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sábado, 11 de janeiro de 2014

No Maranhão, todos eram cegos, surdos e mudos

No presídio situado nas terras do Ducado dos Sarney morreu um, dois, dez, vinte, trinta. Morreram assassinados e os corpos, mutilados, foram retirados do presídio. Mas, como em um espetáculo de mágica, ninguém viu. Todos os agentes públicos eram cegos.

Ninguém também ouviu coisa alguma. Todos os agentes públicos eram cegos e surdos. Como também eram mudos, ninguém falou nada.

Sendo cegos, surdos e mudos, ninguém sabia de nada. Nem os funcionários do presídio nem a alta cúpula da administração do Maranhão.

No dicionário da língua portuguesa “maranhão” significa “mentira bem engendrada”.

No caso, o silêncio absoluto sobre as mortes violentas assumiu os ares de uma mentira bem engendrada. Mas os fatos macabros, em elevado número, acabaram vindo à tona. O clã dos Sarney, embora tenha realizado esforço descomunal, não conseguiu mantê-los ocultos, apenas retardou a divulgação e o domínio público.

No Maranhão, só depois das 60 mortes no ano que findou e do relatório do Conselho Nacional de Justiça, foi possível o país tomar ciência da tragédia de dor e sangue que vinha ocorrendo sob as barbas e total inércia da cúpula da administração estadual.

NÃO TEM JEITO

Toda a nação tem a impressão que no Maranhão é assim mesmo, não tem jeito. O Maranhão é recordista absoluto (olímpico) da pior renda per capita do país. Chega em segundo no pior IDH estadual. Saneamento básico, ninguém do povo sabe o que é.

Porém, todos sabem que se nada mudou em cinquenta anos de domínio do clã Sarney, nada irá mudar… Faz bem para a saúde deixar tudo para lá…

O governo federal e o estadual estão muito ocupados com o momento político, afinal, este é um ano de eleições e, acima de tudo, o poder deve ser mantido. Por esta razão, não tiveram tempo para agir ou ficar, nem um pouquinho, chocados com cenas de cabeças rolando entre corpos dilacerados. Afinal, as carnes retalhadas eram de pouca importância, meros presidiários.

O governo Roseana Sarney insistiu e continua a insistir em acusar até mesmo relatório oficial do Conselho Nacional de Justiça de difundir “inverdades”. O governo da presidenta Dilma para, ouve, nada faz.

Aparentemente, não toma partido. Mas, ao assim proceder, passa a impressão de que tomou partido de dois poderosos aliados políticos: o o clã Sarney e o PMDB.

E essa impressão poderá estar maculando o currículo da velha guerrilheira que, segundo é de conhecimento público, na juventude, pegou em armas para combater a injustiça. O tempo mudou Dilma?

Celso Serra
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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

MANDELA NELES!

A ideia inicial era dedicar esse espaço ao legado de Mandela, uma entidade pública que compreendeu, melhor do que nenhuma outra, a potencialidade do esporte como instrumento de construção de conciliação e fraternidade de um povo. 

      Ele não só entendeu como se dedicou a esse intento e teve sucesso em um país à beira do abismo de uma guerra civil racial. Mas muito já se homenageou aquela tempestade sorridente de homem – como os senadores aqui ao lado. E toda menção, seja aqui ou além do Atlântico, tem razão e mérito.

Mas grita mais alto o país do futebol, a pátria de chuteiras, a sede da Copa. Nos últimos dias, duas passagens se destacaram nesse meio-de-campo. Como pode uma imagem de herói nacional virar pó (não é trocadilho)? É a sanha por grana que transformou Ronaldo? O apetite que tinha por gol parece ter se deslocado para novos contratos. 

Desde que foi coroado “embaixador do mundial” ou algo que o valha ele não dá uma dentro. Atestado disso é a entrevista que deu ao repórter Thiago Nogueira, na semana passada, no britanizado “Final Draw” baiano. Ronaldo tornou-se um sujeito reativo, daqueles que respondem já justificando qualquer suposição ou receio, mesmo quando a pergunta é neutra.

Foi assim, da mesma forma babaca que o ex-craque explicou em coletiva que estrangeiros não entendem o “jeitinho brasileiro”, nossa forma peculiar de cumprir compromissos públicos. Em outro idioma, ele passou o atestado de incompetência para o mundo ao tratar dos atrasos nos cronogramas dos estádios.

A NOIVA ATRASADA…

Paralelamente, Aldo Rebelo, a autoridade pública presente, solta a infeliz metáfora da noiva que atrasa, mas não compromete o casamento. Depois, Blatter, o cartola-mor, reza a Deus e a Alá para que não ocorra outro acidente como o que vitimou dois operários e parte da cobertura do Itaquerão. 

Aliás, tal como essas falas recheadas de ciência e seriedade, o futuro estádio do Corinthians é o símbolo do trato correto da coisa pública na organização da Copa: fiaram-se em um lote vago como cenário da abertura.

E, para fechar o fim de semana, o episódio dantesco na arquibancada de Joinville – cidade catarinense escolhida pelo Atlético Paranaense mandar um jogo contra o carioca Vasco. As desventuras em série começam por esse arranjo geográfico esquisito. As cenas horrorosas correm o mundo, apesar da indisposição das maiores emissoras de TV. É mais um atestado de incompetência do país da Copa.

Torcedor-mafioso briga mesmo, quebra o pau, é essa a razão de eles existirem. Mas bandido medieval se trata com a coerção da lei, do estado de direito, certo? Como atleticanos e vascaínos brigaram por tanto tempo sem um policial entre as hordas? Agora, ficam o Ministério Público e a Polícia Militar de Santa Catarina apontando o dedo um para o outro.

