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segunda-feira, 24 de junho de 2013

E agora?

Lígia Fleury
Eu ouvi o que você disse, Dilma: “devemos condenar e coibir com vigor atos contra o patrimônio público“. Eu não votei em você nem votaria, jamais. Porém, sou obrigada a concordar com essa sua frase – e apenas essa.

Dilma, pense no investimento, a grosso modo, sem licitação – apenas com preço encontrado na internet, ou seja, nenhum desconto ou superfaturamento, para o que seria uma compra no atacado -, de um mobiliário que poderia atender ao aprendizado de 25 crianças:


Carteira escolar – R$ 120,00 x 25 = R$ 3.000,00

Mesa para professor – R$ 240,00

Lousa verde – R$ 1.300,00

Apagador- R$ 5,00

Caixa de giz – R$ 3,00

Salário de professor – R$ 8000,00 por 40 h (chutei baixo no sonho, em se tratando do desprestígio dessa classe)

Total= R$ 12.548,00


Atente ao fato que esse valor não seria diário, semanal, mensal ou anual, pois carteiras duram anos, assim como lousa e mesa, se bem utilizados e conservados. 

A reposição fica para o giz, o apagador e o salário. Crianças na escola têm a oportunidade de aprender a respeitar pessoas e ambientes, o que nos dá grandes possibilidades para a manutenção correta do mobiliário.

Agora, vamos pensar em cursos de atualização para os professores.

Se for apenas algo pontual como uma palestra para até 1.000 professores, há profissionais extremamente bem qualificados que poderiam cobrar R$ 15.000,00 por esse trabalho. Um profissional fazendo 1000 pensarem!

Caso falemos de curso de 30 horas, poderá encontrá-los por R$ 4. 0000,00 para os mesmos 1.000 professores. Lembre-se que 1.000 professores multiplicam seus saberes para, no mínimo, 25.000 alunos, considerando um professor para cada classe de 25 alunos.

Claro que essa não é a conta real, mas é clara o suficiente para que me entenda. Mais que isso, só desenhando e sou tão péssima em desenho quanto você em sua capacidade gestora.

Agora, quero saber de você: quanto custa uma viagem de sua comitiva para qualquer lugar desse mundo? Quanto custa as roupas que vocês, políticos, vestem? Quanto custa cada jantar que vocês oferecem? Quanto custa cada sessão nos plenários para que sejam aprovadas verdadeiras ofensas à dignidade do povo brasileiro? Quanto custa defender cada ato corrupto dos políticos? Quanto custa a mídia que vocês operam para defender o indefensável?

Consegue fazer a comparação? O investimento na Educação é ínfimo, comparado ao que vocês gastam com bandalheiras. E, diga-se de passagem, é o nosso dinheiro e não o de vocês. Se ao menos tirassem do contribuinte para dar aos menos favorecidos, mas para o próprio bolso é de uma canalhice desmedida!

O brasileiro que trabalha como eu, paga impostos. Se o que eu pago fosse direcionado para o pagamento do professor, do médico, do policial… se o que eu pago fosse gasto pelo governo para o transporte, manutenção de vias públicas…juro que nem me incomodaria. Sério, pode acreditar. Viver em sociedade é isso mesmo, ajuda quem pode e se beneficia quem precisa.

O valor gasto com um único bem adquirido por qualquer um que hoje esteja representando o povo brasileiro, vulgo políticos, é infinitamente maior do que o necessário para salvar essa nação de morrer enlameada, afogada na sujeira que vocês, dirigentes, insistem em fazer.

Calcule um imóvel no valor de cinco milhões de reais – de novo pensei baixo, mas é para facilitar o cálculo- adquirido com o dinheiro do contribuinte para cada político…sabe o que seria possível fazer?

Construir escolas e hospitais, formar profissionais de excelência, propiciar segurança, entre outras coisas.

Sabe quanto custa para qualquer brasileiro a vergonha de ter na presidência do Senado alguém que é a cara da corrupção? Sabe quanto custa para cada brasileiro engolir quem temos na Comissão da Justiça?

Na escola ensinamos que não devemos vaiar, mas sim mostrar ao outro qual o seu erro, sempre em um diálogo respeitoso. Mas não deu! Das duas uma: ou muitos ali não tiveram oportunidade de escola ou todos, absolutamente todos, frequentaram as melhores escolas e se mostraram seres pensantes, críticos e cansados de serem massacrados.

Faço minhas considerações, mas apresento soluções:

- construa prédios escolares como se fosse para sua filha

- valorize os professores- não dê esmola – para que tenham o mesmo padrão de vida dos profissionais melhores remunerados

- invista em qualificação profissional, para que se multipliquem conhecimentos

- cumpra o ECA, garantindo escola de qualidade para todos, o que diminuiria significativamente o gasto com a bandidagem

- mande para cadeia os bandidos que governam esse país- uma fila com começo, meio e fim!

