quarta-feira, 8 de maio de 2013

Guantánamo: O suficiente para enojar

Prisioneiros em Guantánamo
As autoridades da Baía de Guantánamo afirmam que os prisioneiros têm uma escolha. Eles podem comer ou, caso recusem, um tubo lubrificado através do qual eles serão alimentados será inserido por seus narizes, passará por suas gargantas e chegará aos seus estômagos.

Isso pode causar sufocamento e sangramento em uma pessoa disposta a realizar o procedimento e pode ser muito menos agradável quando feito contra a vontade do paciente. 

Tudo leva duas horas, durante as quais o prisioneiro que não está disposto a cooperar tem que ter os seus movimentos restritos para que o tubo não seja retirado. 

Advogados dos cerca de 23 homens que estão sendo submetidos a esse tratamento afirmam que o procedimento tem sido deliberadamente realizado de maneira grosseira com o uso de tubos não esterilizados que são grandes demais, afirmações que são negadas. 

Mas, ainda que sejam falsas, tal procedimento claramente viola os direitos individuais; de acordo com o presidente da Associação Médica Americana, ele também viola os “valores éticos nucleares da medicina”.

Cerca de 100 dos 166 detentos que ainda estão em Guantánamo estão em greve de fome, e médicos extras foram convocados nessa semana para ajudar nos esforços do que a administração se recusa a chamar de alimentação forçada. Independentemente do que tenham feito, isso é errado.

A revista Economist condena Guantánamo como algo injusto, tolo e contrário aos princípios norte-americanos há uma década. A imagem de prisioneiros sem acesso a um julgamento justo ou a uma eventual libertação é orwelliana.

Nada maculou mais a imagem dos EUA no mundo moderno. Os prisioneiros deveriam ser julgados ou libertados, assim como suspeitos de terrorismo em qualquer outro país civilizado.

Os EUA se encontram em um buraco. A última resposta dos covardes e irresponsáveis que lançaram o país no abismo sempre é: “E o que você faria? Libertaria os prisioneiros?” 

A melhor resposta continua a ser “sim”. É claro o risco de que alguns deles venham a cometer algum ato de violência – no Iêmen, em qualquer outro lugar do Oriente Médio ou até mesmo nos EUA em si. 

Esse risco poder ser amenizado por um monitoramento eficiente. Mas ainda que outro absurdo venha a acontecer, os males de “Gitmo” (Guantánamo) recrutaram muito mais homens para o terrorismo que meros 166. 

Obama deveria pensar nos princípios fundamentais dos EUA, empunhar sua caneta e dar um fim a essa mancha na história do país.

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