Da arquibancada ao presidente da República, todos devem ter uma lição como Mandela. Esporte não deveria combinar com crimes, tragédias e malversações. 

João Gualberto Jr. (transcrito de O Tempo)
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sábado, 2 de novembro de 2013

Black blocs incendeiam a campanha

CINZAS
Caminhão-cegonha e carros incendiados 
em protesto, em São Paulo 
A 11 meses da eleição presidencial e para governadores de Estado, os brasileiros estão diante de um problema tão difícil de definir quanto de resolver – a “baderna,” também chamada de “vandalismo”, praticada pelo grupo que se define como “ Black Blocs.” 

Os protestos de junho e todas as mobilizações posteriores comprovaram que os métodos tradicionais do Estado brasileiro para garantir a liberdade política dos cidadãos sem comprometer a defesa da ordem e da lei necessitam de uma reforma urgente e ampla. 

O recurso automático de convocar soldados da Tropa de Choque para assegurar a paz das ruas com base na pura violência revelou-se um fracasso já nos primeiros dias, levando a diversos atos de repúdio por parte da sociedade. A atitude seguinte, de baixar a guarda e aceitar o que parecia um nível tolerável de baderna, só estimulou novos atos de violência civil e desmoralização da polícia. 

Depois de quebrar vidraças, automóveis e estações de metrô, a agressividade de civis mascarados atingiu o ponto culminante há duas semanas, quando um coronel da PM foi espancado no centro de São Paulo. Na cena seguinte, um estudante da periferia foi executado com um tiro no peito por um soldado da mesma PM. 

Em reação, integrantes do PCC – por que perderiam a oportunidade? – incendiaram caminhões e ônibus, além de bloquear uma rodovia federal, a Fernão Dias. Vinte e quatro horas depois, mais uma morte e novos bloqueios. Repetindo uma postura que já assumira na primeira semana de protestos, a presidenta Dilma Rousseff elevou o tom na semana passada: “Defendo qualquer manifestação democrática. Agora, acredito que a violência dos mascarados não é democrática, é antidemocrática, é uma barbárie, e tem de ser impedida.” Os black blocs entraram de vez na campanha.


Por determinação da presidenta, na semana passada, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, encontrou-se com Fernando Grella, secretário de Segurança de São Paulo, e Mariano Beltrame, titular do mesmo posto no Rio de Janeiro. 

Num reflexo das dificuldades para se travar uma discussão dessa natureza, ainda mais com uma eleição no horizonte – quando ninguém quer se arriscar com medidas capazes de dificultar a busca de votos – no final foram anunciadas medidas razoáveis, previsíveis e triviais. 

Cardozo disse que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tentará rastrear responsáveis pela baderna. Grella pediu um agravamento na pena de prisão de manifestantes violentos. 

Beltrame lembrou que é preciso oferecer uma resposta equilibrada ao assunto. “Nosso foco é a ordem, sem a ordem não há democracia. Mas esse problema não vai se resumir a um policial fardado, precisa ser enfrentado também por outros atores”, afirmou.


Para Carlos Ranulfo, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), “as manifestações violentas não têm legitimidade, porque agridem o Estado de Direito, e os governadores irão se desgastar se não souberem reagir”, afirma o professor, lembrando que, para a maioria dos brasileiros, a violência é um problema de responsabilidade dos governos estaduais e não do governo federal. 

Em Pernambuco, Estado de Eduardo Campos, o secretário de Defesa Social Wilson Damázio transformou-se num ídolo local ao fazer a violência recuar. 

Damázio alterou o protocolo de atuação da polícia para impedir mascarados de protestarem nas ruas e garantiu que, antes de cada manifestação, a tropa de choque revistasse mochilas. “A polícia foi orientada a proteger os transeuntes e manifestantes pacíficos e a deter quem danifica patrimônio público e privado, afirma Damázio.


Naturalmente, não se trata da única mudança possível. A violência da PM contra a população civil é uma tragédia conhecida, que alimenta uma roda sem-fim de agressões. O Congresso começou a discutir dois projetos sobre o assunto. 

No Senado, debate-se uma emenda constitucional para desmilitarizar as PMs, medida que, conforme a imensa maioria dos estudiosos, poderia contribuir para que abandonem as práticas herdadas do regime militar para submeter-se às regras da democracia. 

Outro projeto, número 4.471/12, exige uma investigação formal e rigorosa diante de toda morte ocorrida em confrontos com a PM, eliminando os tristemente célebres “autos de resistência seguida de morte” que costumam acobertar execuções sumárias. O eleitor terá a chance de saber quem, em ano eleitoral, irá fazer este debate. 

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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Manifestantes invadem plenário da CCJ da Câmara

A invasão de um grupo de manifestantes levou o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, deputado Décio Lima (PT-SC), a suspender nesta terça-feira (3) as atividades da comissão por falta de segurança.

Os manifestantes são sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) que protestavam contra a possível votação do projeto que permite às empresas terceirizar funcionários.

Os manifestantes que invadiram o plenário da comissão faziam parte de um grupo de 40 sindicalistas que tinham sido autorizados pela polícia legislativa a ingressar no prédio da Câmara. Outras dezenas de sindicalistas foram barradas do lado de fora do prédio da Câmara pelos seguranças.

Na tentativa de se impedir o acesso dos sindicalistas, um conflito chegou a ocorrer, e policiais tiveram de utilizar spray de pimenta para conter os manifestantes.

