Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello discutiram na sessão desta quinta-feira durante debate sobre a necessidade do Senado confirmar decisões do tribunal.
A discussão ocorreu quando o tribunal analisava uma reclamação do Acre contra decisão de um juiz que negou, em 2007, a progressão de regime de prisão para condenados por crimes hediondos.
O argumento usado na reclamação é que a lei proíbe tal prática. Em 2006, o STF considerou que proibir essa progressão é inconstitucional.
Isso não vale para ações como ações diretas de inconstitucionalidade, súmulas vinculantes ou recursos extraordinários com repercussão geral reconhecida.
Marco Aurélio Mello defendia que, no caso específico, o juiz agiu corretamente, pois a legislação não foi derrubada pelo Senado, apesar do julgamento no Supremo.
Mendes, no entanto, defendeu que o tribunal já havia editado uma súmula vinculante sobre o tema (cuja decisão vincula toda a administração pública) e, por isso, o tema não precisava mais da análise do Senado.
Durante o debate, Marco Aurélio discordou do colega e afirmou que o tribunal deveria aguardar a manifestação do Senado para cassar a decisão do juiz, se não estaria comprando uma "guerra total" com o Legislativo.
"Eu penso que não interessa, presidente, declarar guerra total, considerado o Legislativo", afirmou Marco Aurélio Mello.
Mendes, então, rebateu, dizendo que, pela existência da súmula vinculante, o habeas corpus havia "perdido o objeto", ou seja, não teria mais razão de existir.
O clima esquentou quando Marco Aurélio Mello questionou se o colega estava declarando a inconstitucionalidade do artigo 52 da Constituição, por entender que, no caso, não era necessária a suspensão da lei pelo Senado.
Irritado, Gilmar Mendes respondeu: "Não, vossa excelência já deveria ter lido o voto. Vossa excelência teria me honrado se tivesse lido o voto".
"Eu quero ouvi-lo, por isso é que estou aparteando. Não fique nervoso", respondeu Marco Aurélio.
Mendes, então, pediu respeito ao colega e a discussão terminou.
Antes do debate, o julgamento já havia sido interrompido por um pedido de vista de Teori Zavascki.
Folha de São Paulo

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