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domingo, 30 de junho de 2013

No lugar de Dilma no Maracanã, apenas letra “X”

No ensaio geral para a cerimônia de encerramento da Copa das Confederações, na noite de sábado, os organizadores retiraram o nome de Dilma Rousseff da coreografia da entrega do troféu ao campeão. 

Mas, sem saber ainda quem dará a taça ao capitão, a Fifa apenas colocou uma placa com a letra “X” em seu lugar.

Dilma cancelou sua ida à final, fugindo assim das vaias e no esforço de se distanciar os cartolas da Fifa e da CBF. 

Nos bastidores, a entidade ficou enfurecida com a decisão de Dilma e que quebra uma tradição de que a competição sempre é concluída com a presença do chefe-de-estado do país-sede.

Na manhã de hoje, a assessoria de imprensa da Fifa se recusou a dar o nome da pessoa que entregaria o troféu ao campeão, alegando apenas que se trata de um “surpresa”.

Mas o Estado apurou com funcionários que participaram do ensaio geral que, na prática, ninguém sabe quem fará a entrega. 

Vinte e quaro horas antes do momento auge do torneio, a placa com o nome “Dilma” que um dos atores levava no ensaio foi abandonada e trocada por outra que apenas dizia “X”.

Oficialmente, a entidade enviou um email a este jornalista insistindo que “respeita” a decisão de Dilma, seja ela qual for. 

Mas, na cúpula da entidade, a constatação é de que o governo fez questão de dar um recado de que a Copa das Confederações não é sua prioridade.

Jamil Chade
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sábado, 29 de junho de 2013

Medo de vaia deixa Dilma distante do Maracanã amanhã

A presidente Dilma Rousseff desistiu de assistir à final da Copa das Confederações, entre Brasil e Espanha, domingo, no Maracanã. 

A assessoria do Palácio do Planalto disse que a presidente recebeu o convite da Fifa para a abertura e o encerramento, mas não confirmou presença na última partida da competição. 

Na abertura, no estádio Mané Garrincha, Dilma foi vaiada ao aparecer no telão, quando foi citada pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, e quando declarou aberta a Copa.

À tarde, durante entrevista coletiva no Maracanã, Blatter demonstrou certo desconforto ao ser perguntado sobre a ausência da presidente Dilma no encerramento do torneio, dizendo que gostaria de tê-la ao seu lado.

- Não recebi a confirmação se a presidente estará na final. Essa é uma questão para esse lado da mesa - disse o dirigente, apontando para Aldo Rebelo, ministro dos Esportes. - Eu ficarei feliz se ela estiver lá... mas não sou profeta e não posso dizer se ela estará lá ou não - comentou.

Publicamente, a presidente havia manifestado disposição de assistir à final, especialmente se o Brasil estivesse em campo. Em fevereiro, na visita oficial à Nigéria, Dilma disse ao presidente Goodluck Jonathan que gostaria de assistir à decisão ao seu lado.

- Asseguro que sua seleção será muito bem recebida no Brasil para a Copa das Confederações. Tenho certeza que o presidente Goodluck Jonathan e eu assistiremos juntos à final Brasil e Nigéria no Maracanã - afirmou na ocasião.

A avaliação de interlocutores da presidente é que, em meio a onda de protestos no país, o público do Maracanã seria hostil a Dilma. 

Além disso, dizem auxiliares da presidente, neste fim de semana, a presidente deve se reunir com ministros para discutir a proposta de plebiscito que mandará ao Congresso na próxima terça-feira. Dilma também deve preparar a reunião ministerial prevista para os próximos dias.

Com O Globo
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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Bebeto lamenta postura do ex-parceiro Romário sobre a Copa

Membro do Conselho de Administração do Comitê Organizador Local (COL) como voluntário, o ex-atacante Bebeto se mostrou "triste" pelo fato de seu antigo companheiro nos gramados, Romário, estar atacando a organização da Copa do Mundo no Congresso. 

Bebeto, que também é deputado estadual, lamentou a postura do ex-camisa 11 da seleção brasileira e afirmou que o evento trará grandes benefícios para o país. Segundo Bebeto, o COL queria a participação de Romário na organização.

- Infelizmente, fico até um pouco triste, queria o Romário perto da gente, é o nome do nosso país que está em jogo. Poder realizar um dos melhores Mundiais foi sempre o nosso objetivo. 

O Brasil é a sexta economia mundial, está gerando emprego, muitas coisas boas, o legado é muito grande, vai ser de fundamental importância para o crescimento do nosso país. 

A Copa vai alavancar uma série de coisas. Cito o exemplo da Espanha em 1982, depois da Copa virou uma potência. É isso que quero para o meu país.

Questionado sobre a diferença de ideias em relação a Romário, Bebeto afirmou:

- Infelizmente o Romário tem um pensamento, o meu é totalmente diferente. A Fifa não pediu pra fazer a Copa aqui, nós é que lutamos muito. 

Queria que ele estivesse do nosso lado. Fizemos uma grande dupla, foi coisa de Deus, e a gente queria ele aqui perto, mas infelizmente está nessa situação que todos sabemos. 

Queria que estivesse aqui conosco tentando fazer o melhor pelo nosso país. Vida que segue. Vai ser sempre meu amigo.

Bebeto foi indagado também sobre os custos da reforma do Maracanã, que se aproximaram da casa de R$ 1,3 bilhão.

- Estou aqui como membro do COL e como voluntário, mas eu, como parlamentar, quero sempre o melhor para o meu povo e para o meu país. 