Segundo o diretor da Polícia Legislativa, Paulo Marques, o grupo que invadiu o colegiado estava do lado de fora do plenário aguardando autorização para acompanhar a sessão. 

No entanto, informou o diretor, eles decidiram forçar passagem frente aos seguranças, que não conseguiram conter os sindicalistas.

No momento da invasão, alguns parlamentares deixaram o recinto às pressas. Diante da confusão, Décio Lima decretou o fim da sessão.

“Visivelmente, as pessoas estavam no limite da passionalidade. Eu tinha de garantir a integridade física”, justificou o petista.

O presidente da CCJ afirmou que não pretende colocar o projeto da terceirização em pauta até que se construa um acordo com as centrais sindicais. 

Décio Lima, porém, ressaltou que se algum dos integrantes do colegiado apresentar um requerimento sugerindo a inclusão da proposta na pauta ele terá de submeter ao plenário.

“Por determinação deste presidente, não pautarei, a não ser que reúna condições de acordo com os trabalhadores. Mas existe a possibilidade de inclusão de requerimento extra pauta”, disse.

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, a invasão do plenário foi consequência da suposta violência utilizada pelos policiais para impedir a entrada dos sindicalistas no Legislativo. 

Freitas reclamou que, além do spray de pimenta, os policiais teriam utilizado cassetetes para reprimir a manifestação.

“A violência não ajuda. Aqui só tem trabalhador. Utilizar gás de pimenta e cassetete é lamentável. Quero registrar o protesto da CUT contra a truculência que gera truculência. Mas, para nós, foi uma vitória. A CCJ cancelou a votação. Queremos que seja arquivado. O projeto é nocivo para os trabalhadores”, ponderou.

O diretor da Polícia Legislativa nega que os policiais tenham usado cassetetes contra os manifestantes. Marques relatou que durante o tumulto um policial foi atingido por uma pedra e teve de ser socorrido pelo departamento médicos da Casa.
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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Onde está Welbert?

Cláudio Puty
A Anistia Internacional lançou, na semana passada, uma campanha para exigir das autoridades brasileiras uma solução para o desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, que não é visto desde o último dia 14 de julho, quando estava sob custódia da polícia em uma favela carioca. 

Dez dias depois do desaparecimento de Amarildo, a 2.646 quilômetros do Rio de Janeiro, no município de São Félix do Xingu (PA), o tratorista Welbert Cabral Costa, de 26 anos, teria sido assassinado no interior da fazenda Vale do Triunfo, pertencente ao Grupo Santa Bárbara. Welbert tinha mulher e quatro filhos pequenos.

Denúncia da Comissão Pastoral da Terra (CPT), da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Pará e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) diz que uma testemunha presenciou um empregado da fazenda disparar um tiro na nuca do tratorista. 

O motivo para esse crime bárbaro seria um desentendimento envolvendo direitos trabalhistas. Welbert voltara ao local onde trabalhara para reclamar R$ 18 mil, referente ao período de licença em razão de um acidente. Foi morto, friamente, nos moldes de uma execução extrajudicial. Até agora seu corpo não foi encontrado.

A violência que se abateu sobre Welbert é reveladora do cenário de cangaço que domina o campo brasileiro e que vem crescendo num ritmo ‘amazônico’ em razão do modelo concentrador do agronegócio – que a CPT denomina “neocolonialismo” – que ali se impôs desde a época da ditadura. 

Esse modelo avança sobre novas áreas, sobretudo no Estado do Pará, num ritmo de “acumulação primitiva de capital”, como Marx definia os primórdios selvagens do capitalismo em expansão.

O relatório Conflitos no Campo Brasil em 2012, da CPT, traça um quadro preciso das consequências do avanço deste modelo. O estudo aponta que, entre 1996 e 2010, 799 trabalhadores rurais foram presos, 809 foram ameaçados de morte e 231 assassinados, só no estado do Pará. 

Nesse mesmo período, 31.519 famílias foram despejadas ou expulsas de 459 áreas que eram reivindicadas para assentamentos da reforma agrária no estado. Um verdadeiro caso de “limpeza social”, a moderna versão do higienismo. 

Segundo a CPT, no ano passado, havia 130 fazendas ocupadas por 25 mil famílias de trabalhadores rurais sem terra na região, envolvendo disputa de mais de um milhão de hectares.

Avançando um pouco mais, o relatório crava que os conflitos pela posse de terra apresentam uma tendência de crescimento nos últimos cinco anos em todo o país. Em 2008 registrou-se o menor número de disputas em uma década (751), mas, no ano seguinte, este número passou para 854. Já em 2010 o número de casos ficou estável (853), mas em 2011, no entanto, cresceu para 1.035 e avançou para 1.067 em 2012 – um aumento de 3,1%.

Estes 1.067 conflitos se referem a ações de resistência e enfrentamento pelo acesso, posse, uso e propriedade da terra, envolvendo diferentes categorias de camponeses e povos indígenas. Uma leitura dos números revela que, ao avançar sobre o patrimônio natural, o capital não poupa nada, ocupando territórios indígenas, quilombolas e de outras comunidades tradicionais. Tudo vai sendo engolido pela lógica implacável do capital.

O dado mais revelador está no contingente de famílias vítimas de pistolagem. Esse número subiu de 15.456, em 2011, para 19.968, em 2012 – um aumento de cerca de 30%. Pará, Maranhão e Paraíba são os estados que lideram o ranking nesta categoria de violência. 