- reduza os ministérios, para que Brasília passe a ser a capital do país e deixe de ser a vergonha de um cabide de empregos

- invista na saúde do brasileiro e não no bolso dos cubanos, de forma que sua filha possa ser atendida em hospitais públicos

- reduza o salário dos vereadores, deputados e senadores, para que entendam o sofrimento de um povo

- combata o crime, começando por tirar o auxílio dado às famílias dos presos – é o mesmo que legalizar a profissão de bandido; como ele não pode “trabalhar”, o dinheiro que ele deixa de roubar por estar preso, é dado à sua família…

- E, por último, mas não menos importante, vá dormir porque o povo acordou.

Foi você mesma quem disse que “devemos condenar e coibir com vigor atos contra o patrimônio público“. Você e sua gangue precisam devolver o patrimônio intelectual dos brasileiros, assim como a dignidade, a saúde, a segurança, a educação. 

Patrimônio público é isso que vocês tiram do cidadão a cada novo aumento, a cada novo embuste. E o povo está protestando para condenar e coibir os atos de vandalismo que vocês insistem em praticar. Concordamos apenas nisso – condenar com vigor! Saiam da nossa frente!

Completando a lista de investimento – gasto é quando não se tem retorno positivo -, a única coisa que não teria preço seria ver todos os corruptos atrás das grades. Ah! Isso sim seria a certeza do restabelecimento de uma nação.

E agora? Quer mesmo coibir e condenar com vigor atos contra o patrimônio público? Eu quero e já mostrei soluções.


Lígia Fleury - psicopedagoga
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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Violência, a contramão da educação

Lígia Fleury
Psicopedagoga, palestrante, 
assessora pedagógica educacional, 
colunista em jornais 
de Santa Catarina
Cidade Maravilhosa e Terra da Garoa. O Rio de Janeiro ganhou esse “apelido carinhoso” na década de 30. Paisagens magníficas que sobrevivem ao tempo e ao descuido do Homem, talvez porque seja a força da natureza maior do que a ignorância humana.

A Terra da Garoa, a São Paulo que pode ter as quatro estações do ano em um único dia, não vive, apenas sobrevive; ela se reconstrói no dia a dia no meio de concretos que edificam sempre os bairros comerciais e residenciais.

Duas cidades extremamente importantes para a economia do nosso Brasil. Duas cidades com pontos turísticos maravilhosos; a cultura respirada em ambas, seja no ato que marcou uma época, seja ela retratada pela arquitetura, pela música, pela leitura, enfim, são duas cidades que brigam para não se renderem ao caos.

Duas cidades importantes, maravilhosas, mas que precisam hoje reagir. Poderiam ter agido na formação da sociedade, agido no cuidado com a saúde, agido na segurança pública, agido na oportunidade de escola e trabalho para todos. Não o fizeram. Então, agora, precisam reagir para sair do caos.

Refiro-me ao caos da displicência. Onde estamos todos nós quando vidas são tiradas com tamanha brutalidade e banalidade?

Onde estamos todos nós quando nos deparamos com agressões verbais, físicas ou emocionais e nos calamos?

Onde estamos nós quando a Educação deixa de ser valorizada?

Onde estávamos todos nós quando a escola deixou de ser para todos? Porque não podemos negar; a educação de qualidade é para a minoria. Isso é indiscutível. Infelizmente o que vemos de sucesso em escolas públicas e particulares, e esse sucesso é real, é para poucos. E deveria ser para todos.

De novo, somos todos responsáveis pelo caos.

Ninguém dá o que não tem. Então se não tem, que se crie! Não se oferece educação se nunca a recebeu. Não há mágica; é simples assim: aprende-se com as experiências, na troca com o outro.

Li um artigo que apresenta um dos belíssimos trabalhos desenvolvidos nos Morros do Rio de Janeiro e, por coincidência, no mesmo dia, outro que mostrava a ONG vencedora de um prêmio pela excelência do trabalho prestado em uma comunidade em São Paulo. Ambos acontecem em comunidades desfavorecidas de educação básica, segurança, higiene, saneamento e todas as condições mínimas necessárias para que se possa atribuir o Digna à Vida. Parabéns a esses guerreiros que fazem, que agem. Eles agem, reagindo ao que não foi feito antes. Esses guerreiros acreditam no possível. Esses guerreiros deveriam governar uma nação.

Em outro artigo meu, questionei: por que não se faz uma vez só e bem feito? E aqui estou novamente com a mesma questão: por que não se investe em Educação, Saúde e Segurança com o respeito que todo ser humano merece?

Parece simples: os pais ensinam – ao menos deveriam ensinar -, em casa, na família, a educação que abre as portas para a vida em sociedade e a escola faz a sua parte, ampliando o convívio com os demais, ampliando os horizontes do conhecimento.

A equação é simples: família + escola = EDUCAÇÂO

Educação de respeito, de valorização pela vida.

Outras mágicas: queremos segurança? Ensinemos respeito.

Queremos emprego? Ensinemos a responsabilidade

Queremos escola para todos? Ensinemos a valorizar a Educação.

Queremos qualidade na saúde publica? Ensinemos a prevenção.

Queremos paz? Ensinemos e cultivemos a tolerância.

Queremos justiça? Ensinemos ética.

Queremos limpeza? Ensinemos consciência ambiental.

Queremos falar? Ensinemos a ouvir.

Queremos um país decente? Tenhamos transparência, ética, leis justas, discernimento nas eleições.

Queremos nossos direitos? Façamos nossos deveres.

Queremos cidadãos? Ensinemos cidadania.

Parece simples. Mas não é. Porque não há ética, porque não há respeito, porque não se ensina a ser GENTE! Nasce-se GENTE! Ensina-se gente a ser cidadão.

E enquanto não mudarmos isso, a Cidade Maravilhosa se garante com o privilégio da Natureza e a Terra da Garoa se enriquece atrás de arranha-céus.

E a população? Ah! Essa vai levando, ao invés de ir vivendo! Essa vai aprendendo a perder, porque é o que se tem.

Onde estamos todos nós?

Lígia Fleury
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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Brasil e Finlândia – o abismo | Brasil e Educação – uma batalha?

Lígia Fleury
Recentemente foi publicado o Ranking Internacional de Educação, especificamente sobre o desempenho do Ensino Fundamental, por meio de uma pesquisa da Pearson Internacional.

Para nosso desgosto não há surpresa: entre quarenta países, o Brasil ocupa o trigésimo nono lugar, à frente apenas da Indonésia.

O interessante desses dados é o momento em que são publicados, pois o primeiro colocado, sem surpresa alguma, é a Finlândia, o país menos corrupto de que se tem notícia.

Fazendo a comparação com o Brasil, há que se pensar mesmo que Educação é responsabilidade social, que engloba governo e sociedade civil. Mas parece que isso não importa muito.

Finlândia tem a Educação como primeira responsabilidade. Exige qualificação dos professores, mas oferece a eles essa formação de excelência. Os professores têm o reconhecimento de seu trabalho e se sentem responsáveis pela formação de seus alunos.

No Brasil, não há procura  para os cursos de Pedagogia; os vestibulandos nem cogitam essa área. 

Temos mais vagas que candidatos. Por quê?

1) Professor não é respeitado;

2) Professor tem vários empregos;

3) Professor não tem salário digno;

4) Professor hoje, no Brasil, precisa ser protegido;

5) Escolas, no Brasil, têm grades – liberdade está fora delas?

6) Qualidade de vida do professor é inferior à de outras profissões;

Eu poderia acrescentar outros itens a essa lista, mas vamos analisar outra.

Professor é aquele que:

1) Orienta o aluno a transformar informação em conhecimento;

2) Participa, ativamente, da formação do aluno;

3) Estuda para formar outros profissionais;

4) Dissemina o gosto pela leitura;

5) Apresenta caminhos possíveis para a pesquisa;

6) Trabalha valores éticos no cotidiano;

7) Incentiva os alunos a valorizar suas competências;

8) Busca, nas notícias do dia a dia, a contextualização dos saberes;

9) Tem, como material de trabalho, o HUMANO;

Eu também poderia acrescentar a essa lista outros inúmeros itens, mas acredito que todos tenham comparado ambas. Sugiro a reflexão:

1) Como o profissional que trabalha com os saberes do ser humano pode ser tão desqualificado?

O Brasil só sairá desse lugar vergonhoso quando, ao invés de continuarmos apontando os problemas da Educação, melhorarmos a matriz curricular que forma os professores, oferecermos a eles salário digno compatível com a responsabilidade de formar pessoas, alterarmos a matriz curricular das escolas, ampliando a cultura dos alunos, oferecermos cursos de atualização – sérios, complexos, com docentes competentes – para aqueles que já se formaram.

Outro fator essencial para o país sair desse estado vergonhoso no qual se encontra a Educação, é disseminarmos a tal da ética e o tal do respeito pelos gabinetes políticos, para quem sabe, um dia, talvez, quem sabe, um ou dois dos que lá permanecem – visitam o local -, tenham a decência de propiciar, com o nosso dinheiro, prédios escolares e material adequado para a aprendizagem.

Fica a pergunta: por que nós, brasileiros, não mudamos esse panorama? Qual o orgulho de sermos o penúltimo colocado entre quarenta países no quesito Educação? Eu sinto vergonha… e se isso é uma batalha, proponho trégua, para que o Brasil recupere a dignidade de seu povo. Dignidade começa pela educação!

Até que isso aconteça, vou lutando ao menos para que os analfabetos funcionais consigam sair do lugar de “vaquinhas de presépio” e percebam o que seus representantes políticos estão fazendo em troca de suas cestas básicas…

Até que isso aconteça, o Brasil continuará sim nos últimos lugares da classificação mundial de Educação.

Desde que não seja o último no futebol, parece que tudo bem… Aliás, que mal eu pergunte: a Finlândia disputa a Copa de 2014???


Lígia Fleury - psicopedagoga
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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Políticos – Um convite ao brincar?

Lígia Fleury
Entendo por ética a conduta que expressa consciência moral, referindo-se ao caráter, à conduta humana que denota o bem e o mal.

Nas escolas, normalmente o que se espera, é que ética seja desenvolvida no cotidiano, por meio de ações que exigem a reflexão entre o certo e o errado, a conduta individual que não prejudica o outro, a percepção das condutas que respeitam regras da sociedade para o senso comum.