Quero transparência também, eu, como parlamentar, tenho de cobrar do governo por que isso foi gasto. 

Você não destruiu o Maracanã todo, manteve a fachada, e isso torna mais caro. Se construísse um novo, o custo seria menor. Acho que tem de ter transparência total. 

A gente passou do prazo de entrega, teve de colocar mais gente pra trabalhar, acaba gastando mais. Deve ter sido isso uma das coisas. Mas acho que tem de ver mesmo por que foi gasto esse valor.
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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Julio César revela provocação a Forlán: 'Vai bater forte e no meio'

Eleito o melhor em campo na vitória por 2 a 1 sobre o Uruguai, na Copa das Confederações, Julio César recebeu o troféu da Fifa após a partida. Um prêmio que, segundo o próprio goleiro, só foi possível pela frieza no momento mais tenso da partida, quando David Luiz segurou Lugano na área. 

Decisiva para a vaga na final, a defesa do pênalti começou a nascer antes mesmo da cobrança. Nesta quinta-feira, Julio César revelou que provocou Forlán, seu companheiro nos tempos de futebol italiano.

- Joguei com ele no Inter de Milão por um ano. Fiz uma brincadeira. Falei: “você vai bater forte no meio”. Ele olhou para mim e riu. Acabou se entregando. Tirei uma opção dele. Não sei se ele iria cobrar no meio, mas acho que ele acabou se desequilibrando - analisou o goleiro.

Ainda radiante pela defesa, Julio César revelou ter se sentido como Fred ou Neymar na hora de um gol.

- Tenho certeza absoluta (que foi como um gol). Para o goleiro, é o auge. Acaba se sentindo como um Neymar, um Fred. A explosão foi nítida no Mineirão. 

Os jogadores estavam com caras tristes. No pênalti, existe 90% de chances de a bola entrar. 

O Mineirão estava calado, tenso. Quando você pega um pênalti, é como um gol. A torcida explode, os jogadores explodem. 

Todos vieram me abraçar. Isso renova a energia do time. A tensão acaba se tornando alegria e dá mais força - analisou.

Pelo feito, Julio certamente foi um dos heróis no Mineirão. Mas não o único. Autor do gol da vitória aos 40 minutos da etapa final, outro jogador que se acostumou com "momentos de atacante" recebeu elogios do goleiro.

- Em relação ao prêmio, o pênalti me ajudou muito. Mas, se eu pudesse, cortaria o troféu no meio e daria metade ao Paulinho. Como não posso fazer isso, já que iria ficar feio, espero que ele ganhe na final. O Paulinho tem feito um ótimo trabalho. É um meio-campo artilheiro. É incrível a presença de área dele - ressaltou o goleiro brasileiro.

QuidNovi




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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Revista alemã compara protestos no Brasil à revolta que derrubou o Muro de Berlim

A história se repete – “Danke, Brasilien!” (Obrigado, Brasil!) é o título do artigo opinativo publicado no último sábado (22) pelo site no respeitado semanário “Die Zeit”, em que o repórter afirma que os brasileiros “prestam um grande favor ao mundo”, mostrando não só uma prova “do amadurecimento democrático de um país”, mas também dando uma lição à Federação Internacional de Futebol.

“Finalmente, uma democracia se revolta contra uma profundamente antidemocrática FIFA. O que a África do Sul e mesmo a Alemanha não se atreveram a fazer, é realizado agora por um país emergente que luta por seu lugar no mundo”, constata o jornalista do “Die Zeit”.

Já uma análise publicada pela versão online da revista “Der Spiegel” afirma que a revolta dos brasileiros também tem como alvo a FIFA, organização “considerada por muitos como sinônimo de nepotismo e corrupção e de negócios sem escrúpulos” e também contra os “criminosos cartolas brasileiros”, que “há décadas decidem o rumo das coisas e dos quais faz parte o antecessor de Blatter (na presidência da FIFA), João Havelange”.

Oferta de diálogo

O texto ressalta que “o que está acontecendo hoje no Brasil é algo totalmente novo” para a entidade. “Pela primeira vez, o povo, que paga por essa Copa do Mundo da FIFA (e também pelos Jogos Olímpicos de 2016), se revolta”, ressalta o artigo. 

E, com ele, também os jogadores. “Nós somos o povo’, disse Luiz Felipe Scolari”. O autor lembra que essa mesma frase foi o lema gritado por “centenas de milhões de pessoas” nas famosas passeatas de Leipzig. “Poucos dias depois, o Muro caia, e era destituído um ditador, que sempre abusou do esporte como um veículo de propaganda”, compara.

Outro destaque na mídia alemã neste sábado foi discurso da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, oferecendo diálogo aos manifestantes e propondo um “grande pacto” com governadores e prefeitos, além de mais dinheiro para saúde, transportes e educação, conforme noticia a reportagem intitulada Dilma Rousseff promete mais dinheiro aos brasileiros, publicada pelo site do jornal conservador “Die Welt”.

Segurança do torneio ameaçada

Os veículos alemães também ressaltam que os tumultos já comprometem a diretamente segurança das Copa das Confederações e irritaram Luiz Felipe Scolari. 

Alguns veículos deram destaque, neste sábado, à notícia de que o técnico da seleção brasileira foi obrigado a fechar os portões nos treinos de sua equipe “devido a uma repreensão da FIFA”.

Uma reportagem publicada pela agência alemã “DPA” e reproduzida em diversos portais afirma que a nova medida vem mesmo depois que “a FIFA desmentiu que fosse reforçar sua política de segurança (para o torneio), por causa dos protestos no Brasil”. 