Quando apuramos a análise por regiões geoeconômicas, vemos que a Amazônia é onde se concentra o maior número de conflitos, 489 dos 1.067 – o que corresponde a 45,8% do total. Ficam também na Amazônia 97% das áreas envolvidas nos conflitos. 

No Nordeste são 329 e no Centro-Sul, 249. Isso mostra a claramente a capacidade de poderosos grupos econômicos de ameaçar trabalhadores, indígenas, quilombolas e sindicalistas.

A fazenda onde Welbert desapareceu pertence à Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, empresa que tem o grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, entre os sócios. 

O grupo, um dos maiores criadores de gado do mundo, está desde 2005 no Sul do Pará e tem cinco unidades de produção, com capacidade superior a 500 mil animais, distribuídos em 500 mil hectares de terra.

Ironicamente, a entrada da fazenda fica a cerca de 40 quilômetros da curva do “S” da rodovia PA-150, local onde 19 trabalhadores rurais sem-terra foram assassinados em 17 de abril de 1996, no chamado Massacre de Eldorado dos Carajás, em razão da ação violenta da Polícia Militar para desbloquear a rodovia. 

Um simbolismo trágico da permanência da violência e da impunidade dos crimes contra os trabalhadores do campo.

Cláudio Puty/Congresso em Foco
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terça-feira, 30 de julho de 2013

Irmão de ex-juiz do Piauí permanecerá preso

Ex-juiz Osório Bastos
A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça determinou que Filder Caster Nonato Bastos, acusado de assassinar duas pessoas, deve permanecer preso. 

A defesa do acusado impetrou habeas corpus no STJ pedindo a revogação de sua prisão cautelar, alegando que é primário, tem residência fixa, profissão definida, bom comportamento carcerário e não fez nada que pudesse atrapalhar a instrução processual. 

De acordo com os autos, Filder Caster, contando com o apoio logístico de seu irmão, Osório Marques Bastos, ex-juiz de direito no Piauí, assassinou a tiros um desafeto seu e, em seguida, numa espécie de “queima de arquivo”, um outro homem. 

O irmão

De acordo com a denúncia, Osório Marques Bastos, irmão do acusado e corréu no processo, seria o líder de uma facção criminosa, temido tanto por seus inimigos como por seus comparsas, por sua reputação de homem cruel. 

Em 2012, a mesma Sexta Turma analisou habeas corpus em favor do ex-juiz e manteve sua prisão cautelar baseando-se na garantia da ordem pública, uma vez que Osório Bastos teria envolvimento em diversos crimes e “sempre desfrutou de um sentimento de intocável, visto que, utilizando-se de sua função de magistrado, muitas vezes arquitetava o crime, algum comparsa o executava e depois o próprio senhor Osório julgava as pessoas que acobertava”. 

Em abril de 2013, na Quinta Turma do STJ, Osório Bastos teve negado seu pedido de trancamento de uma ação penal em que fora condenado a 11 anos e nove meses de reclusão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e permitido, posse ilegal de arma de uso restrito e favorecimento pessoal. 

Para o ministro Og Fernandes, relator do novo habeas corpus submetido à Sexta Turma, a situação de Filder Caster não é diferente da do irmão e também ele apresenta periculosidade social, “principalmente porque, segundo a denúncia, foi o responsável pela execução material dos dois homicídios qualificados descritos pela acusação”. 

Temor social

Ao citar a decisão da prisão preventiva do acusado, o relator destaca a necessidade de preservação da ordem pública, pois “existe um verdadeiro temor social em relação ao réu por ser irmão do ex-juiz, gerando uma falsa impressão de impunidade e condescendência estatal, em especial da Justiça”. 

A decisão ressalta ainda o fato de o réu ter sido preso na casa do ex-juiz, onde foram encontradas várias armas, e em companhia de um suposto pistoleiro foragido da Justiça, acusado de matar o prefeito de Redenção do Gurgueia. 

Em seu voto, o ministro Og Fernandes ressalta ainda a periculosidade do réu evidenciada pelo modus operandi descrito na denúncia. A vítima do segundo homicídio teria sido morta propositalmente por saber dos crimes cometidos pela dupla de acusados. 

Demonstradas a periculosidade e a necessidade de preservação da ordem pública, a Sexta Turma não concedeu o habeas corpus e manteve a custódia cautelar do réu.
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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Tecnico do Botafogo Oswaldo de Oliveira é acusado de agredir a sogra e um menor de idade

Oswaldo de Oliveira
Enquanto o Botafogo vai muito bem em campo, as coisas seguem desordenadas do lado de fora. O técnico Oswaldo de Oliveira foi acusado de agredir a sogra e um menor de idade e depôs na última quinta-feira - junto da mulher - na 42ª DP (Recreio) da Polícia Civil. O delegado titular, Carlos Henrique Oliveira, investiga o caso.

Segundo a polícia, o fato teria ocorrido há 15 dias. As vítimas já foram ouvidas. Entretanto, elas acabaram encaminhadas para fazer exame de corpo de delito, mas não no Instituto Médico Legal (IML).

Nesta sexta, por intermédio de uma nota oficial emitida pela assessoria de imprensa do treinador, Osvaldo de Oliveira deu a versão dele para o caso. "Com relação à noticia veiculada a meu respeito no dia de hoje, esclareço que trata-se de um pequeno incidente em que fui envolvido dentro da minha própria casa quando a mãe de minha mulher, muito transtornada, aparentando um descontrole anormal, sem motivo me agrediu com muito insultos que me obrigaram a responde-los sem qualquer violência", disse.