Temos, infelizmente, uma triste realidade no Brasil e não tenho certeza se todos os senhores políticos a conhecem. Por isso, a exponho. É sobre a Educação, aquele tema que faz parte do tripé que os senhores idolatram apenas em ano eleitoral e prometem mundos e fundos.

Tentem, senhores políticos, lembrar das salas de aula de suas escolas, quando eram alunos e me ajudem nessas respostas, por favor:

1) Havia goteiras na sala de aula?

2) Os banheiros tinham portas, água, sabão, lixo?

3) A merenda era gostosa, nutritiva?

4) Os professores eram respeitados?

5) Havia biblioteca?

6) Esporte era importante?

7) Pais participavam do cotidiano escolar?

8) Professores tinham qualidade em sua formação?

9) O holerite do professor causava orgulho ou vergonha?

10) A imprensa denunciava descaso com a Educação?

Talvez eu consiga imaginar suas respostas e, se eu estiver correta, espero que sintam-se envergonhados ao menos para si mesmos. Sou brasileira, não desisto nunca; preciso acreditar que nem todos os senhores riem do povo ao se olharem no espelho!

Acredito muito que “quem não ajuda, não atrapalha”. Mas a maioria dos senhores, além de não ajudar em absolutamente nada para que possamos melhorar a aprendizagem de nossos alunos, atrapalham muito. 

Vejam:

Como fica o professor quando precisa refletir a ética com seus alunos em uma situação de desrespeito entre os colegas? Imaginem o debate nessa sala sobre idoneidade, respeito, caráter, a importância de todos se respeitarem, quando alguém lembra que somos o país do “jeitinho”, da corrupção?

Em 27 de fevereiro, fomos brindados com as ofensas na Câmara dos Deputados, quando um dos senhores se dirige ao colega como “canalha”. 

Acreditam mesmo que a população não lê jornais, não ouve notícias, não acessa internet? Podem lembrar, por um instante ao menos – pode ser no momento que recebem seu holerite – que em seu trabalho representam um povo que os elegeu?

Que saia justa para o professor! Naquele momento, além de ser educador, precisa ser SUPER HOMEM, para recorrer a algum super poder e sair dessa situação com categoria! Além de Professor, é também Herói!

Na nossa jornada de múltiplos papéis em uma única profissão – educadores, heróis, mágicos e artistas circenses entre outras tantas -,sim, a escola às vezes se assemelha ao circo, somos também equilibristas, sem o sermos.

Em uma conversa sobre caráter, princípios e política, acredito que se faça necessário debater pontos da História que ilustrem nosso atual sistema político. Com a informação ao alcance dos alunos, algum sempre questiona: 

“Mas e a ficha limpa? A do senhor fulano de tal é bem mais suja que a minha aqui na escola; ele está lá e a punição dele foi ser empossado apesar de todas as denúncias que pairam sobre ele no quesito corrupção? E eu tenho que ser ético?…” ou ainda “ A escola está falida; nem o presidente completou seus estudos!”… 

Sim, vocês, nós, temos que ser éticos, temos que estudar, temos que nos unir para garantir o bem comum e contribuirmos para a melhora da Educação.

Outro rico momento na escola é o debate sobre a sexualidade, o respeito ao próprio corpo e ao outro, os cuidados com a saúde, sempre associado a princípios e valores. No auge da reflexão, vem a pérola : “Mas tem político aí dizendo estupra mas não mata!”

Mudamos o foco e resolvemos discutir a importância da leitura e da escrita. Lá vem outra: “Sou filho de mãe que nasceu analfabeta”. Essa frase, tendo sido dita por um Presidente da República que sequer concluiu seus estudos, mas chegou lá, transforma a aula, naquele momento, em um circo! Óbvio!

Mágico também, quando percebe que precisa sobreviver com aquele holerite.

¹ “O congressista brasileiro é o segundo mais caro em um universo de 110 países. É o que aponta estudo realizado em 2012 pela Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com a UIP (União Interparlamentar), divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo.”

Já fizeram as contas de quantos holerites de professores cabem em único dos senhores? Cálculo mental, mas com tantos zeros nos dos senhores, será permitido o uso da calculadora.

O aluno chega à escola com fome porque em casa não havia comida para todos. Espera a merenda; mas não tem nem cozinha! Merenda? Já fizeram a licitação?

Vou lhes contar algo que não é segredo, mas talvez não tenham tido tempo para saber. A aprendizagem, para acontecer, depende de saúde física. Corpo alimentado tem mais chances de produzir um cérebro pensante. Essa receita é boa, podem acreditar!

Início do ano, retorno das férias. Professores e alunos se encontram no primeiro dia de aula letivo. Aula? A sala tem um buraco na parede, o banheiro é um esgoto a céu aberto, o telhado não tem telhas… Licitação para reparos?

Chove no Senado? Na Câmara? Na Assembleia?

Como são os banheiros desses locais de trabalho?

Há paredes entre os gabinetes?