O técnico italiano, Cesare Prandelli, também reclama, segundo a mesma fonte, dizendo que foi proibido de deixar o hotel, tanto em Recife como em Salvador. (Deutsche Welle)
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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Às vésperas da batalha de Belo Horizonte, Aécio confronta Dilma

Belo Horizonte espera, para a próxima quarta-feira 24, o maior protesto contra a Copa já visto na capital desde o início das manifestações que acontecem no País. Isso porque o Estádio do Mineirão recebe as seleções brasileira e uruguaia pela semifinal da Copa das Confederações. 

No último sábado, quando jogaram México e Japão, a cidade já registrou um protesto com cerca de 70 mil pessoas, que resultou em conflitos com a polícia, feridos, prisões e vandalismo.

Nesse ambiente, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) não perde a oportunidade de tentar carimbar a presidente Dilma Rousseff como responsável direta pelos estádios. 

"Ela passou seis meses inaugurando estádios como se fossem seus para agora dizer, erradamente, que não há recursos federais", afirmou o tucano. Na visão do parlamentar, Dilma está sendo oportunista ao dissociar o governo dos gastos com a Copa.

O investimento público na construção das arenas é uma das principais críticas dos protestos contra a competição no Brasil. Reportagem do portal UOL publicada neste domingo aponta mentiras no pronunciamento de Dilma, que disse não haver recursos do governo federal nas obras da Copa. 

Em nota divulgada nesta segunda-feira, porém, o Planalto afirma que "a matéria do UOL está errada" e reforça que não há "um centavo" da União nas arenas, e sim em "obras estruturantes que vão melhorar em muito a vida dos moradores das cidades".

Ainda sobre os atos, o pré-candidato à presidência da República pelo PSDB procurou os governadores e prefeitos de capitais a fim de fechar uma pauta do partido para a reunião dos governantes com a presidente, em Brasília, como informa a coluna Painel, da Folha de S.Paulo. 

A lista dos tucanos inclui propostas administrativas e nos campos ético e político. Segundo o presidente da legenda, as manifestações permitem o debate do pacto federativo, contra o que chama de "centralismo da União".

Brasil 247
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sábado, 22 de junho de 2013

Jérôme Valcke
A onda de protestos pelo país durante a Copa das Confederações é o mais novo motivo de conflito institucional entre governo federal e Fifa.

Enquanto a entidade organizadora da competição se apavora com o clima de insegurança e cobra reforço da União, as autoridades brasileiras dizem que os cartolas precisam entender que os protestos são problemas do Brasil e não tem como resolvê-los às pressas por causa da Copa das Confederações.

O governo federal garante, no entanto, que está disponibilizando efetivo suficiente para dar segurança às seleções e a todos os envolvidos na organização do torneio.

A União promete fazer uma ampla avaliação da situação após o fim da Copa das Confederações para melhorar o plano que será adotado durante o Mundial-2014.

Autoridades brasileiras lembram ainda que a Fifa também é alvo dos protestos.

Do outro lado, porém, o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, cobrou segurança até o final da Copa das Confederações.

"Espero que não continue no ano que vem. O Brasil tem que resolver o problema. Desculpe dizer, mas não é um problema da Fifa", afirmou.

As grandes preocupações da entidade são em relação à segurança da "Família Fifa", composta pelas seleções, autoridades, cartolas e patrocinadores do torneio.

A cúpula da entidade teme que a violência dos protestos atinja algum dos protagonistas da competição, o que afetaria a credibilidade dos eventos por ela organizados.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, aliás, mudou seu plano de ficar no Brasil até o fim da Copa das Confederações e foi para a Turquia, onde acontece o Mundial Sub-20. Não há data definida para o seu retorno ao país.

A segurança da Copa das Confederações é dividida entre Fifa e os governos federal e os das seis sedes. A União é responsável pelas vias, acessos e entorno dos estádios, aeroportos e a parte de fora dos hotéis das delegações. Além disso, oferece batedores para abrir caminho aos ônibus das seleções nas ruas.

Já a Fifa e o Comitê Organizador Local respondem pela segurança privada dentro das arenas e das instalações temporárias da competição. O COL faz reuniões diárias de avaliação da operação do torneio. No encontro de ontem, a situação foi discutida.

Mas, sob o argumento de que nas áreas de responsabilidade da Fifa ainda não houve problema, não haverá nenhuma mudança no plano de segurança do COL.

UOL
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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Assustado com os protestos, Blatter deixa o Brasil e não descarta cancelar a Copa das Confederações

Joseph Blatter
Há dias, quando o clamor das ruas começava a dominar o cenário nacional, o presidente da FIFA, Joseph Blatter, disse que a entidade não impôs a realização da Copa de 2014 ao Brasil, mas que o governo Lula insistiu para realizar no País o maior evento do futebol planetário.

No momento desta declaração, que passou quase despercebida, estava decretada uma perigosa queda de braços entre os cartolas e os integrantes de um governo incompetente e paralisado, cuja obra maior ao longo de dez anos foi uma sequência de casos de corrupção.

Em 31 de outubro de 2007, quando a FIFA anunciou que o Brasil sediaria a Copa de 2014, pouquíssimos jornalistas brasileiros engrossaram o coro contra a decisão, começando pelo editor do ucho.info. 

Aquele dia foi marcado por um enorme equívoco da FIFA e uma colossal irresponsabilidade por parte do governo brasileiro, mas o País saiu às ruas para comemorar. 

De volta da algazarra, os incautos nos dispensaram os mais variados impropérios, mas mantivemos nossa opinião, pois o Brasil jamais reuniu condições para abrigar um evento de tamanha magnitude.

Não se trata de torcer contra o Brasil, como nos acusou Lula e alguns leitores, mas de reconhecer a realidade do país em que vivemos. Não se pode aceitar a ideia de sediar um evento esportivo bilionário, enquanto pessoas morrem de fome ou nas filas dos hospitais públicos. 

Essa incoerência que marca o governo atual foi abafada pelo ufanismo que incensou a teoria do pão e circo, vociferada de chofre por Lula, que ainda em território suíço disse que o Brasil realizaria a maior e melhor Copa de todos os tempos.

Considerando que é curta a validade dos discursos de nove entre dez integrantes do governo de Dilma Rousseff, a realidade sobre as Copas (Confederações e do Mundo) demorou a vir à tona. 

O melhor que pode acontecer ao Brasil é que as autoridades se entendam com os dirigentes da FIFA, pois o estrago na imagem do País com o eventual cancelamento da Copa será colossal. Provavelmente muito maior do que os muitos bilhões de reais gastos até agora com as obras.

FIFA: combinado não é caro

A realidade é dura, mas não se pode acusar a FIFA de ultrapassar os limites do bom senso. Quando aceitou sediar a Copa do Mundo, o governo brasileiro concordou com todas as condições impostas pela entidade maior do futebol. 

Entre essas imposições está o direito de a FIFA ser indenizada em caso de cancelamento do evento, principalmente por não manutenção da ordem local ou atraso nas obras.

A ingerência da FIFA aconteceu em todos os países onde o evento já foi realizado. Só aceita essas condições o país cujos governantes entendem ser plausível o devido cumprimento das mesmas. É uma relação de risco que é explicitada antes mesmo de a candidatura ser apresentada à entidade.

Se o cancelamento da Copa das Confederações for a decisão derradeira de Joseph Blatter, o governo brasileiro não terá o que fazer. E se isso acontecer, os dias de Dilma Rousseff no Palácio do Planalto estarão contados. 

Evitar essa hecatombe política só mesmo com muita conversa e disposição para negociar. E negociação sempre vem acompanhada do tilintar da máquina registradora, do ranger da porta do cofre.

Barril de pólvora

O hotel onde está hospedada a direção da FIFA, no Rio de Janeiro, tem sido palco de constantes protestos, o que tem assustado os cartolas. Em Salvador, dois veículos da entidade futebolística foram destruídos. Essa conjunção de fatos fez com que Joseph Blatter viajasse à Turquia, com a desculpa de acompanhar as partidas da Copa Sub-20.

A seleção italiana, que deve enfrentar o Brasil no próximo sábado (22), quer deixar o País e abandonar a competição. Temerosos com o que pode acontecer no rastro das manifestações, familiares de alguns jogadores já retornaram à Itália, enquanto o restante aguarda para as próximas horas uma decisão dos dirigentes da Federação Italiana.

O exemplo da África do Sul

Sediar uma Copa do Mundo não é tarefa simples, mas só um país sem problemas e complexidades deveria se candidatar ao feito. Na África do Sul, onde aconteceu a Copa de 2010 e sobram problemas sociais, estádios construídos com o suado dinheiro dos sul-africanos estão na fila da demolição, o que é uma pena se considerarmos a grandiosidade das obras.

O estádio da Cidade do Cabo é um espetáculo à parte, não sem antes ser uma homenagem à logística e ao planejamento. O torcedor que comprou o ingresso para a Copa de 2010 sabia antecipadamente onde tomar o ônibus, que o deixava a alguns passos do local exato em que se sentaria no estádio.

A irresponsabilidade do governo

Nos últimos dez anos, o PT brincou de governar. Lula e seus estafetas se valeram da pirotecnia palaciana para manter nas alturas os índices de aprovação de um governo que sempre foi movido pela mitomania.

Quando o secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, externou sua preocupação com o caos que imperava os aeroportos brasileiros, Lula chamou-o, de forma transversa e inominada, de “idiota”. Algo típico de um desqualificado que por causa de um mandato eletivo se compara a Jesus Cristo.

O tempo passou e a paralisia nas obras da Copa voltou a preocupar Valcke, que na ocasião sugeriu que o Brasil precisava de um “chute no traseiro”. A declaração transformou-se em um incidente diplomático, que àquela altura poderia evitado que o País escapasse de um vexame maior e que está a um passo de se tornar realidade. 

Até mesmo o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, criticou duramente o secretário da FIFA, com quem deixou de conversar durante alguns meses, tudo no melhor estilo menina mimada e emburrada.

O calendário avançou e nada do que foi prometido foi cumprido. Recentemente, autoridades brasileiras reconheceram que muitas das obras de melhoria e expansão nos aeroportos brasileiros não ficarão prontas até a Copa. Mesmo assim, Jérôme Valcke sofre constrangimentos em quase todos os lugares que visita no Brasil.

Ucho.Info
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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Multidão em Fortaleza pode impedir jogo da seleção

Um ato previsto para a cidade de Fortaleza, nesta quarta-feira, poderá ter consequências imprevisíveis. 

Pelo Facebook, 31 mil jovens confirmaram presença no evento “Pão + Circo – Copa para quem?”, com concentração às 10 horas no centro da capital cearense, de onde todos partirão para a Arena Castelão, onde o Brasil deverá enfrentar o México, pela Copa das Confederações.

O protesto tem como um dos seus objetivos evitar a realização da partida, marcada para as 16h, ou impedir a chegada dos torcedores. 

O dado mais significativo é que policiais prometem aderir à manifestação, que contesta gastos da Copa. O Castelão foi reformado por R$ 516 milhões.

Leia, abaixo, carta aberta que os jovens escreveram ao governador Cid Gomes:

"À V. Ex.ª Governador do Estado do Ceará, Cid Gomes.

Carta de Reivindicação.

Nós, população de Fortaleza, viemos, através dessa, solicitar de V.Exa., medidas emergenciais que visam a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos desta tão estimada cidade, no que diz respeito aos investimentos em segurança, saúde, educação, transporte, lazer e qualidade de vida.

Queremos pedir transparência na prestação de conta dos gastos públicos e deixar claro que não aprovamos e não apoiamos o sistema de governo adotado por V.Exa. Cujo prioriza obras que não visam a melhoria da qualidade de vida dos mais necessitados. Não visam a real necessidade do povo.

Queremos expressar, por meio, não apenas dessa carta, mas por meio do protesto ocorrido hoje (19/06/2013), que não estamos de acordo com os milhões investidos em obras que nunca ficam prontas, em estádios e estradas. 

E que queremos mais investimentos nos hospitais públicos, que estão sucateados, com falta de médicos e enfermeiros, enquanto a população morre à míngua nos corredores super-lotados das unidades de saúde não apenas de Fortaleza, bem como de todo Estado. 

Queremos investimentos na educação, que sofre com a falta de estruturação das escolas e a desvalorização dos profissionais da educação. Queremos pedir policiamento e segurança nas ruas, nos ônibus, nos terminais rodoviários. Queremos um plano, claro e objetivo, de enfrentamento à seca e combate à falta d'água no interior do Estado.

Não queremos uma polícia repressiva e sim uma polícia preventiva. Queremos de V.Exa. um plano emergencial de combate a impunidade e de transparência política. 

Exigimos, como cidadãos contribuintes, a prestação de contas do estado para conosco de forma limpa e clara; de forma a ser compreendida pela população e de fácil acesso através de links na Internet."

Brasil 247
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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Protestos violentos e vaias muito mais contundentes

Como o Brasil de hoje me faz lembrar Castro Alves, ao poetar “Quando das ruas se eleva/ Do povo a sublime voz/ um raio ilumina a treva (…)”, o poeta do patriotismo brasílico, está vivo entre nós!

As manifestações de protesto pelo efeito mais direto da inflação no bolso do povo, teem um quê de patriótico e do despertar da nossa gente, diante da enxurrada de promessas não cumpridas – e sempre repetidas, para ludibriar os desavisados.

Alguns otimistas prenunciam uma “Primavera Brasileira”, capaz de varrer os erros acumulados de há muito, que ficaram claros como cristais nos desacertos e na desonestidade da Era Lulo-petista, com incompetência, mentiras, roubalheira e a voraz fome pela manutenção do poder.

Quem sabe se o aprendizado democrático do protesto popular não será a faísca, de que falava Rosa de Luxemburgo, para incendiar uma revolução? O cenário está pintado com o realismo da crise econômica, que o irresponsável Lula classificou de ‘marolinha’, e com a crise política provocada pela inaptidão e falta de autoridade de Dilma.

A agitação que se multiplica com rapidez por todo território nacional deve-se, em grande parte, ao despontar de novas lideranças estudantis, independentes da pelegagem que se apossou da UNE e outras entidades de classe. A juventude é o tempero no caldeirão efervescente da insurreição inconsciente nascida de reivindicações diversas que estavam reprimidas na sociedade.

Caindo oito pontos percentuais na popularidade, e talvez mais, nas pesquisas nem sempre confiáveis, Dilma sofre o julgamento popular pelos desacertos da economia maquiada e remendada, com os pacotes que revelam a covardia em realizar as reformas necessárias ao País. 

E também pela mediocridade da ação política, como se assiste no balcão de negócios sujos instalado no Congresso Nacional.

Os protestos, principalmente no Rio e em São Paulo, trazem uma face negativa, por causa da reação diante de uma polícia truculenta. Isto, porém, não lhes tira a justeza da demonstração democrática, nem inibe o aplauso dos que os consideram fundamentais para as mudanças que a Nação precisa.

Àqueles que condenam as ações de rua apontando as bandeiras dos partidos extremistas de esquerda, PCO, PSOL e PSTU, exageram, porque essas organizações não mobilizam ativistas com intenção de ir às ruas para fazer baderna e depredações. 

Não. Alguém levantou, com propriedade, que o que ocorre é a indignação da massa desacostumada ao exercício democrático, enfrentando uma polícia treinada e acostumada ao desrespeito ao povo e à repressão irascível. 

O termômetro que mede os protestos populares é a feira; é a carestia encontrada nas prateleiras dos supermercados e a própria queda das vendas no comércio, pela perda do poder aquisitivo do povo.

E isto se viu mais contundente na reclamação pacífica dos torcedores brasilienses vaiando a presidente Dilma no Estádio Mané Garrincha. na abertura da Copa das Confederações. 

E não foi por acaso; os presentes ao jogo Brasil x Japão aplaudiram tudo, a dedicação dos voluntários, a entrada dos jogadores e a execução dos hinos dos dois países.

Os apupos começaram ao ser anunciados a presença e os discursos do presidente da colonialista FIFA, Joseph Blatter, de Marín, presidente da CBF, e de Dilma, que não se encorajou a falar. Blater pediu ´fair play´ aos torcedores, o que incentivou o recrudescimento das vaias nas arquibancadas lotadas…

Por duas vezes Dilma foi vaiada quando anunciada oficialmente. Fechou a cara e resumiu seu programado pronunciamento a uma frase: “Declaro oficialmente aberta a Copa das Confederações FIFA 2013″.

Testemunhas oculares garantem que a Presidente saiu do Estádio com lágrimas nos olhos; e, sem dúvida, mereceu este constrangimento. Que isso seja motivo para ela venha a refletir sobre os equívocos políticos e econômicos na condução do seu governo.

Blog do jornalista Miranda Sá
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Dilma não se intimida com vaias e promete estar na final da Copa

Dilma não vê motivação política em
 vaias durante abertura da 
Copa das Confederações
Dida Sampaio/Estadão
A vaia recebida no Estádio Nacional de Brasília (Mané Garrincha), no último sábado, na abertura da Copa das Confederações, não afastará a presidente Dilma Rousseff da final da Copa das Confederações, no Maracanã, no dia 30 de junho. 

A assessoria do Palácio do Planalto confirmou ontem que ela estará no Rio para acompanhar a decisão.

Aliados e integrantes do governo avaliam que Dilma não deveria aceitar eventual convite para discurso ou até mesmo pedir para não aparecer no telão do Maracanã para evitar novas vaias na final da Copa das Confederações.

A manifestação do público no sábado, antes do jogo entre Brasil e Japão, foi avaliada por petistas e assessores como um ato desvinculado de motivações políticas. "É um jeito moleque do torcedor brasileiro. Qualquer político que fosse ao estádio e anunciassem o nome seria recebido da mesma forma", resumiu o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE).

A previsão já era de a presidente comparecer a apenas dois jogos da Copa das Confederações, a abertura e a final. Ela não deverá estar presente nesta semana nas partidas do Brasil em Fortaleza, na quarta-feira, e em Salvador, no sábado, nem nas semifinais. 

Dilma fará, inclusive, uma viagem ao Japão na próxima semana e chegará de volta ao País já no dia da decisão da competição no Maracanã.

A vaia em Brasília deverá apenas fazer com que o governo brasileiro aumente a preocupação com o protocolo. Aliados da presidente defendem que seja evitado nova situação que a exponha a manifestações negativas. 

"Estádio não é ambiente para discurso, é um público arredio a político e acostumado a vaiar porque já faz isso com os times", observou o deputado Vicente Cândido (PT-SP), que também é dirigente da Federação Paulista de Futebol (FPF).

A intenção dos aliados é solicitar à Fifa que a presença da presidente seja tratada de forma discreta. Além de evitar o microfone, anúncios da presença e imagens dela no telão não deveriam ser mostradas, na visão de pessoas próximas a Dilma. 

O líder do PT na Câmara, porém, acredita não ser necessária tanto preocupação. "Não devemos perder o sono, foi algo contra a política em geral, não contra ela", avaliou José Guimarães.

Estadão
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domingo, 16 de junho de 2013

BOB FERNANDES: Duelo entre os 20 centavos e os R$ 25 bilhões

O que levou milhares de pessoas a vaiar a presidente Dilma Rousseff na abertura da Copa das Confederações é o mesmo motivo que tem levado há alguns dias milhares de pessoas às ruas em São Paulo para protestar contra o reajuste da tarifa do transporte coletivo. É o que diz o colunista Bob Fernandes. Leia:

Vaias no duelo entre os 20 centavos e os R$ 25 bilhões

É um encontro de contas.

Nos dias em que o movimento originado nos 20 centavos sacode São Paulo e, por centavos outros espalhou-se pelo país, a seleção brasileira abre a Copa das Confederações no Mané Garrincha. Estádio de R$ 1,2 bilhão. 

A um ano da Copa do Mundo que, entre “arenas” – R$ 7,3 bilhões – e mobilidade urbana gastará R$ 25 bilhões em dinheiro público. Para quem sabe pouco desse jogo, e protesta, pouco importa se dinheiro público federal ou estadual. Dinheiro Público.

É evidente que obras de mobilidade, quase todas para só depois da Copa, servirão, se bem executadas, para desafogar as enfartadas capitais beneficiadas. Mas, nesse momento em que o estopim está aceso nas ruas, torna-se simbólica a batalha entre os 20 centavos e os R$ 25 bilhões.

O Mané Garrincha é um caso à parte. Foi todo construído e bancado com dinheiro, público, do governo do Distrito Federal. 
Ao percorrer suas gigantescas artérias, abaixo das arquibancadas, não há como não recordar Tutancâmon ou Ramsés II. É faraônico.

Shows à parte, no quesito futebol, deverá, no decorrer do ano, abrigar clássicos como Gama e Sobradinho, ou Capital e o melhor colocado na cidade, o Brasiliense, da terceira divisão. 

Onde há dinheiro público diretamente envolvido, caso do Maracanã e dos estádios de Manaus e Cuiabá, a Controladoria Geral da República pode, por amostragem, ao menos investigar os Projetos Executivos lá no início.

Onde o dinheiro chega com empréstimo para os estados, as auditorias caberão aos tribunais de contas dos estados ou municípios. Em Brasília, portanto, decidir se o R$ 1,2 bilhão foi gasto como deveria cabe aos Conselheiros do Tribunal de Contas Local.

São eles: Inácio Magalhães, o presidente. Anilcéia Machado, Renato Rainha, Manoel Paulo de Andrade e Paulo Tadeu.

A Conselheira Anilcéia já foi Administradora Regional de Sobradinho, Coordenadora da Política do Idoso, na Secretaria de Estado de Assistência Social do DF e Deputada Distrital pelo PSDB.

O Conselheiro Paulo Tadeu também vem da política. Foi deputado distrital e, eleito federal, optou por se tornar, antes do Tribunal, o principal secretário de Agnelo Queiróz. Agnelo, do PT, é o governador da Brasília onde foi erguido o Mané Garrinha de R$ 1,2 bilhão.

“Gás lacrimogênio não faz mal saúde, basta não esfregar o olhos”, informa o locutor à entrada do estádio, e completa em busca de tranquilizar a multidão nas filas de acesso ao Mané Garrincha:

- A Polícia Militar está aqui com 2 mil homens para sua completa segurança.

Mochilas e computadores entram no estádio e, até as nossa cadeiras na tribuna de imprensa, nenhum tipo de revista. Nem de scanners nem de humanos. Da mesma forma, todos os carros com licença para estacionar ao lado do Mané.

Mais bombas de gás. Roupas pretas, cabelos moicanos, piercings, correntes na cintura, punks das cidades satélite passam em fila indiana, cobrindo os rostos para não aspirar o gás. 

Vaias de quem está nas filas de acesso. No câmbio negro, ingressos de R$ 500 a 900 três horas antes do jogo. 

Desde as dez e meia da manhã, algo como dois mil manifestantes do movimento “Copa pra Quem?” se espalham. Aqui e ali, já dispersos, enfrentam a polícia.

Vai começar o Brasil x Japão. No estádio de R$ 1,2 bilhão, a conexão 3G não funciona.

O locutor anuncia o presidente da Fifa, Joseph Blatter. Vaia de todo o estádio. Blatter anuncia a presidente Dilma Rousseff. Que, sob gigantesca vaia, declara “aberta a Copa das Confederações”.
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Copa das Confederações expõe 'falta de planejamento' em Recife

Arena Pernambuco foi o último
dos seis estádios a ser entregue
O início da partida está previsto para ocorrer às 16h (horário de Brasília) na Arena Pernambuco, que, ao contrário de outras cidades-sedes da competição, está localizada em um município vizinho, São Lourenço da Mata, a cerca de 20 quilômetros do centro da capital pernambucana.

Inicialmente, a capital não estava prevista como sede, mas foi escolhida após a proposta do governador de Pernambuco Eduardo Campos -- candidato virtual à presidência em 2014.

Na quarta-feira, a chegada das seleções da Espanha e do Uruguai foi marcada por engarrafamentos, protestos e acidentes que causaram transtorno para os moradores e para as equipes, que tiveram dificuldades para treinar, por causa das chuvas e do trânsito.

Em março, Campos afirmou que a cidade estaria pronta para a Copa das Confederações e que poderia entregar o terceiro estádio do torneio. A Arena Pernambuco foi a última das seis a ser entregue para o evento-teste da Copa do Mundo.

No material publicitário da cidade, a frase escolhida pelo governo estadual é "Recife vai marcar um golaço".

Movimentos de urbanistas da cidade, no entanto, discordam."Cautelosamente, pode-se dizer que o tiro saiu pela culatra", afirma Evanildo Barbosa da Silva, especialista em mobilidade urbana e representante o Comitê Popular da Copa em Recife.

"Passaram uma imagem de que as obras não impactariam o Recife, o que é uma inverdade. Não foi construído nada mais preventivo, nem foi feito um planejamento mais básico", afirma.

A socióloga Ana Paula Portela, uma das criadoras do grupo Direitos Urbanos do Recife, diz que a Copa das Confederações mostrou "o tamanho do problema" para os moradores "Já acompanhávamos o impacto de grandes projetos na vida da cidade, mas a Copa dá uma dimensão maior das lacunas. De fato, muitas coisas que o governo dizia que estava fazendo, como o controle das obras de mobilidade e das vias da cidade, não foi feito".

Segundo Portela, os problemas com o trânsito são o "primeiro estrangulamento" em Recife. "No dia à dia é possível encontrar saídas para o trânsito, mas agora o governo tem que responder à agenda da Copa. E não vi resposta", critica. "A cidade está parada. Recife já não anda e nos dois últimos dias está mais parada ainda."

Na manhã de sexta-feira, os motoristas de ônibus da capital fizeram uma paralisação de uma hora para reivindicar reajuste salarial. O protesto tinha como objetivo "dar um recado" à prefeitura, sem prejudicar os cidadãos. Mesmo assim, a manifestação provocou engarrafamentos em diversas áreas da cidade.

Um acordo de última hora evitou também uma greve dos metroviários de Recife, que poderia afetar o principal meio de transporte -- e único recomendado pela prefeitura -- para chegar à Arena Pernambuco.

Buracos no caminho

Em coletiva de imprensa na sexta-feira, jogadores da seleção uruguaia reclamaram do trânsito na cidade, que atrasou treino e compromissos da equipe mesmo com a escolta de batedores. “O trânsito atrapalhou muito. Demorar uma hora e meia para ir e uma hora e meia para voltar não estava nos nossos planos. É muito desgastante”, disse o zagueiro uruguaio Diego Lugano.

Na quinta-feira à noite, após chegar a Pernambuco, os uruguaios não conseguiram treinar em Pernambuco por causa do estado em que as fortes chuvas deixaram os gramados dos centros de treinamento locais. 

No dia seguinte, a seleção chegou ao CT do Sport de Recife depois de uma hora no trânsito, prejudicado por obras de última hora no trajeto. Na BR-101, trabalhadores tapavam buracos e corrigiam falhas no asfalto e no acostamento.