"Não houve qualquer agressão física. Dias depois da queixa apresentada na delegacia, ela retornou buscando retirar a reclamação. Todos que me conhecem sabem perfeitamente da minha índole pacifica incapaz de violência com qualquer pessoa", acrescentou a nota oficial.
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Luto oficial de três dias em Ribeirão Preto

A prefeitura de Ribeirão Preto, município do interior de São Paulo a 313 quilômetros da capital paulista, decretou, nesta sexta-feira (21), luto oficial de três dias pela morte do estudante Marcos Delefrate, de 18 anos, atropelado durante manifestação na noite de ontem. Segundo a Polícia Militar (PM), o protesto reuniu 20 mil pessoas na cidade, que tem mais de 600 mil habitantes. 

O corpo do jovem foi enterrado às 16h no Cemitério Bom Pastor, no Jardim Zara.

Além de Marcos, foram atropelados 12 manifestantes, dos quais quatro ficaram feridos. Uma mulher que teve fraturas na pélvis segue internada no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, em estado grave.

O delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Paulo Henrique Martins de Castro, disse que o empresário Alexsandro Ishisato de Azevedo dirigia o automóvel Land Rover, de cor preta, que avançou contra a multidão de manifestantes no cruzamento das avenidas João Fiúza e Adolfo Molina. Ele continua foragido.

Castro informou que o veículo está em nome de uma empresa e foi localizado na casa de Alexsandro. O carro foi apreendido, passou por perícia e o laudo deve sair em 15 dias.

A identificação do acusado foi feita, segundo o delegado, por meio de imagens e testemunhas. Alexsandro está sendo acusado de tentativa de homicídio, lesão corporal, omissão de socorro e homicídio doloso pela morte de Marcos Delefrate.

Ontem, a Polícia Militar divulgou um vídeo em que é possível ver o motorista discutindo com alguns ativistas, que revidaram com pancadas na lataria do carro. Após isso, o carro avançou sobre os manifestantes. O empresário fugiu sem prestar socorro.

Edição: Marcos Chagas
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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Indignados, artistas dão soco na cara da PM


Revoltados com a violência da Polícia Militar diante dos recentes protestos contra o aumento da tarifa de ônibus, principalmente em São Paulo, vários atores aderiram à campanha #mudabrasil e #doiemtodosnos nas redes sociais.

Idealizado pelo fotógrafo Yuri Sardenberg, que se inspirou na jornalista Giuliana Vallone, ferida com um bala de borracha enquanto cobria a manifestação para a Folha de S.Paulo, o ensaio mostra os artistas com os olhos roxos.

"Acorda Brasil essa é nossa chance de mudar", escreveu a atriz Thaila Ayalla no Twitter. "A violência e truculência com que os manifestantes vêm sendo abordados são mais uma forma de desrespeito ao cidadão brasileiro", publicou seu marido, Paulo Vilhena, na legenda da foto.

Outros participantes da manifestação são os atores Carmo Dalla Vecchia e Fernanda Rodrigues, a modelo Yasmin Brunet e o próprio fotógrafo, Yuri Sardenberg. 

Ao todo, sete jornalistas da Folha foram feridos durante a cobertura, todos identificados como profissionais da imprensa.

Um repórter da revista Carta Capital chegou a ser preso por carregar vinagre na mochila – o produto ajuda a amenizar a irritação dos olhos diante do gás e dos sprays de pimenta da polícia.

Brasil 247
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A falência dos políticos.

Balas de chumbo e borracha tomaram o lugar da política na resolução de conflitos entre o Estado e segmentos da sociedade no Brasil. 

Índios, manifestantes e jornalistas acabaram do lado errado dos canos das armas da polícia - enquanto autoridades se escudavam atrás de microfones na segurança de seus gabinetes.

A inapetência das lideranças políticas brasileiras não distingue partidos. Nem prefeito, nem governador, nem sequer um vereador deu a cara nas cenas de conflito para tentar mediar impasses. Passaram a responsabilidade para policiais. Deu no que deu. ...

Se os políticos profissionais se escalam para assistir jogo da seleção - e, quiçá, vaiar os colegas -, mas evitam as esquinas onde seus eleitores aspiram gás lacrimogêneo, cabe perguntar: eles servem a quem?

O apagão de lideranças no Brasil é mais contundente do que os cassetetes da PM paulista. Não é coincidência que o movimento que pretende parar as maiores cidades do país se declare "horizontal, autônomo, independente e apartidário". A ausência de um líder tradicional parece confundir políticos e policiais.

Um comandante da PM de Brasília reclamou da falta de interlocutor à altura de sua patente do outro lado - o lado dos manifestantes anti-Copa que ele dispersou a balas e bombas. Os políticos também parecem aturdidos com a falta de hierarquia dos manifestantes.

Não há "cabeças" com quem barganhar, a quem cooptar nem para cortar. Essa é, porém, a maior característica da pós-política. Organização em rede, voluntária, heterogênea e sem estrutura de comando. Só não confunda ausência de líderes com falta de liderança. É bagunça organizada. Começa no dia e hora marcados em locais previamente combinados.

No sumiço dos políticos, nota-se um cálculo marqueteiro: de qual lado ficar para mais faturar? O prefeito Fernando Haddad (PT) ainda está calculando. Já o governador Geraldo Alckmin (PSDB) achou que seria do lado da repressão. Tudo caminhava para ele se consagrar como quem pôs ordem na casa, até a crise tomar um atalho.

Na narrativa preponderante, a manifestação contra o aumento do ônibus/metrô começou como uma curiosidade, virou um estorvo, evoluiu para baderna e tinha tudo para acabar com a glória da repressão policial na quinta-feira passada. 

No palco escolhido, a esquina da Consolação com Maria Antônia  havia espaço suficiente para acomodar helicópteros de todas as emissoras de televisão.

Mas aí a sede de vingança da tropa falou mais alto - vingança pelo quase linchamento de um policial na manifestação anterior. O pelotão de choque começou a batalha atirando para onde estava virado. Bombardeou posto de gasolina, carro, idoso, apartamento.

Multidão dispersada, começou a caçada aleatória a transeuntes. Por azar, falta de mira ou intenção, os policias acertaram 15 jornalistas. A narrativa muda quando o narrador vira parte da história. De vítima, a polícia virou algoz. E Alckmin teve que ouvir lição de moral ao vivo num programa televisivo.

Não que o governador não possa sair dessa ainda mais favorito à reeleição. No interior paulista, quem não gasta quatro horas diárias para ir e voltar do trabalho em ônibus cada vez mais lotados talvez simpatize com sua posição a favor da ordem.

Já na capital, a pesquisa Datafolha, feita a quente, mostrou uma cidade dividida. "A molecada está certa", resumiu um passageiro. Ele explica os 55% de apoio às manifestações: se o serviço é ruim e só piora, aumento da passagem é tapa na cara do usuário. As depredações e os engarrafamentos engordam os 40% que são contra.

Unanimidade, só a do vinagre. Sua posse, mesmo podendo levar à prisão, virou item de primeira necessidade.

É o único alívio contra a lacrimejante atmosfera paulistana. Vinagre é o novo tomate.

José Roberto de Toledo
Fonte: Jornal Estado de São Paulo
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sábado, 15 de junho de 2013

Sindicato dos Jornalistas divulga nota com nomes dos profissionais agredidos pela PM

O Sindicato dos Jornalistas de São paulo divulgou uma nota com os nomes de todos os profissionais da categoria que foram detidos ou agredidos enquanto trabalhavam na cobertura do protesto contra o aumento nas tarifas das passagens de ônibus no centro da capital paulista. Confira a lista:

DETIDOS

Piero Locatelli – repórter Carta Capital 
Fernando Borges – repórter cinematográfico do portal Terra 
Pedro Ribeiro Nogueira – repórter Portal Aprendiz

AGREDIDOS

Vagner Magalhães – repórter portal Terra 
Fernando Mellis – repórter portal R7 
Gisele Brito – repórter Rede Brasil Atual
Leandro Morais – repórter fotográfico do UOL 
Sérgio Silva – repórter fotográfico agência Futura Press 
Fabio Braga – repórter fotográfico Folha de S. Paulo 
Marlene Bergamo- repórter fotográfico Folha de S. Paulo 
Félix Lima – repórter Folha de S. Paulo 
Ana Krepp – repórter Folha de S. Paulo 
Leandro Machado – repórter Folha de S. Paulo 
Giuliana Vallone – repórter TV Folha 
Rodrigo Machado – repórter TV Folha 
Henrique Beirange – repórter jornal Metro 
André Américo – repórter fotográfico jornal

Jornal do Brasil


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Jogo de empurra em SP: tucanos culpam inflação e petistas criticam a PM

"Queria destacar o caráter político
do movimento, que ocorre nas principais
capitais do país e inclusive em cidade
que não teve aumento de tarifa,
sempre com a violência",
Geraldo Alckmin,
governador de São Paulo
A crise política derivada do confronto entre manifestantes e policiais militares por conta do reajuste das tarifas de transporte público em São Paulo subiu ao palanque de 2014 e transformou-se em um jogo de empurra entre autoridades federais, estaduais e municipais. 

Aliados do prefeito Fernando Haddad (PT) dizem que as próximas manifestações serão motivadas pela truculência da polícia do governo de Geraldo Alckmin (PSDB); os tucanos admitem que houve excessos da Polícia Militar, mas acrescentam que as passagens subiram por causa da inflação, gerada a partir do descontrole do governo federal; e o Planalto lembra que convenceu o prefeito e o governador a reajustar as passagens para R$ 3,20 e não R$ 3,30, como previsto originalmente.

Outros protestos continuam sendo marcados. Na segunda-feira, os manifestantes do Movimento Passe Livre prometem nova passeata para reclamar da ação ostensiva da tropa de choque na PM na noite de quinta-feira. 

"A violência praticada em nome do 

Estado não pode ser tolerada. A PM 
tem o dever de conter abusos, mas 
nunca agir de forma arbitrária e 
violenta", José Eduardo Cardozo, 
ministro da Justiça
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, 232 pessoas foram detidas para averiguações e quatro, presas. Oficialmente, nem Polícia Militar nem Polícia Civil nem tampouco a Secretaria de Segurança divulgam número de feridos. 

O Movimento Passe Livre afirma que foram 100. O fotógrafo Sérgio Silva, da agência Futura Press, atingido por uma bala de borracha, passou ontem por uma cirurgia para costurar o globo ocular, mas as chances de que ele recupere a visão seguem abaixo dos 5%.

Correio Braziliense


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Protestos contra aumento da passagem ganham ato de apoio em 15 países

Em apoio à série de protestos contra o aumento da passagem de ônibus, estudantes e trabalhadores brasileiros farão, na próxima terça-feira (18), uma manifestação simultânea em quase 30 cidades no exterior. 

Os atos foram confirmados pelo Facebook em pelo menos 14 países, depois que ativistas foram reprimidos violentamente pela Polícia Militar, em São Paulo, na última quinta (13). 

Um grupo na rede social chamado “Democracia Não tem Fronteiras” reúne todos os eventos, os horários e os locais em que cada um deles deve acontecer. 

Um perfil identificado como Pedro Aurélio Rocha, responsável pela página, publicou texto em que explica o motivo da mobilização. “Os governos dos estados estão usando e abusando de ações violentíssimas da policia para reprimir as manifestações. Os policiais estão tratando os manifestantes como criminosos, agredindo, prendendo. 

Muitos são "caçados" depois das manifestações. Estão tentando criminalizar o direito da população se manifestar! Por isso, estamos organizando por todo o mundo eventos de apoio aos brasileiros que estão se manifestando. Somos Brasileiros. Esses manifestantes estão lutando também pelos nossos direitos. Temos que nos unir a essa luta”, afirma. 

Na página do evento marcado para acontecer em Paris, na França, por exemplo, há centenas de pessoas confirmando participação no ato em frente à Embaixada Brasileira. 

Também serão feitos protestos de apoio em cidades da Espanha, Inglaterra, Portugal, Alemanha, Itália, Holanda, Irlanda, Bélgica, Estados Unidos, Canadá, México, Argentina e Japão. Em três cidades, no entanto, o ato está programado para ser feito já no próximo domingo (16). É o caso de Berlim, na Alemanha, Dublin, na Irlanda, e Montreal, no Canadá.

Último Segundo
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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Violência, a contramão da educação

Lígia Fleury
Psicopedagoga, palestrante, 
assessora pedagógica educacional, 
colunista em jornais 
de Santa Catarina
Cidade Maravilhosa e Terra da Garoa. O Rio de Janeiro ganhou esse “apelido carinhoso” na década de 30. Paisagens magníficas que sobrevivem ao tempo e ao descuido do Homem, talvez porque seja a força da natureza maior do que a ignorância humana.

A Terra da Garoa, a São Paulo que pode ter as quatro estações do ano em um único dia, não vive, apenas sobrevive; ela se reconstrói no dia a dia no meio de concretos que edificam sempre os bairros comerciais e residenciais.

Duas cidades extremamente importantes para a economia do nosso Brasil. Duas cidades com pontos turísticos maravilhosos; a cultura respirada em ambas, seja no ato que marcou uma época, seja ela retratada pela arquitetura, pela música, pela leitura, enfim, são duas cidades que brigam para não se renderem ao caos.

Duas cidades importantes, maravilhosas, mas que precisam hoje reagir. Poderiam ter agido na formação da sociedade, agido no cuidado com a saúde, agido na segurança pública, agido na oportunidade de escola e trabalho para todos. Não o fizeram. Então, agora, precisam reagir para sair do caos.

Refiro-me ao caos da displicência. Onde estamos todos nós quando vidas são tiradas com tamanha brutalidade e banalidade?

Onde estamos todos nós quando nos deparamos com agressões verbais, físicas ou emocionais e nos calamos?

Onde estamos nós quando a Educação deixa de ser valorizada?

Onde estávamos todos nós quando a escola deixou de ser para todos? Porque não podemos negar; a educação de qualidade é para a minoria. Isso é indiscutível. Infelizmente o que vemos de sucesso em escolas públicas e particulares, e esse sucesso é real, é para poucos. E deveria ser para todos.

De novo, somos todos responsáveis pelo caos.

Ninguém dá o que não tem. Então se não tem, que se crie! Não se oferece educação se nunca a recebeu. Não há mágica; é simples assim: aprende-se com as experiências, na troca com o outro.

Li um artigo que apresenta um dos belíssimos trabalhos desenvolvidos nos Morros do Rio de Janeiro e, por coincidência, no mesmo dia, outro que mostrava a ONG vencedora de um prêmio pela excelência do trabalho prestado em uma comunidade em São Paulo. Ambos acontecem em comunidades desfavorecidas de educação básica, segurança, higiene, saneamento e todas as condições mínimas necessárias para que se possa atribuir o Digna à Vida. Parabéns a esses guerreiros que fazem, que agem. Eles agem, reagindo ao que não foi feito antes. Esses guerreiros acreditam no possível. Esses guerreiros deveriam governar uma nação.

Em outro artigo meu, questionei: por que não se faz uma vez só e bem feito? E aqui estou novamente com a mesma questão: por que não se investe em Educação, Saúde e Segurança com o respeito que todo ser humano merece?

Parece simples: os pais ensinam – ao menos deveriam ensinar -, em casa, na família, a educação que abre as portas para a vida em sociedade e a escola faz a sua parte, ampliando o convívio com os demais, ampliando os horizontes do conhecimento.

A equação é simples: família + escola = EDUCAÇÂO

Educação de respeito, de valorização pela vida.

Outras mágicas: queremos segurança? Ensinemos respeito.

Queremos emprego? Ensinemos a responsabilidade

Queremos escola para todos? Ensinemos a valorizar a Educação.

Queremos qualidade na saúde publica? Ensinemos a prevenção.

Queremos paz? Ensinemos e cultivemos a tolerância.

Queremos justiça? Ensinemos ética.

Queremos limpeza? Ensinemos consciência ambiental.

Queremos falar? Ensinemos a ouvir.

Queremos um país decente? Tenhamos transparência, ética, leis justas, discernimento nas eleições.

Queremos nossos direitos? Façamos nossos deveres.

Queremos cidadãos? Ensinemos cidadania.

Parece simples. Mas não é. Porque não há ética, porque não há respeito, porque não se ensina a ser GENTE! Nasce-se GENTE! Ensina-se gente a ser cidadão.

E enquanto não mudarmos isso, a Cidade Maravilhosa se garante com o privilégio da Natureza e a Terra da Garoa se enriquece atrás de arranha-céus.

E a população? Ah! Essa vai levando, ao invés de ir vivendo! Essa vai aprendendo a perder, porque é o que se tem.

Onde estamos todos nós?

Lígia Fleury
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terça-feira, 28 de maio de 2013

Soco do Prefeito do Rio de Janeiro em artista tem repercussão internacional

Botika Botkay
A briga entre o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e o escritor e músico Bernardo Rinaldi Botkay, conhecido como Botika Botkay, teve repercussão em jornais e sites internacionais de noticias. 

O jornal The New York Times destacou que o prefeito "socou um eleitor no rosto após ser chamado pelo equivalente em português para 'excremento'" - o artista teria chamado Paes de "bosta", entre outros xingamentos.

A publicação americana lembrou que o prefeito se desculpou pelo incidente, mas disse que "ele qualificou o pedido desculpas afirmando que era inaceitável enfrentar tais insultos em momentos privados com sua esposa". 

O NYT também disse que Botkay "dirigiu seu desprezo ao senhor Paes por acreditar que as políticas do prefeito estavam beneficiando um seleto grupo de especuladores imobiliários e contribuindo com a 'gentrificação' antes da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, ambos que serão sediados no Rio".

O site da emissora britânica BBC também deu destaque à briga entre o artista e o prefeito, afirmando que Botkay "alega ter sido atingido no rosto no último sábado, após ter abusado verbalmente do prefeito em frente à mulher e aos amigos dele". 

A BBC também falou da grande repercussão que o assunto teve nas redes sociais pela internet.

Já o site Bloomberg, especializado em informações financeiras, destacou o pedido de desculpas de Paes após uma "alteração física com um músico em um restaurante". 

Segundo o portal, o prefeito disse que os insultos proferidos pelo artista resultaram em uma discussão e um consequente "desentendimento físico".

QuidNovi
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domingo, 19 de maio de 2013

Faz sucesso no Facebook uma campanha contra a Rede Globo, a propósito de denúncias contra a Polícia do Rio.

É impressionante a campanha contra a Rede Globo no Facebook, a propósito da denúncia do Jornal Nacional sobre uma equipe da Polícia que alvejou bandidos que disparavam contra o helicóptero usado na operação.

O material diz que a Rede Globo (que denuncia excessos cometidos pelos policiais) em nenhum momento fez cobertura semelhante quando traficantes derrubaram um helicóptero no Rio, matando três policiais.

É citado também o promotor Rogério Leão Zagallo, do Movimento Viva Brasil, que afirma: “Bandido que dá tiro para matar tem que tomar tiro para morrer”.

A série de textos e filmetes protesta porque Adonis Lopes de Oliveira, que chefiou a operação em que o traficante “Matemático” foi morto, está suspenso da Polícia até que a Corregedoria conclua investigações sobre o caso.

Cita-se também o incrível caso do assalto ao Hotel Intercontinental, em São Conrado, realizado em plena luz do dia, no qual uma quadrilha fortemente armada invadiu o edifício, fez 35 reféns, e em decorrência, houve um morto e seis feridos. 

Os bandidos foram presos mas estão prestes a serem libertados, porque a Justiça concluiu que “eles não oferecem perigo à sociedade”.

É claro que a TV Globo tem razão em denunciar excessos da Polícia, mas também não há a menor dúvida de que determinado tipo de criminoso tem de ser enfrentado com máximo rigor, seja aqui no Brasil, nos EUA, na Rússia, na França ou na Cochinchina. Esta é a realidade.

Carlos Newton
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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Brasil é um dos campeões mundiais em homicídio de mulheres, denuncia juíza do TJRJ

Em palestra proferida no IV Curso de Iniciação Funcional para Magistrados, Adriana Ramos de Mello, juíza do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), informou que o Brasil ainda ocupa a sétima posição no ranking mundial de assassinato de mulheres por questões de gênero – o “femicídio”. 

De acordo com a magistrada, entre 1980 e 2010, 135 mil mulheres foram mortas violentamente no país. 

O curso é uma iniciativa da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados Ministro Sálvio de Figueiredo (Enfam) e reuniu nesta edição 120 juízes recém-empossados de cinco estados brasileiros. 

Para a juíza Adriana Mello, os números da violência de gênero são “altíssimos” e mostram que o Brasil ainda é um grande ofensor dos direitos humanos. A palestrante também mostrou preocupação com o aumento do número de denúncias de estupro, que cresceram 24% em 2012. 

“A Lei Maria da Penha é uma grande ferramenta contra a violência doméstica e hoje há uma rede do Judiciário, assim como os juizados especiais, nos quais a mulher pode se socorrer”, destacou. 

Um trabalho psicossocial e multidisciplinar é essencial para a efetividade da Maria da Penha, observou Adriana Mello. “O juiz que trabalha nessa área tem de estar pronto para ouvir e mostrar compaixão. Nos casos que envolvem a violência doméstica, todos sofrem – a mulher, os filhos e, às vezes, até o próprio agressor”, destacou. 

Para a juíza, a desigualdade persistente entre homens e mulheres na sociedade brasileira é um estímulo à violência. “Não há um perfil da mulher agredida, o problema afeta todas as classes sociais e faixas etárias”, salientou. Outros fatores que podem levar à violência são o abuso de drogas ou álcool e o desemprego.

STJ
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