Mas vamos então brincar de “trocar de lugar”. É simples assim: cada um dos senhores monta seu gabinete em uma escola que será selecionada pela sociedade e “despacha” por lá apenas por uma semana. Os alunos daquela sala ficarão, nesse período, em uma sala do prédio do seu trabalho.

Para a brincadeira ter graça, os alunos e os professores serão transportados pelos carros que os senhores utilizam, com seus motoristas e os senhores irão à escola ou a pé ou com o transporte público.

Então, para que a brincadeira seja um momento de aprendizagem, o seu holerite será trocado com o do professor. E não vale pedir empréstimo. Tem que se virar por trinta dias, combinado?

Para dar certo, vou dar-lhes algumas dicas:

1) O sono alimenta, então durmam bem porque passarão fome na escola;

2) Utilizem o banheiro antes e depois de sair de casa, é mais higiênico;

3) Se for tempo de chuva, levem guarda-chuva para a sala de aula;

4) Não levem aparelhos tecnológicos, porque não poderão utilizá-los – faz parte da brincadeira os direitos iguais. Levem caderno e caneta porque lá não tem.

Pronto! Já será uma experiência e tanto. Já pensaram chegar em casa e contar aos filhos o orgulho que sentiram por serem brasileiros?

Depois dessa semana, se não fizerem absolutamente nada para mudar essa pouca vergonha que chamam de Educação…

Então, como seria só uma brincadeira porque, tenho certeza, não concordariam em brincar de ser brasileiro, ao menos não nos atrapalhem!

Permitam que nós, Educadores, façamos nosso trabalho com dignidade.

Permitam que o dinheiro dos impostos que nós, contribuintes, pagamos, vá para a qualidade da Educação. Não se intrometam em áreas que desconhecem.

E, acima de tudo, não nos envergonhem com escândalos.

A dica para que sejam lembrados por políticos que fizeram bem o seu trabalho é simples assim. Deixem a Educação crescer, permitam que nossos alunos cresçam em conhecimento, que os professores sejam APENAS (não imaginam como esse APENAS é enorme) professores bem qualificados, sem que concomitantemente sejam mágicos, heróis, equilibristas. 

Há profissionais especializados para essas outras profissões. É uma questão de “cada um no seu quadrado”. Propiciem que recursos financeiros – eles existem e sabemos disso – sejam utilizados com recursos físicos, materiais e profissionais, não para o benefício próprio, mas para o da sociedade.

Pensem que se melhorarmos o nível de Educação poderemos deixar de ocupar os últimos lugares entre os países que investem nos seus cidadãos e têm bons resultados, para sermos os primeiros. Eu sei que isso os assusta, porque estaremos investindo em seres pensantes, críticos e audaciosos, que poderão sempre questionar a ação dos políticos, as verbas…

Mas os senhores farão história. Uma história digna. Na minha opinião, uma história que enobrece.

Sou brasileira, mas não ingênua.

Então, se não querem fazer algo para mudar essa história que hoje nos envergonha, ao menos não nos atrapalhem. Cuidem de suas palavras e de suas ações. Isso já fará a diferença na sala de aula.

A Educação agradece.

Lígia Fleury psicopedagoga, palestrante, assessora pedagógica educacional, colunista
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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos o Plano Nacional de Educação

Foi aprovado nesta manhã de terça-feira (28/05) pela Comissão de Assuntos Econômicos o relatório favorável do senador José Pimentel (PT-CE) ao Projeto de Lei da Câmara (PLC 103/2012), que trata do Plano Nacional de Educação. 

Alguns senadores afirmaram que devem discutir melhor a matéria nas próximas comissões.

Segundo o texto aprovado, o Plano destina 10% do produto interno bruto para políticas educacionais e estabelece uma série de obrigações para serem cumpridas no setor nos próximos dez anos. 

Dentre as medidas estabelecidas estão a erradicação do analfabetismo, o oferecimento de educação em tempo integral e os prazos máximos para alfabetização de crianças.

O relator acatou 83 emendas que foram apresentadas ao projeto, e se ateve principalmente a questões econômicas da proposição, optando por incorporar ao Plano parte das disposições do PL 5.500/2013, que destina 100% dos royalties do petróleo para a educação e mais 50% do Fundo Social do petróleo extraído da camada pré-sal. 

Esse segundo projeto também está em tramitação na Câmara.

A proposta será ainda analisada pelas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania e de Educação, Cultura e Esporte, antes de ser votada em Plenário.

Clique aqui e veja a proposta (PLC 103/2012),).

Fato Notório
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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Melhores cursos do mundo: 19 universidades brasileiras aparecem em ranking

Unicamp aparece com cursos entre
os melhores. Usp também integra
 lista. Veja relação completa no
site do QS
A disciplina de agricultura e silvicultura da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi escolhida a 19º melhor do mundo segundo o ranking mundial por disciplinas QS 2013. Além deste, filosofia aparece em 44º lugar. 

A Universidade de São Paulo (USP) também aparece na lista, com cinco cursos entre os 50 melhores. No total, são 19 brasileiras com cursos entre os 200 melhores do planeta.

A USP aparece com os cursos de agricultura e silvicultura (24º lugar), filosofia (41º), estatística e pesquisa operacional (41º), educação (45º) e comunicação e mídia (48º). A Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), também com agricultura e silvicultura, aparece em 47º lugar.

Dezenove universidades brasileiras ficaram nos top 200 em pelo menos 30 disciplinas incluídas na pesquisa. No restante da América Latina, o Chile contou com oito instituições nos top 200, a Argentina teve cinco, o México quatro e a Colômbia duas.

Do Brasil, além das três estaduais de São Paulo, aparecem: PUC-SP, Federal de São Carlos (UFScar), Federal de São Paulo (Unifesp), Fundação Getúlio Vargas (FGV), Federal Fluminense (UFF), do Rio de Janeiro (UFRJ), PUC-Rio, Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Federal de Minas Gerais (UFMG), de Viçosa (UFV), de Lavras (UFLA), de Santa Catarina (UFSC), do Paraná (UFPR), de Londrina (UEL), do Rio Grande do Sul (UFRGS) e de Brasília (UnB).

No topo do ranking aparecem as universidades de Harvard (com 10 disciplinas em primeiro lugar), MIT (7), Universidade da Califórnia em Berkeley (4), Oxford (4), Cambridge (3), Imperial College London (1) e Universidade da Califórnia em Davis (1).

“O sucesso do Brasil reflete uma evolução em seu perfil internacional e o impacto da pesquisa, impulsionados principalmente por um maior investimento em pesquisa e desenvolvimento”, afirmou Bem Sowter, diretor de pesquisa da QS.

O ranking baseia-se em pesquisas com mais de 70 mil acadêmicos e empregadores, em citações de pesquisas e no novo medidor de impacto de pesquisas “H-Index”. O ranking completo (em inglês) está disponível no site do QS.

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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Agente somos adevogados

Não é de hoje que a qualidade dos cursos de direito no Brasil é colocada em xeque. Inúmeros são os culpados, e raras as soluções. 

Busca-se culpar o governo, que não controla o número de faculdades implementadas em território nacional. 

Alguns dizem que a culpa maior é da OAB que usa a prova para controlar o mercado. Enfim, as desculpas são as mais variadas possíveis.

Pois bem, é inegável que existem falhas em todos os níveis educacionais, pois um advogado que escreve “agente vai” certamente teve uma educação básica extremamente deficitária. 

Ao que tudo indica, o vestibular da universidade que ele entrou não exigiu um conhecimento pleno da língua portuguesa, uma vez que um candidato à carteira cor de rosa que comete um erro grosseiro como esse não deveria sequer ser aprovado no vestibular.

Mas foi aprovado, fez cinco anos de faculdade e ainda assim fala ponhá, querê e outras atrocidades. Com isso podemos concluir duas verdades inegáveis: o aluno é um baita de um preguiçoso que não lê nada, e os professores são relapsos e não estão preocupados com nada além de receber o salário no fim do mês.

Um estudante, independente do curso que tenha escolhido, tem por obrigação ler vários e vários livros, revistas, jornais e até mesmo revistas em quadrinhos, se for o caso. 

Não é pra ler só na hora que vai ao banheiro. Estudantes têm que criar o hábito da leitura, têm que saber ler, têm que saber interpretar um texto de algumas linhas. 

E é cediço que quem lê aprende novas palavras, enriquece o vocabulário e fica rico mais rápido. Tá, essa terceira é mentira, mas seria bom se fosse verdade. Observação: a palavra cediço eu aprendi lendo petições antigas.

Passemos agora aos professores. Um professor que, ao corrigir uma prova, deixa passar um “agente”, não no sentido de policial, ou um “fazê” merece uma surra com vara de marmelo. 

Das duas uma, ou o elemento também desconhece a língua portuguesa, e por esse motivo nem deveria ser professor, ou então é um relapso que não sabe o real significado da palavra professor.

Não é porque o cidadão está lá dando aula de direito tributário que ele não pode corrigir um “mais no lugar de um mas” e assim por diante. O ensino no país é deficiente, os alunos são em sua maioria preguiçosos e a OAB pouco faz para que essa situação melhore. 

Esse conjunto de fatores faz com que cada dia mais as universidades brasileiras despejem profissionais mal preparados no mercado de trabalho, e, para a nossa tristeza, isso reflete em toda a sociedade.

Como disse no começo do texto, muitos são os culpados e poucas são as soluções, mas para não dizer que não tento ser um cara legal e que busco o desenvolvimento da sociedade como um todo, vou dar aqui a minha solução para que os estudantes tenham ao menos um conhecimento melhor da língua portuguesa: é só criar um joguinho no Facebook e outro no Twitter, já que a galera anda trocando os livros pelas redes sociais

Livan Pereira/ Última Instância
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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Compete à Justiça Federal ação sobre credenciamento e diploma de curso superior a distância

É da Justiça Federal a competência para julgar ação sobre credenciamento de instituição particular de ensino superior à distância pelo Ministério da Educação (MEC), bem como sobre a expedição de diploma por estas instituições aos estudantes. 

A decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) foi tomada no rito dos recursos repetitivos. 

A Seção analisou dois recursos especiais – do estado do Paraná e de uma estudante de curso oferecido pela Faculdade Vizinhança Vale do Iguaçu –, ambos contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). 

O tribunal considerou que a União não tem legitimidade para compor o polo passivo de ação relacionada à expedição de diploma de curso superior a distância, uma vez que não teria havido a mínima participação do referido ente público no processo de registro dos diplomas. 

O estado do Paraná argumentou que, sem a participação da União na demanda, não seria possível que a estudante obtivesse o registro do diploma de conclusão de curso válido, o qual, em seu entendimento, não é de responsabilidade da instituição de ensino, mas do ente federal. 

Instituição e aluno

Com base em precedente da Primeira Seção do STJ (CC 108.466), o ministro Mauro Campbell Marques, relator dos recursos especiais, afirmou que as demandas relacionadas a contrato de prestação de serviços firmado entre instituição de ensino superior e aluno, desde que não se trate de mandado de segurança, são de competência da Justiça estadual. 

Em contrapartida, afirmou que, sendo mandado de segurança ou referindo-se a demanda ao registro de diploma no órgão público competente – ou ainda ao credenciamento da instituição pelo MEC –, “não há como negar a existência de interesse da União no feito, razão pela qual, nos termos do artigo 109 da Constituição Federal, a competência para processamento será da Justiça Federal”. 

Segundo Campbell, o entendimento da Seção também deve ser aplicado aos casos de ensino a distância. “Nos termos do artigo 80, parágrafo 1º, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, o credenciamento pela União é condição indispensável para a oferta de programas de educação a distância por instituições especificamente habilitadas para tanto”, disse. 

Assim, de acordo com o ministro, em se tratando de demanda em que se discute credenciamento da instituição de ensino superior pelo MEC como condição de expedição de diploma aos estudantes, é inegável a presença de interesse jurídico da União. Por essa razão, reconhecendo o interesse jurídico da União na demanda, os ministros da Primeira Seção deram provimento a ambos os recursos.

STJ
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domingo, 28 de abril de 2013

“Hoje, o meu dia mais triste: desisti de ser professor do Estado”

Professor abandonou as aulas
por não conseguir se sustentar

(Foto: Reprodução/Géledes)
“Meus alunos me surpreenderam no dia mais triste de minha vida como professor, eles choraram a minha desistência: ‘professor, não nos abandone!’”

Hoje tive o dia mais triste como professor. Não estou me referindo a nenhuma indisciplina ou necessariamente a baixo rendimento escolar de meus alunos.

SOLICITEI A MINHA DISPENSA NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS e fui surpreendido pelos meus alunos.

Como sou muito exigente, muitas vezes coloco fardos pesados sobre meus alunos. Acreditava que a minha saída na transição dos bimestres seria encarada apenas como mais uma das tantas mudanças corriqueiras que ocorrem na Escola.

Estava enganado. Fui surpreendido pelo choro mais desolador que já vi em toda a minha vida. Minha maior tristeza foi pensar que eu poderia ser responsável por esse choro.

Jamais pensei que meus ALUNOS DA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS fossem chorar por minha saída.

Preocupado com o que eu diria para eles como motivo, preferi a verdade. ESTOU SAINDO PORQUE NÃO CONSIGO ME SUSTENTAR NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS. Como são crianças, muitas não entenderam o que eu queria dizer e me responderam novamente com o choro mais desolador que já vi ou causei em toda a
minha vida.

“PROFESSOR NÃO NOS ABANDONE”!

A criança não entende a opção que nós professores fazemos quando abandonamos a sala de aula. Uma de minhas alunas gritou: “Vou me mudar para a escola onde o senhor vai continuar como professor”. Nessa hora engasguei o choro e me perguntei como poderia ser isso? Se a maioria de nós no Brasil e na REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS não dispomos de recursos para bancar o ensino privado.

Algumas crianças se puseram na porta e tentavam impedir minha saída, sem palavras e assustado com o choro e o pedido de que não as “abandonasse”, restou-me recolher na solidão de meu objetivo racional e deixar a sala com crianças chorosas como nunca vi a se despedirem com o olhar que jamais esquecerei, do professor que NÃO CONSEGUIU SE SUSTENTAR NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS.

Eu poderia recolher-me na vaidade, em pensar que sou um bom professor e que vou conseguir o melhor para mim.

Entretanto, sei que hoje a exemplo do que ocorreu comigo, DEZENAS DE OUTROS PROFESSORES DEIXARAM A REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS POR NÃO CONSEGUIREM SE SUSTENTAR, ASSIM COMO TAMBÉM DEZENAS DE CRIANÇAS CHORARAM AO SE DESPEDIREM DE SEUS PROFESSORES.

Resta-me na revolta implorar a todos os mineiros e brasileiros que lerem essa carta.

