quinta-feira, 16 de maio de 2013

Circo dos horrores

A ordem veio do Palácio do Planalto. É tudo ou nada. Se foi tudo ou se foi nada, se a Medida Provisória 595/12 conseguiu encontrar um porto seguro para atracar, pouco importa. 

O circo de horrores de sua votação na Câmara dos Deputados mostra que falta maturidade na negociação política. O governo não aceitou dialogar. Nem poderia. 

Afinal, havia interesses inconfessáveis nas exigências de alguns grupos políticos que contribuíram para gerar toda a confusão que marcou a semana na Casa. 

A presidente Dilma Rousseff nem quis conversa. Ceder na MP dos Portos seria compactuar com o favorecimento com endereço certo para alguns poderosos grupos empresariais do país. 

A questão é que os problemas vieram da própria base, não da oposição. O PMDB, do líder Eduardo Cunha (RJ), foi quem deu mais trabalho. Ele apresentou uma emenda aglutinativa à MP que previa, entre outras coisas, só para ficar em um exemplo, que os portos privados tivessem direito de ficar 50 anos com a concessão. 

O líder do PR, Anthony Garotinho (RJ), foi o que mais confusão conseguiu arranjar. Ele atacou duramente a emenda de Cunha, seu rival político no Rio de Janeiro. A briga paroquial virou uma baixaria total. Só que Garotinho não ficou satisfeito. 

Brigou também com o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), que o acusou de chefe de quadrilha e que deveria estar na cadeia. Caiado ainda disse que o colega do Rio tinha a “catinga dos porcos”. Garotinho não se importou. Jurou que não estava ofendido com a catinga.

Sem a MP, o governo pode resgatar parte dela com decretos. Uma pequena parte, é bom ressaltar. Fosse o contrário, a presidente Dilma Rousseff não teria determinado tamanho esforço de sua base no Congresso. 

E esse esforço bem que existiu. Tanto dos governistas quanto da oposição, que também cumpriu o seu papel usando todas as manobras regimentais que podia para impor uma derrota a Dilma.

O festival de horrores na votação da MP dos Portos, no entanto, mostrou que a base governista navega em águas revoltas e que interesses maiores estão submersos na atitude de vários parlamentares do Congresso.

Blog do Eduardo Homem de Carvalho

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