sábado, 1 de junho de 2013

Dep.Carlos Sampaio/Aécio Neves
A ainda nebulosa origem dos boatos sobre o fim do Bolsa Família é a nova aposta da oposição para desgastar o governo federal. 

Provocados pela insinuação precipitada da ministra Maria do Rosário, de que as origens da boataria seriam "a central de notícias da oposição", os tucanos não parecem dispostos a esquecer a acusação, mesmo depois de a ministra da Secretaria de Direitos Humanos ter voltado atrás.

A liderança do PSDB na Câmara dos Deputados entrou nesta sexta-feira com uma representação na Procuradoria Geral da República (PGR) pedindo investigação sobre eventuais irregularidades e possível improbidade administrativa de autoridades do governo federal no episódio, já que o presidente da Caixa Econômica, Jorge Hereda, admitiu erro no caso e pediu desculpas. 

Só depois de reportagem da Folha de S.Paulo indicar que a Caixa mudara o sistema de liberação dos benefícios o banco admitiu a alteração, que vinha sendo omitida. A corrida às agências da Caixa ocorreu nos dias 18 e 19 de maio, e o banco havia feito alterações no sistema no dia 17. 

Líder do PSDB na Câmara, o deputado Carlos Sampaio (SP) também encaminhou um requerimento à Polícia Federal solicitando acesso imediato dos partidos de oposição ao inquérito instaurado para apurar o caso. 

Na representação, o tucano argumenta que há indícios de uso político de informações sobre o programa, vazamento de dados sigilosos dos beneficiários através de telemarketing e divulgação de informações incorretas pela Caixa Econômica Federal.

O documento protocolado pelos tucanos cita ainda a ministra Maria do Rosário. Para o líder tucano, os fatos são passíveis de instauração de inquérito civil ou penal. 

Já no requerimento encaminhado ao diretor-geral da PF, Leandro Daiello Coimbra, a oposição cobra o acesso de seu advogado às informações colhidas pelos policiais até agora. De acordo com o partido, a PF teria se comprometido a liberar o acesso dos partidos de oposição aos autos.

Aécio Neves

Um dia antes das cobranças formais, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), havia reforçado a cobrança por um pedido de desculpas do governo federal. Em nota à imprensa, o senador lamentou a declaração do ministro-chefe da Secretaria-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, sobre o caso. O ministro disse que a presidente Dilma Rousseff não devia desculpas ao país.

Leia a nota do senador e presidente nacional do PSDB:

Lamento a posição do governo federal com relação ao episódio dos saques do Bolsa Família externada hoje, pelo ministro-chefe da Secretaria-geral da presidência, de que a presidente da República não deve desculpas ao país e, pelo Ministério do Desenvolvimento Social, de que o governo não deve esclarecimentos sobre o fato.

Pedir desculpas ao país não é humilhação, é um gesto de grandeza e responsabilidade. Como seria também repreender publicamente os membros do governo que, de forma leviana, atacaram a oposição e os que mentiram – e mantiveram a mentira- ao país sobre o episódio.

Lamento, especialmente, a diferença de postura.

Enquanto eram lançadas suspeitas sobre a oposição, o assunto foi considerado da maior gravidade a ponto de merecer declaração pública da presidente que o considerou criminoso e desumano, além de declaracões desastrosas de membros do primeiro escalão do governo e de lideranças do PT.

Agora que fica claro a responsabilidade do próprio governo federal no episódio, que fica evidente que dirigente de uma das mais importantes instituições do país mentiu aos brasileiros, o mesmo passa a ser tratado apenas como um mal entendido de terceiro escalão . 

A presidente subitamente não tem mais nada a dizer sobre o assunto, a ministra da área viaja em férias e a ministra que acusou a oposição se fecha em silêncio.

Se a responsabilidade fosse da oposição, trataria-se de um crime. Se é do governo, é apenas uma questão técnica, sem maior importância.

O país também gostaria de conhecer a opinião do governo federal sobre as denúncias de que membro do PT, o vereador do Maranhão Juscelino do Carmo, recebe irregularmente recursos do Bolsa Família.

Apesar de saber, muitos dias antes, que a posição divulgada pela Caixa não era verdadeira, o seu presidente só contou a verdade ao país depois que um veículo da imprensa nacional revelou a mentira.

Esse é mais um exemplo concreto do importante serviço prestado pela imprensa ao país, e das razões pelas quais não podemos permitir a implantação do controle de mídia defendido pelo PT.

Aécio Neves, presidente nacional do PSDB

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