quinta-feira, 23 de maio de 2013

Após derrota na MP dos Portos, Eduardo Cunha se vinga na Petrobras e abre crise no PMDB

Eduardo Cunha permanece na
liderança do PMDB na Câmara,
após disputa acirrada com
Sandro Mabel
O Palácio do Planalto foi surpreendido, na manhã desta quinta-feira, pela informação de que o líder da base aliada na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ) apoiou a CPI da Petrobras. 

O deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG) conseguiu reunir 199 assinaturas, todas conferidas. Eram necessárias apenas 171 manifestações de apoio. 

Autor do requerimento, Quintão articulou de forma discreta nas últimas semanas e ganhou o apoio de deputados do PP e do PR, além das bancadas de oposição. 

Quintão era cotado para assumir o Ministério da Agricultura, mas foi vetado pelo PT de Minas Gerais. 

O Planalto tem certeza que Eduardo Cunha ajudou a consolidar essa derrota do governo, após ser derrotado na reforma dos Portos.

Presidenta da Petrobras, Graça Foster participou, na véspera, de audiência pública na Câmara dos Deputados para falar sobre o desempenho da companhia e prestar esclarecimentos sobre a aquisição da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). O negócio causou um prejuízo de US$ 1 bilhão na gestão de Sergio Gabrielli. 

Ela reafirmou que a compra da refinaria norte-americana seguiu orientações positivas à época, em 2006, e que as perdas provenientes do negócio foram provocadas, principalmente, pela crise financeira mundial ocorrida em 2009. Foster admitiu que, se fosse hoje, a empresa não repetiria a operação.

– O prejuízo em Pasadena decorreu dessas perdas de margens do refinador. Quando olho para trás, (com base) no que estamos construindo no Brasil, fica mais fácil dizer que não faria. Esse é um ponto que precisa ser colocado. Quando se tem no retrovisor tudo de bom e tudo de ruim, é fácil dizer que não faria. Mas não faz sentido dizer que faria Pasadena hoje – disse.

Antevendo que a derrota de Cunha não custaria pouco para o governo, no início desta semana a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, disse que o governo tem se esforçado para manter um bom entendimento com senadores e deputados aliados.

– Nós continuamos fazendo tudo que está em nosso alcance para manter boa relação com a base aliada – disse a ministra.

Ideli esteve reunida com líderes da base e fez um apelo pela votação de novas medidas provisórias prioritárias para o governo e que perdem validade no início de junho.

Apoio de Cabral

Indicado para a liderança do PMDB na Câmara pela facção do partido controlada por Sérgio Cabral Filho, que ocupa o governo do Estado do Rio de Janeiro, Cunha tem servido como uma alavanca contra a candidatura do senador Lindbergh Faria (PT-RJ) ao Palácio Guanabara. 

Cabral, por mais de uma vez, advertiu que não suportaria uma outra candidatura na base aliada que não fosse a do seu vice-governador, Luiz Fernando Pezão.

Pezão, no entanto, não conseguiu ainda fazer com que o seu nome decole junto ao eleitorado e, segundo as pesquisas, seria a terceira força eleitoral no Estado, derrotado pelas candidaturas do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) e Faria. Sem conseguir alçar voo, Pezão consolida o afastamento do PT no Estado, em favor de seu candidato.

Trechos de conversa entre Cabral e o vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, vazados para um diário conservador carioca nesta quinta-feira, dão conta da dimensão da crise que se desenvolve nos bastidores da política fluminense. 

Cabral e Temer jantaram juntos na terça-feira. Estava prevista a presença da presidenta Dilma Rousseff no encontro, mas ela cancelou o compromisso pouco antes.

Cabral deixa claro, na conversa, que poderá apoiar o senador Aécio Neves (PSDB-MG) em 2014.

– Não é bem assim que a gente não tenha alternativa. Eu tenho relação com várias pessoas no mundo político. O nome do meu filho é Marco Antônio Neves Cabral – disse o governador. 

Marco Antônio é fruto do primeiro casamento de Cabral com Suzana Neves, parente de Aécio. Cabral, na realidade, foi lançado na política na legenda do PSDB, levado ao partido por Aécio e sustentado por Marcello Alencar, então governador do Estado na época.

Temer teria relatado a conversa à presidenta, que reagiu com surpresa, pois considerava Cabral um de seus principais aliados no país. Lindbergh, por sua vez, já deixou claro que o PT não abrirá mão da candidatura no Rio. 

Outro ponto de ruptura na aliança entre o Planalto e o PMDB do Rio é a conduta do líder do partido, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aliado de Cabral, que teria apoiado a CPI da Petrobras, depois de levar aos estertores a luta contra a MP dos Portos aprovada pelo governo.

Correio do Brasil - na íntegra

Nenhum comentário: