quarta-feira, 1 de maio de 2013

Deputados da oposição são agredidos na Venezuela

A maioria governista na Assembleia Nacional da Venezuela decidiu nesta terça-feira negar mais uma vez à oposição o direito à palavra, sob alegação de que ela não reconhece o presidente Nicolás Maduro, cuja eleição é contestada pelos opositores – eles denunciam irregularidades no processo eleitoral. 

Mas, desta vez, a tensão política acabou descambando para a pancadaria, com saldo de ao menos sete deputados opositores feridos.

Diosdado Cabello
O presidente da Assembleia Nacional, o chavista Diosdado Cabello, participou com alegria da pancadaria parlamentar de terça-feira, que acabou com ao menos sete deputados opositores feridos.

Segundo María Corina Machado, deputada da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), Cabello ria enquanto ela era agredida pela deputada chavista Nancy Ascensio.

O clima era tenso antes mesmo no início da sessão, quando os deputados não alinhados ao chavismo que chegavam ao Parlamento não encontravam microfones em frente a seus assentos. Os equipamentos foram retirados por ordem do presidente da Assembleia, o chavista Diosdado Cabello. 

Os trabalhos só foram abertos com mais de três horas de atraso e, cerca de 30 minutos depois, o confronto eclodiu.

Tudo começou após a aprovação sumária da indicação da nova presidente do Banco Central venezuelano. Cabello impediu os deputados opositores de participar de debates adicionais sobre o assunto, alegando "reciprocidade" por ignorarem a vitória de Maduro nas eleições de 14 de abril. 

"Enquanto aqui nesta Assembleia Nacional não forem reconhecidas as autoridades, as instituições da República, os senhores da oposição poderão falar na (TV) Globovisión, no (jornal) El Nacional, mas aqui não", disse Cabello.

Os deputados opositores então iniciaram um apitaço e mostraram um cartaz onde se lia "Golpe no Parlamento". Foi o bastante para membros da bancada governista partirem para cima de seus pares não chavistas, dando início a um conflito que, segundo relatos, teve até a participação de um guarda-costas da Assembleia. 

Ao mesmo tempo, as câmeras da TV Assembleia foram viradas para o teto do plenário. Em seguida, a transmissão foi suspensa e o acesso de jornalistas ao local proibido.

Arranhões 

Um vídeo feito com a câmera de um celular mostra a pancadaria generalizada. O bloco governista rejeitou "os atos de violência", os quais atribuiu aos adversários. A oposição, por sua vez, veio a público mostrar o resultado das agressões: arranhões e rostos machucados.

"Não sou o único agredido, vários deputados apanharam e o responsável direto é o senhor Diosdado Cabello, que exige nosso reconhecimento de Nicolás Maduro", disse o legislador Julio Borges, líder do partido opositor Primeiro Justiça (PJ) e um dos mais feridos. 

"O que fizemos foi exibir em silêncio o cartaz 'Golpe no Parlamento'", explicou Borges, ressaltando que após o protesto vários deputados da oposição foram agredidos por legisladores chavistas."Esses golpes vão nos dar mais força...o senhor, Diosdado Cabello, está cavando uma sepultura para todo o processo que vocês chamam de revolução", acrescentou ele, com sangue no rosto e olhos inchados.

"O deputado Americo de Grazia foi empurrado escada abaixo e cinco pessoas caíram sobre ele, golpearam-no violentamente e ele está hospitalizado, isso enquanto o deputado Diosdado Cabello sorria", afirmou a parlamentar Maria Corina Machado, da oposição, durante uma entrevista coletiva após o confronto. 

María Corina contou que foi lançada ao chão por Nancy quando se aproximava da bancada da presidência da Assembleia Nacional. No chão, a deputada conta que continuou a ser agredida, mas que podia ver Cabello aos risos. A deputada também informou que seu colega Américo de Grazia, que ficou inconsciente após ser empurrado de uma escadaria, foi hospitalizado.

Já a chavista Odalis Monzón disse que foi "atacada pela bancada opositora" e agradeceu seus companheiros por "defendê-la", em declaração à TV da Assembleia Nacional.

A tensão política na Venezuela está em nível máximo desde que Nicolás Maduro venceu o líder da oposição, Henrique Capriles, na eleição presidencial de 14 de abril por uma diferença de apenas 224.000 votos (1,49 ponto percentual). 

Trata-se do número final, atualizado na segunda-feira após a divulgação do resultado das urnas no exterior, nas quais Capriles teve mais de 93% dos votos. 

A oposição não reconhece a vitória de Maduro, alega fraude eleitoral e nos próximos dias entrará com um recurso para impugnar o pleito no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Confira o vídeo da pancadaria na Assembléia Nacional venezuelana: 




Fonte: Veja


BBC-Brasil: Recontagem revela diferença 

de votos mais apertada na Venezuela


Os primeiros resultados da recontagem de votos e auditoria das últimas eleições presidenciais venezuelanas apontam que a diferença de votos entre o chavista Nicolás Maduro, vencedor, e o oposicionista Henrique Capriles caiu para 1,49 pontos percentuais, ou menos de 225 mil votos.

Já foi concluída somente a recontagem dos votos computados no exterior, e os novos números foram incorporados, alterando as cifras do resultado oficial da eleição.

Até o momento acreditava-se que Maduro havia vencido por 1,8 pontos percentuais de diferença.

Capriles pediu, logo após a divulgaçaõ dos resultados, uma recontagem total dos votos – o que o Conselho Nacional Eleitoral do país negou.

O que ocorre no momento e deve durar até junho é uma auditoria parcial, de 56% sdas urnas.

A tensão entre os partidos tem se manifestado no Parlamento, onde o presidente da Casa, Diosdado Cabello, disse que os parlamentares que não reconhecerem Maduro como presidente da Venezuela não poderão falar.

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