quando os voluntários adormecidos retornaram ao fMRI, foram capazes de elaborar vídeos como o que mostramos a seguir, e prever com o que o voluntário estava sonhando (as palavras que de vez em quando aumentam de tamanho no quadro abaixo) com base no padrão de ativação cerebral obtido.

O algoritmo conseguiu adivinhar corretamente em 60% por casos, uma porcentagem muito significativa. Em particular, ele demonstrou ser mais hábil para distinguir o tipo de sonho (por exemplo, uma cena, ou uma pessoa) do que um objeto específico do sonho (uma casa, uma rua). A pesquisa pode lançar as bases para uma análise científica de sonhos mais profundos, como aqueles que surgem durante a fase REM.

Video 1:

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Por: Equipe Oásis

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