Cerca de 100 homens da Polícia Militar do Pará chegaram ao canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, na tarde dessa sexta-feira 3, para cumprir mandado de reintegração de posse. A medida, no entanto, não foi executada.
As obras estão paradas desde quinta-feira 2, após o canteiro ter sido ocupado por um grupo de manifestantes. Eles pedem que as obras de todos os empreendimentos hidrelétricos na Amazônia sejam suspensas e que o processo de consulta prévia aos povos tradicionais, previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), seja regulamentado.
Os manifestantes, indígenas, ribeirinhos e pescadores, lançaram divulgaram hoje uma carta reafirmando a pauta reivindicatória. No documento, eles rejeitam negociar com o Consórcio Construtor Belo Monte e com a Norte Energia. "Nós estamos aqui para dialogar com o governo. Para protestar contra a construção de grandes projetos que impactam, definitivamente, nossas vidas", diz.
De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o assessor da Secretaria de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, Avelino Ganzer, propôs aos índios que uma comissão definida por eles se reunisse em Altamira (PA), na segunda-feira (6), com um grupo interministerial para dicutir a política indígena no país.
Os indígenas recusaram a reunião em Altamira e exigiram a presença do grupo no canteiro de obras ocupado, de modo que todos possam participar da conversa.
Por meio de nota, a Norte Energia, empresa responsável pela operação da usina, e o CCBM confirmaram que a ocupação do Sítio Belo Monte continua. A Norte Energia informou ainda que um "contigente da Força Nacional de Segurança, juntamente com a Polícia Militar do Pará", está no canteiro de obras desde a tarde dessa sexta-feira a fim de "preservar o patrimônio da obra e, principalmente, a integridade física dos cerca de 4 mil trabalhadores alojados no canteiro".
A nota diz ainda que "na tarde desta sexta-feira, duas pessoas não indígenas foram intimadas a deixar o local, com base em decisões judiciais.
As forças policiais presentes no ato ofereceram transporte até Altamira, mas os referidos indiciados recusaram a oferta e permaneceram nas imediações de Belo Monte".
Luciano Nascimento
Repórter da Agência Brasil
Repórter da Agência Brasil

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