Também na sexta-feira à noite, um engarrafamento causado por obras de pavimentação na BR-232 -- principal acesso à Arena Pernambuco -- deixou motoristas parados durante até três horas. 

A situação piorou quando parte da BR-101 foi fechada para a passagem da seleção espanhola, que provocou o aumento do tráfego na outra rodovia.

Seleções de Uruguai e Espanha, que
jogam neste domingo, reclamaram
de falta de estrutura em Recife
"É inadmissível que a gente tenha, em um trajeto vital para a cidade, o problema que temos agora. Mas a gestão do trecho urbano da BR-101 está sendo repassado para o Estado, porque no corredor central será construído o BRT", disse o secretário de Mobilidade Urbana de Recife, João Braga, à BBC Brasil.

O BRT é um dos projetos que a cidade retirou da Matriz de responsabilidades, porque não ficaria pronto a tempo da Copa 2014 mas será, de acordo com Braga, "um legado".

'Da água para o vinho'

O secretário de Mobilidade Urbana de Recife, João Braga, está otimista em relação ao trânsito em 2014. "Vamos mostrar uma mudança da água para o vinho na cidade", disse à BBC Brasil.

De acordo com Braga, a prefeitura identificou cerca de 40 pontos vitais de alagamento da cidade e pretende tratá-los para evitar as enchentes que, há poucas semanas, geraram imagens impressionantes. 

"O calendário da Fifa é europeu, mas junho não é um período bom no Brasil, é um período de chuvas. A gente vai ter muitos problemas", reconhece.

O secretário afirma ainda que até a Copa do Mundo ficarão prontos os dois BRTs (Bus Rapid Transit, sistema com ônibus articulados que trafegam em vias especiais) incluídos na matriz de responsabilidades de Recife para a Copa, cerca de 40 km de ciclovias e ciclofaixas, sete BRS (Bus Rapid Service, corredores expressos para ônibus) e o que chamou de "o programa mais largo de calçadas que já se viu na cidade".

"O foco da prefeitura e do governo do Estado é na mobilidade das pessoas e não dos veículos", diz.

Mas o "foco na mobilidade das pessoas" a que Braga se refere é uma "assimilação do discurso dos urbanistas da cidade" que não foi acompanhada por novos projetos, segundo Mucio Jucá, arquiteto, especialista em desenvolvimento urbano e professor da Universidade Católica de Recife.

"Há um embate muito forte agora no Recife sobre questões de urbanização e estamos conseguindo ter voz junto ao governo. Percebemos é que o discurso deles incorporou o discurso dos urbanistas. Só que eles ainda apresentam os mesmos projetos que nós criticávamos", disse à BBC Brasil.

"Assimilar o discurso é um passo importante, mas elaborar novos projetos não vai acontecer até 2014, talvez só até 2020.Os projetos que nós consideramos ruins por uma série de motivos já estão em construção."
'Arena mais longe do mundo'

Por causa de fortes chuvas, seleção 
uruguaia teve de treinar em 
academia
Jucá critica a falta de planejamento dos projetos da Copa em Recife, incluindo o acesso à Arena Pernambuco, que fica em São Lourenço da Mata (a 22 quilômetros da capital) e já desperta preocupação nos organizadores da Copa das Confederações.

"Parece que as ações foram feitas sem planejamento nenhum e a solução encontrada é decretar feriado nas ciddes para que não tenhamos um caos e para que o mundo não veja isso acontecer", diz.

Por causa de fortes chuvas, seleção uruguaia teve de treinar em academia

Mucio Jucá chegou a elaborar um dos projetos da nova arena da Copa, que seria o construída entre Recife e Olinda. "A ideia era colocar o estádio dentro da cidade, para que ele fosse uma arena multiuso e para facilitar a mobilidade urbana. Essa é a ideia que se tem de um bom estádio hoje em dia"

"Quando nossas propostas foram apresentadas à FIFA, em 2009, já tínhamos estudos e levantamentos prontos e obras de mobilidade urbana relacionadas a eles, parecia que as coisas se encaixavam. Mas apareceu um projeto que ninguém tinha conhecimento de construir um estádio a 22 km da cidade. Não acreditávamos que o governo aceitaria uma proposta antiquada dessas", conta.

"Colegas holandeses me chamaram a atenção de que esse deve ser o estádio mais longe do mundo. Em minhas pesquisas, ainda não encontrei um mais distante da cidade do que esse."

Segundo Gilberto Pimental, secretário executivo de relações institucionais da Secopa de Recife, o objetivo da arena é levar empreendimentos para a região de São Lourenço da Mata. "Nesse primeiro momento ela está isolada, mas a grande aposta do governo é que ela seja a âncora para puxar o desenvolvimento para o oeste".

Ele diz ainda que o estádio pode ser uma oportunidade para "repensar o uso do metrô em Recife, que ainda não é massivo".

Na próxima quarta-feira, o governo estadual decretou ponto facultativo para evitar caos no acesso dos torcedores à partida entre Itália e Japão. A medida também foi adotada nas outras cidades-sede.

A capital pernambucana não teve protestos relacionados ao aumento das tarifas do transporte público na última semana, mas ativistas organizam pelo Facebook uma manifestação em solidariedade ao Movimento Passe Livre, de São Paulo, na próxima quinta-feira, dia 20.

Grupos de urbanistas dizem que farão na passeata o protesto que não conseguiram fazer no primeiro fim de semana da Copa das Confederações.

BBC Brasil
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