PELO AMOR DE DEUS! NÃO ACREDITEM NA EDUCAÇÃO FAZ DE CONTA DO GOVERNO DE MINAS GERAIS. O ESTADO FAZ DE CONTA QUE REMUNERA SEUS PROFESSORES, PROFESSORES INFELIZMENTE FAZEM DE CONTA QUE ENSINAM, ALUNOS FAZEM DE CONTA QUE APRENDEM E ATORES GLOBAIS FAZEM DE CONTA QUE FALAM DA MELHOR EDUCAÇÃO DO PAÍS.

O episódio dessa carta ocorreu NO DIA 18 DE ABRIL DE 2013 NA ESCOLA ESTADUAL BARÃO DO RIO BRANCO EM BELO HORIZONTE. Infelizmente ocorreu também em dezenas de Escolas do Estado de Minas Gerais.

ENQUANTO O GOVERNO DE MINAS PAGA MILHARES DE REAIS A ATORES GLOBAIS PARA MENTIREM SOBRE A EDUCAÇÃO NO HORÁRIO NOBRE, NOSSAS CRIANÇAS CHORAM OS SEUS PROFESSORES QUE ESTÃO SAINDO PORQUE NÃO CONSEGUEM MAIS SE SUSTENTAR NO ESTADO.

Prof. Juvenal Lima Gomes
EX-PROFESSOR DA REDE PÚBLICA ESTADUAL DE MINAS GERAIS

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Carta aberta à atriz global Débora Falabella: a verdade sobre a educação de Minas Gerais

Abaixo, transcrevemos carta do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais endereçada à atriz Débora Falabella em resposta à campanha publicitária mentirosa veiculada pelo Governo de Minas em horário nobre e que tem a atriz como protagonista.
Prezada Débora Falabella,
Débora Falabella
Às vezes vale a pena recusar alguns trabalhos apenas para não decepcionar milhares de fãs.
Às vezes vale a pena procurar mais informações sobre o personagem que você irá representar.
Milhares de professores, alunos e comunidades foram extremamente prejudicados pelo governo de Minas Gerais em 2011 e o que você afirma através das peças publicitárias não corresponde à realidade.
No sentido de informá-la da real situação da educação mineira, apresentamos informações:
– O Governo mineiro investe apenas 60% do total dos recursos que deveria investir em educação. O restante vai para fins previdenciários;
– Desde 2008, há uma diminuição do investimento do governo estadual em educação;
– No que se refere à qualidade da educação, o Estado de Minas Gerais tem resultado abaixo da média da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE);
– Apenas 35% das crianças mineiras até cinco anos frequentam estabelecimentos de ensino em Minas Gerais. Onde está o direito à educação de 65% destas crianças?

A realidade do Ensino médio é igualmente vergonhosa:

– nos últimos 6 anos houve uma redução de matrículas no Ensino Médio de 14,18%;
– O passivo de atendimento acumulado no ensino médio regular entre 2003 e 2011, seria de 9,2 milhões de atendimentos. Isso quer dizer que nem todos os adolescentes tiveram o direito de estudar garantido;
– Minas Gerais, comparativamente à média nacional, tem a pior colocação em qualidade da escola: 96% das escolas não têm sala de leitura, 49% não têm quadra de esportes e 64% não têm laboratório de ciências

Os projetos e programas na área da educação são marcados pela descontinuidade e por beneficiar uma parcela muito pequena de alunos.

Veja:
– O Projeto Escola de Tempo Integral beneficiou 105 mil alunos, num universo de 2,5 milhões de alunos;
– O programa professor da família não atinge as famílias mineiras que necessitam de ajuda e tampouco é feito por professores, mas por pessoas sem a formação em licenciatura;
– O Estado não tem rede própria de ensino profissionalizante, repassando recursos públicos à iniciativa privada.
A respeito dos dados sobre o sistema de avaliação, é importante que saiba que são pouco transparentes, com baixa participação da comunidade escolar e ninguém tem acesso à metodologia adotada para comprovar a sua veracidade.
Quanto à valorização dos profissionais da educação relatada nas peças publicitárias, a baixa participação em inscrições para professor no concurso que a Secretaria de Estado realiza comprova que esta profissão em Minas Gerais não é valorizada.
O Governo de Minas não paga o Piso Salarial Profissional Nacional, mas subsídio. Em 2011, 153 mil trabalhadores em educação manifestaram a vontade de não receber o subsídio. Ainda assim o Governo impôs esta remuneração.
Em 2011 o governo mineiro assinou um termo de compromisso com a categoria se comprometendo a negociar o Piso Salarial na carreira. Mas o governo não cumpriu e aprovou uma lei retirando direitos, congelando a carreira dos profissionais da educação até dezembro de 2015.

Compromisso e seriedade com os mineiros são qualidades que faltam em Minas Gerais.

Todas as informações são comprovadas por dados publicados pelo próprio governo estadual e estão à sua disposição. Por fim, a convidamos para conhecer uma escola estadual mineira para comprovar que o personagem das peças publicitárias não corresponde à realidade em Minas Gerais.

PS do Blog da Dra. Edileuza: Este fato aconteceu em Minas Gerais, porém com certeza também esta acontecendo no Pará e na  maioria absoluta dos Estados  e Municípios brasileiros.

Fonte: Pragmatismo Político
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