terça-feira, 28 de maio de 2013

Temendo derrota na PEC 37, Gurgel radicaliza

Roberto Gurgel
Com receio de ser derrotado na questão da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 37, que reduz os poderes de investigação do Ministério Público, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, radicalizou nesta terça-feira ao definir a proposta como "insana". 

Ele já não tem o apoio do Congresso e nem da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que também se mostrou favorável à aprovação da proposta.

"A proposta é insana mesmo. Num país com as mazelas do Brasil, com o nível de corrupção do Brasil, querer limitar as investigações do Ministério Público, ou da Receita Federal, da Controladoria-Geral da União, da Previdência, seria igualmente insano", declarou Gurgel. 

Segundo ele, não há "absolutamente nenhuma" hipótese de o MP concordar com a PEC, mesmo que haja mudanças no texto, que será levado a votação em junho na Câmara.

Ao participar na manhã desta terça-feira de assembleia da Associação Ibero-americana de Ministérios Públicos (Aiamp), em Brasília, o chefe da Procuradoria-Geral da República reclamou também da dificuldade que vem tendo o grupo de trabalho formado para buscar uma alternativa à PEC. 

Após diversas reuniões, ainda não houve consenso. Participaram do grupo representantes da polícia, do Ministério Público e do Ministério da Justiça, além de parlamentares.

"É algo que não apenas mutila o Ministério Público, mas incapacita a sociedade brasileira de uma luta mais efetiva contra a impunidade", acrescentou Gurgel, reafirmando seu discurso de que a aprovação da PEC vai contra a luta contra a impunidade. 

Ele afirmou ainda que é "insuficiente" a proposta de o MP investigar apenas crimes em que a polícia tenha atuado de forma omissa e garantiu que o órgão trabalhará para que a PEC seja rejeitada no Congresso.

BRASIL 247

Nenhum comentário: